“Acho muito pouco o valor do auxílio-moradia”, ironiza novo presidente do TJ-SP

0

Indagado por uma repórter se considerava justo o valor do auxílio pago aos magistrados, o desembargador Manoel Queiroz Pereira Calças ironizou: “Acho muito pouco. Agora você vai e coloca isso. Vocês [jornalistas]estão me provocando; provocação não vou atender. Esse tipo de pergunta eu não aceito”.

Janaina Garcia Do UOL

Novo presidente do TJ-SP, Manoel Queiroz Pereira Calças, afirma que recebe auxílio-moradia / Foto- Divulgação (Klaus Silva/TJ-SP)

O novo presidente do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), desembargador Manoel Queiroz Pereira Calças, defendeu nesta segunda-feira (5) o auxílio-moradia de R$ 4,3 mil pago à magistratura. Ele usou um tom irritado ao responder a jornalistas sobre o assunto, admitiu que recebe o benefício mesmo possuindo “vários imóveis, não só um” e, irônico, classificou o valor pago como “muito pouco”.

Calças tomou posse hoje como presidente do TJ, cargo que ocupa, na prática, desde 1º de janeiro. Com 42 anos de magistratura, substituiu o desembargador Paulo Dimas Mascaretti.

Em entrevista coletiva, o desembargador se disse favorável ao subsídio ao argumentar que ele consta da Lei Orgânica da Magistratura. Admitiu, por outro lado, que o tema “é controverso” e que o “auxílio-moradia é um salário indireto”.

“Eu recebo (o auxílio-moradia) e tenho vários imóveis”

Questionado se concorda com o pagamento do subsídio mesmo a magistrados que possuem casa própria na cidade onde trabalham, Calças respondeu: “Sim, porque o auxílio-moradia é previsto na Lei Orgânica da Magistratura. Eu recebo e tenho vários imóveis, não só um”, declarou.

O desembargador criticou reportagens veiculadas na imprensa que mostram juízes recebendo o auxílio mesmo sendo donos de imóveis nas cidades onde trabalham. Ele se referiu à publicada pela Folha, no final de semana, que revelou que quase metade dos juízes da cidade de São Paulo que recebem auxílio-moradia dos cofres públicos têm casa própria na capital paulista. Calças não foi citado pelo levantamento.

Indagado por uma repórter se considerava justo o valor do auxílio pago aos magistrados, o desembargador ironizou: “Acho muito pouco. Agora você vai e coloca isso. Vocês [jornalistas]estão me provocando; provocação não vou atender. Esse tipo de pergunta eu não aceito”, concluiu, encerrando.

O novo presidente administrará um orçamento de R$ 11,6 bilhões para este ano. Ao todo, segundo a assessoria do TJ, são 21,3 milhões de processos de primeiro grau, a maioria (57%) são execuções fiscais, e 667 mil de segundo grau.

Comente no Facebook