Análise preliminar da FAB não aponta ‘anormalidade’ no avião que caiu em Paraty

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Nas gravações registradas durante o voo, o piloto do avião que caiu matando o ministro do STF, Teori Zavascki, disse que esperaria a chuva passar para pousar.

Informação – Por Rafael Bruza

Destroços do avião que caiu em Paraty (RJ) matando o ministro do STF, Teori Zavascki e mais 4 pessoas / Foto – Reprodução

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta terça-feira (24) que uma análise preliminar dos dados extraídos do gravador de voz da aeronave que caiu em Paraty matando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, não apontou “qualquer anormalidade” nos sistemas do avião.

“O chip de memória do gravador de voz da cabine do avião está sendo avaliado por uma equipe do laboratório de leitura e análise de dados de gravadores de voo (Labdata) do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Em uma análise preliminar, os dados extraídos não apontam qualquer anormalidade nos sistemas da aeronave”, informou nota divulgada pela Aeronáutica.

Nesta segunda-feira, a FAB informou que os últimos 30 minutos de gravação de voz do voo que levava o ministro do STF Teori Zavascki estão preservados.

Horas antes, o Cenipa havia informado que o gravador estava danificado por conta da água.

Por ora, a única informação sobre o conteúdo das gravações foi divulgada por veículos do Grupo Globo. Segundo o programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, o piloto do voo, Osmar Rodrigues, diz durante a gravação que iria esperar a chuva passar para fazer o pouso.

A gravação se interrompe em seguida, ainda segundo o programa global.

O aeroporto de Paraty onde a aeronave pousaria não possui torre de controle. O gravador recuperado dos destroços registrou conversas do piloto Osmar Rodrigues com outros pilotos que voavam pela região.

O aparelho chamado Cockpit Voice Recorder (CVR) registra os últimos 30 minutos do voo e foi levado para o Laboratório de Análise e Leitura de Dados de Gravadores de Voo (Labdata), do centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Técnicos da Aeronáutica tentarão fazer uma reconstituição dos momentos finais do voo em que estava Teori e as outras vítimas, em busca de explicações sobre a causa do acidente.

A hipótese de que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki foi assassinado através de sabotagem do avião foi levantada por jornalistas como Elio Gaspari, Carlos Heitor Cony e Políbio Braga.

O piloto

O piloto Osmar Rodrigues era segundo diretor de hangar no Campo de Marte.

Em 2016, foi palestrante em um fórum para pilotos de aviação executiva, realizado no Campo de Marte.

Fernando Guimarães, dono do Hangar Tag, disse que Osmar Rodrigues, conhecido pelos amigos como Mazinho, foi escolhido palestrante por ser o mais experiente para falar sobre os desafios de um voo para Paraty.

“Nós fizemos um fórum aqui no Campo de Marte, reunimos todos os pilotos e ele foi o palestrante. E falamos assim: Mazinho, você é o mais experiente. Você é o que vai pra Paraty há mais de 20 anos. Qual o segredo? Que que você pode nos ensinar pra não acontecer um acidente?”, relatou Guimarães em entrevista ao repórter José Roberto Bournier, do Grupo Globo.

“Ele falou pra gente foi isso: ‘o segredo é vocês não abusarem, saibam dizer não pro patrão de vocês, a visibilidade tá ruim arremeta, não vá, se tem chuva, desvie…’”, complementou Fernando Guimarães citando o piloto, que faleceu na queda do avião junto com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, e mais quatro pessoas: o empresário Carlos Alberto Filgueiras, dono do Hotel Emiliano, a massoterapeuta Maira Lidiane Panas Helatczuk, de 23 anos, e a mãe dela, Maria Ilda Panas, de 55 anos.

Sigilo

Nesta segunda-feira (23), a Justiça Federal de Angra dos Reis (RJ) determinou que a Aeronáutica compartilhe as gravações e os dados sobre o acidente aéreo com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Estes dois órgãos também instauraram inquéritos para investigar a queda do avião.

Mais cedo, nesta segunda, o juiz Raffaele Felice Pirro, da 1ª Vara Federal de Angra, decretou o sigilo dessas investigações.

A Justiça utiliza este sigilo para preservar provas ou evitar que a investigação seja prejudicada de alguma forma.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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