Resumo da semana: Dória x Alckmin, Geddel quase réu e a volta da pobreza

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Esta coluna é uma parceria entre o Independente e o canal Politiké Por Bernardi (YouTube).

Por Vinicius Bernardi

Confira também a versão em vídeo:

Todas sexta-feiras, os leitores do Independente podem ler o resumo de tudo que foi destaque sobre política brasileira.

Dória x Alckmin

João Dória, prefeito de São Paulo, tem deixado cada vez mais claro que quer se candidatar para presidente em 2018. Só que Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, também quer. Ele ainda conta com muito apoio no PSDB e é o padrinho político de Dória.

Para complicar ainda mais a vida de Dória, no último dia 12 de agosto, o Estadão bateu forte no prefeito com um editorial exigindo que ele cumpra suas obrigações que assumiu como “gestor” da cidade de São Paulo.

Já Geraldo Alckmin, que faz viagens para a campanha presidencial, esteve em Florianópolis neste último sábado e aproveitou para deixar clara sua posição de concorrer à presidência. Disse que queria um tira-teima com o ex-presidente Lula.

O clima parecia ter esfriado no último domingo quando Dória gravou um vídeo para o facebook com Alckmin, reafirmando sua lealdade ao govenador. Só que o prefeito seguiu com sua agenda de viagens e foi, nesta semana, para Palmas, no Tocantins, e para Natal, no Rio Grande do Norte. Em ambas cidades foi recebido como candidato e discursou atacando Lula e a esquerda.

Em entrevista à CBN, João Dória disse que foi eleito para cumprir os quatro anos de mandato, mas quando perguntado se concorreria à presidência em 2018, disse que o futuro a Deus pertence. Preocupados com a situação, aliados do governador já encomendaram pesquisas para medir o impacto das viagens do prefeito de São Paulo e também sua popularidade na capital.

Vídeo do PSDB

No dia 17 de agosto, o PSDB lançou um vídeo embaraçoso dizendo que o partido errou em apoiar o PMDB. O vídeo ainda acusa o governo Temer de praticar fisiologismo. Além disso, o partido voltou a defender uma de suas bandeiras clássicas: o parlamentarismo.

A ideia do vídeo foi do presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati, que aparentemente não consultou outros caciques do partido para fazê-lo.  Segundo o Poder360, alguns dirigentes estão espantados com o vídeo porque o partido ataca o governo que ainda participa.

Reforma política

Não foi nesta semana que a Câmara dos Deputados votou a Reforma Política. Na última quarta, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, adiou a votação para a próxima semana, pois considerou o quórum baixo. Ele estipulou que o quórum mínimo deveria ser de 480 deputados para a votação. Segundo suas próprias palavras, uma PEC dessa importância precisa de um quórum alto.

Se quiser saber mais sobre as propostas da reforma política, clique aqui e veja o vídeo explicativo do Politiké Por Bernardi.

Operação Zelotes

Nesta semana aconteceu a primeira delação premiada da Operação Zelotes, que ocorre em paralelo à Operação Lava Jato.

A Operação Zelotes investiga um esquema de corrupção do Conselho de Administração de Recursos Fiscais, o Carf. Ele é um tribunal administrativo que responde para o Ministério da Fazenda e julga as infrações que as empresas cometem envolvendo tributos federais.

O primeiro delator foi Paulo Roberto Cortez, ex-auditor e que foi conselheiro do Carf até 2007. Em sua delação, ele diz que o Bank Boston se livrou de uma multa milionária graças a acordos com votos de conselheiros. O Banco Itaú, que adquiriu os ativos brasileiros do Bank Boston em 2006, disse que não é parte do processo e não teve benefícios.

Operação Lava Jato

Na última segunda, o Procurador da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato, disse que foi convidado para uma reuniao com Michel Temer, ainda quando ele era vice-presidente, no Palácio do Jaburu. O procurador disse que recusou o convite, feito pelo então assessor de Temer, Rodrigo Rocha Loures, que hoje está em prisão domiciliar por receber uma mala de R$ 500 mil da JBS.

Mas nem tudo foi ruim para Temer na semana. A Procuradoria-Geral da República suspendeu as negociações de delação premiada com Eduardo Cunha. Essa delação era muito esperada, já que poderia revelar esquemas de corrupção envolvendo Michel Temer e aliados.

Segundo fontes envolvidas nas negociações do acordo, Cunha omitiu informações sobre aliados e acusou apenas figuras que romperam com ele antes da sua prisão.

Geddel deve virar réu

Na última quarta, o ex-ministro Geddel Vieira Lima foi denunciado por obstrução de Justiça pelo Ministério Público Federal. Ele foi acusado de tentar atrapalhar a delação de Lúcio Funaro, que é apontado como operador de propinas do PMDB e é próximo de Michel Temer e Eduardo Cunha.

Entre maio e julho deste ano, Geddel teria feito 17 ligações para a esposa de Funaro, Raquel Pita, para saber se ele faria uma delação premiada. O ex-ministro, que atualmente cumpre prisão domiciliar na Bahia, confirmou que ligou para a esposa de Funaro, mas apenas para tratar de assuntos da família.

Se a denúncia for aceita, ele se tornará réu.

Em outra frente, o Ministério Público Federal apresentou também uma ação de improbidade administrativa, que trata de quando ele supostamente pressionou o ex-ministro da cultura, Marcelo Calero, para liberar a construção de um prédio de luxo em área histórica de Salvador.

PMDB ou MDB

O presidente do PMDB, senador Romero Jucá, propôs a mudança do nome da sigla para MDB. Seria uma forma de fazer o partido voltar ao antigo nome de quando fazia oposição à ditadura militar e tinha uma imagem muito melhor do que a atual.

Visando as eleições de 2018, outros partidos também alteraram o nome recentemente: PTN virou Podemos, o PtdoB virou Avante e o PEN, Patriota.

Economia

Depois de um impasse, o governo anunciou a nova meta fiscal: um aumento no rombo de R$ 20 bilhões. A meta foi de R$ 139 bilhões negativos para os também negativos R$ 159 bilhões.

Em 2018, a meta também será de negativos R$ 159 bilhões.

O ministro da fazenda, Henrique Meirelles, entrou em contato com três agências internacionais da classificação de risco para evitar que as notas do Brasil fossem revistas e pediu um prazo de três meses para nova avaliação.

Segundo matéria da Globo News, deputados e senadores ainda farão resistência para aprovar a nota meta. Se não for aprovada pelo Congresso Federal, Michel Temer terá que responder por crime de responsabilidade.

Enquanto isso, o programa Bolsa Família registrou em julho a maior redução desde o lançamento em 2003. Foram mais de meio milhão de pessoas que deixaram de receber o benefício. Uma reportagem do UOL visitou uma central do Bolsa Família em Maceió e afirmou que o corte pegou muitos beneficiários de surpresa.

Para completar a tragédia, um estudo divulgado nesta última segunda e preparado pelo Ipea, Nações Unidas e Fundação João Pinheiro, concluiu que mais de quatro milhões de brasileiros entraram na faixa de pobreza desde 2015.

Fact-Checking

Uma corrente do Whatsapp tem divulgado que a Rede Globo só repassou para a Unesco 10% do que arrecadou com o Criança Esperança em toda a história do programa. Além disso, a emissora é acusada de aumentar suas isenções de Imposto de Renda com a falsa doação.

O Truco, projeto de checagem da Agência Pública, investigou o caso e afirma que a notícia é FALSA. Uma busca revelou que essa mensagem foi publicada originalmente em 8 de agosto de 2014 pela página no facebook Movimento Brasil Consciente. Como a corrente do Whatsapp não está assinada, não foi possível determinar se o movimento foi novamente responsável pela informação.

Segundo a agência, já houve uma suspeita de desvio de verbas em 2011, mas nunca houve uma acusação de irregularidade.

Segundo a Unesco, todas as doações obtidas caem diretamente em uma conta administrada pela organização. Além disso, por se tratar de uma agência das Nações Unidas, doações para a Unesco não são dedutíveis no Imposto de Renda.

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Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Marketing e estudante de história, desistiu da carreira no mundo corporativo para se dedicar a produção de conteúdo na internet. É criador do canal no YouTube Politiké Por Bernardi e sua luta é pela Educação Política.

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