Aliados aguardam áudios para abandonar o Governo de Michel Temer

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Após denúncias feitas pelo jornal O Globo, membros do Governo anunciaram renúncia de seus cargos, enquanto outros partidos aguardam a divulgação dos áudios supostamente incriminadores para decidir se seguem ou não na base e nos cargos do Governo Federal.

Por Rafael Bruza

O presidente da República, Michel Temer / Foto – Reprodução

Políticos e partidos da base aliada de Michel Temer decidiram renunciar a seus cargos e abandonar o Governo, após denúncia de que o presidente supostamente deu aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha. Até o início de noite desta quinta-feira (18), no entanto, a maioria dos aliados do Governo Federal aguardam a divulgação dos áudios pelo STF para decidir se mantém seus cargos ou renunciam.

O presidente Michel Temer esteve prestes a renunciar à Presidência da República em pronunciamento feito às16 horas, diante da pressão que recebe.

Há duas versões da carta de renúncia de Temer preparadas, mas o presidente resistiu e durante o pronunciamento afirmou que não iria renunciar.

“No Supremo, mostrarei que não tenho nenhum envolvimento com esses fatos. Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dubiedade e de dúvida não pode persistir por muito tempo”, declarou Temer, que também aguarda a divulgação das gravações que supostamente o incriminam.

Cabe ao relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirar o sigilo dos arquivos.

PSDB prepara rompimento

No início da tarde desta quinta-feira (18), o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), anunciou que irá renunciar ao cargo, apesar de não ter formalizado a saída do Governo.

A bancada tucana na Câmara dos Deputados se prepara para abandonar o Governo, caso as denúncias contra o presidente se confirmem após a divulgação do áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS.

Aloysio Nunes (Relações Exteriores) está com a carta de renúncia preparada, mas também não anunciou saída do Governo.

O PSDB comanda atualmente quatro ministérios do governo Temer: A Secretaria de Governo, com o deputado licenciado Antonio Imbassahy (BA); Cidades, com o deputado licenciado Bruno Araújo; Relações Exteriores, com o senador Aloysio Nunes (SP); e Direitos Humanos, com Luislinda Valois.

Deputados do PSDB defendem que outros três ministros do partido entreguem imediatamente os cargos assim que seja divulgado o áudio gravado pelo empresário Joesley. O posicionamento do partido foi comunicado pelo líder da sigla na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), e pelos deputados Nilson Leitão (MT) e Carlos Sampaio (SP) – este último assumiu a presidência do partido no lugar de Aécio Neves, que também está envolvido no escândalo da JBS.

O vice-presidente nacional do partido, Alberto Goldman, afirmou que Temer “perdeu a a condição de presidir”.

“Acabou o governo. Esse é o fato político”, disse Goldman.

PTN, primeira sigla a romper

Com uma bancada de 13 deputados, o PTN foi o primeiro partido da base aliada a anunciar oficialmente o rompimento com o governo Michel Temer. Em carta assinada pela presidente nacional do partido, deputada Renata Abreu (SP), e pelo líder da legenda na Câmara, deputado Alexandre Baldy (GO), a sigla afirma que assumirá posição de “independência” em relação ao governo.

“O Podemos (novo nome do PTN) e sua bancada na Câmara dos Deputados anunciam a sua saída do bloco parlamentar composto pelo PP e PT do B, outros partidos da base aliada, assumindo posição de independência do governo federal”, afirmaram Renata e Baldy na carta.

Ao Diário de Pernambuco, a presidente do PTN afirmou que o partido deverá entregar todos os cargos que possui atualmente no governo Temer.

O principal cargo comandado pelo PTN no governo é a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa

PPS rachado

A bancada do partido defendeu a renúncia de Michel Temer durante esta quinta-feira.

Depois que o presidente Michel Temer disse que não renunciaria à Presidência da República em pronunciamento feito durante a tarde, o ministro da Cultura, Roberto Freire, entregou sua carta de demissão ao presidente.

O ministro da Defesa, Raul Jungman, chegou a anunciar rompimento com o Governo Federal, mas voltou atrás e decidiu permanecer no cargo.

PSB pretende entregar cargos

O presidente do PSB (Partido Socialista Brasileiro), Carlos Siqueira, pediu na manhã desta quinta-feira (18), em nota, que o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, entregue o cargo e volte a exercer o mandato de deputado federal pelo partido.

Carlos Siqueira fez o anúncio antes mesmo do PTN, que rompeu em conjunto.

Segundo o presidente do PSB, até o momento um dos partidos da base aliada do governo, a sigla não pode “admitir” que um de seus membros faça parte de um governo “antipopular que perdeu, por inteiro, sua legitimidade para governar o Brasil”.

Siqueira ressalta, porém, que a indicação de Coelho Filho para o ministério “jamais” foi feita pela direção nacional da sigla.

Outros partidos

Membros do Democratas (DEM) dizem que a situação da sigla é “delicada” pelo fato de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ser o primeiro na linha sucessória e assumir a Presidência caso Temer seja afastado. Qualquer movimento poderia ser interpretado como oportunismo, segundo matéria do A Tarde.

Eles admitem, no entanto, que se tudo que já foi divulgado contra o presidente ficar confirmado, a situação ficará “insustentável”. Também afirmam que, se os ministros do PSDB realmente entregarem os cargos, isso terá influência sobre os demais partidos da base.

PTB e PP também afirmaram que vão esperar os novos desdobramentos para decidir se permanecem na base aliada. “Eu não acho nada, preciso ver o vídeo”, afirmou o líder do PTB na Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL).

No PR, o presidente nacional do partido, o ex-senador Antonio Carlos Rodrigues, defendeu a entrega imediata do Ministério dos Transportes. O titular da pasta, porém, o deputado licenciado Maurício Quintella (AL), foi contra. “O que se tem até o momento são especulações de uma delação. Vamos aguardar os fatos”, afirmou.

Presidente do Solidariedade, o deputado Paulinho da Força (SP) afirmou que o partido ainda não tomou uma decisão, mas admite que a situação é grave. Para ele, a “saída mais honrosa” seria o Tribunal Superior Eleitoral cassar o mandato de Temer.

Já o presidente do PV, José Luiz Penna, lamentou a situação, mas disse que ainda teria uma conversa com o ministro do Meio Ambiente, Zequinha Sarney, para decidir se o partido iria deixar a pasta.

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