Advogado e torcedores são perseguidos após processar o Allianz Parque

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Sob anonimato, o advogado conta que foi insultado e ameaçado por representar três torcedores que se molharam com um escoamento de água irregular no estádio, durante a partida Palmeiras contra o Santos, em setembro de 2017.

Por Rafael Bruza

Um advogado e três torcedores do Palmeiras vêm sofrendo perseguições e ameaças esta semana, após acionar o Allianz Parque na Justiça de São Paulo. O Palmeiras e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) respondem solidariamente na ação, ou seja, só serão cobrados caso o estádio, administrado pela WTorres, eventualmente não arcar com os prejuízos cobrados, segundo o advogado. Os torcedores pedem indenização por danos morais e materiais alegando que ficaram molhados e constrangidos durante uma partida, por conta de um escoamento de água irregular no estádio, que caía em grande volume de um cano localizado em cima das cadeiras reservadas para o jogo.

O caso que gerou a ação ocorreu em setembro de 2017, durante o clássico entre Palmeiras e Santos no Allianz Parque, vencido pelo peixe por 1×0, sob forte chuva. Um torcedor pagou R$ 200 no ingresso e os demais gastaram R$ 100 pela meia-entrada. No processo, eles afirmam que procuraram outros assentos por conta do escoamento, mas tiveram que retornar aos lugares molhados quando os ocupantes das outras cadeiras chegaram para sentar.

A ação foi distribuída na Justiça na última terça-feira (06), com valor de R$ 60 mil. Em entrevista concedida ao Independente, o advogado, que pediu para não ser identificado, relata que vêm sendo insultado e ameaçado desde o dia 7 de fevereiro, depois que veículos de imprensa, como o Portal UOL e a Fox Sports, fizeram conteúdos sobre a ação judicial.

O programa de Benjamin Back na Fox Sports chegou a dizer que os torcedores processaram o clube por tomarem chuva durante o jogo, informação falsa desmentida pelo advogado.

“Eu não tenho ideia de quem pode estar por trás das perseguições, mas as pessoas identificadas serão responsabilizadas. Os advogados que vão representar o Allianz Parque, o Palmeiras e a CBF ainda nem foram constituídos. Eles ainda vão ser citados. Mas a torcida, que é apaixonada, não entendeu a situação e se revoltou. Não conseguiram compreender que estou apenas fazendo o meu trabalho e isso não tem conexão com minha vida pessoal; não lembraram também que a  proposta do estádio é um local fechado, diferente do Pacaembu, que possui área aberta. Ressalto ainda que meus clientes não tomaram chuva, mas sim foram atingidos por um escoamento de água de um cano que estava localizado em cima das cadeiras, pegando um pouco do corredor da escadaria. São situações bem diferentes, que os torcedores não conseguiram perceber, acredito que por conta das matérias. Algumas delas não explicaram a situação tão bem e isso gerou a revolta”, explica.

Ele também conta que outras informações falsas divulgadas na Internet incentivaram as perseguições.

“Os requerentes (clientes) não eram pessoas infiltradas de outro time. Eles são, sim, palmeirenses. As notícias que espalharam informação de que eram torcedores infiltrados de outro time são mentirosas. Os torcedores não se molharam com o vento que levou a chuva, mas sim por conta de um escoamento de água irregular. O cano está localizado em cima das cadeiras e escadaria da arquibancada, que no dia apresentava um fluxo de água que não pode nem deve ser visto como normal”, argumenta. “Os clientes são palmeirenses com consciência de que são torcedores e consumidores, afinal gastam dinheiro para ir até o jogo. Portanto possuem o direito ao ressarcimento pela irregularidade, que não deveria existir e precisa ser corrigida. É isso que almejamos com a ação”.

O Palmeiras, a CBF e a WTorres ainda não foram citados no processo e não comentaram o caso.

O advogado esclarece que as empresas acionadas na Justiça têm direito a defesa.

“Como pessoa, sou indiferente ao futebol. Não acompanho e não torço por nenhum time. Como advogado, só estou fazendo meu trabalho. Se o processo for impertinente em algum ponto, os torcedores e as pessoas no geral não precisam se preocupar. O clube com toda certeza tem advogados capacitados para a defesa e no final o processo será analisado pelo juiz profissional, que detém autoridade e poder para julgamento”, argumenta.

Ele também afirma que os clubes têm dever de entregar bons serviços a todos que comparecem aos estádios.

“É preciso lembrar que os torcedores precisam ser tratados com mais respeito e dignidade, afinal eles financiam o esporte. Meus clientes ajuizaram a demanda por ter o discernimento de que são também são consumidores. Em comparação com outros estádios em nosso estado de São Paulo, o Allianz Parque tem o ingresso bem elevado e precisa entregar uma boa prestação de serviço, que respeite não só os consumidores que entraram com a ação, mas a todos que venham assistir jogos ou participar de eventos no local”, argumenta.

Por último, o advogado pede que os clubes de futebol defendam o respeito e se posicionem em questões como esta.

“Os clubes precisam incentivar o respeito entre todos os envolvidos com o futebol, a incitação ao ódio na Internet é perigosíssima e gera toda a violência que vemos na sociedade e em especial no mundo esportivo. Os clubes não devem se calar, mas ao contrário, é justo e essencial que façam uso de sua influência para pregar um esporte cujo o respeito fique acima de qualquer paixão ou rivalidade”, ressalta. “Esse tipo de matéria (que publica informações falsas), de incitação ao ódio e esse comportamento dos torcedores é algo que os clubes, não só o Palmeiras, mas também outros clubes, devem recriminar porque gera consequências gravíssimas”.

Comentário

O editor do Independente, Rafael Bruza, comentou o caso em seu último vídeo:

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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