Áudios de imitador: André Marinho nega crime eleitoral e envolvimento da equipe de Bolsonaro

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Após afirmar que enviou “milhares de áudios” a eleitores imitando o então candidato do PSL, o filho do suplente de Flavio Bolsonaro declarou que “não existe crime sem lei anterior que o defina”.

Por Rafael Bruza

André Marinho, filho do empresário Paulo Marinho – suplente de Flávio Bolsonaro no Senado – disse Folha de S. Paulo nesta terça-feira (28) que não cometeu crime eleitoral ao enviar áudios de Whatsapp a eleitores fingindo ser Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral. Em resposta à repercussão negativa, Marinho também afirma que “um bando de despeitados” de “blogs de extrema-esquerda” procuram “explorar” esse episódio, classificado por ele como “irrelevante e insignificante” – veja a resposta na íntegra, ao final.

“Primeiramente, é necessário deixar claro que os pedidos de áudio ao qual me referi em entrevista ao MBL foram advindos de amigos e não da estrutura de campanha do então candidato Jair Bolsonaro”, afirma André Marinho. “Esclareço que, apesar do tom leviano empregado na entrevista que cedi, não cometi, em momento algum, crime eleitoral com minhas imitações”.

Contexto

Em um programa do Movimento Brasil Livre (MBL) publicado no Youtube na semana passada, André Marinho apresenta sua habilidade em imitar Jair Bolsonaro e conta em clima descontraído que gravou “milhares” de áudios de Whatsapp imitando o então candidato, ao longo da campanha de primeiro e segundo turno – quando o núcleo do PSL se reunia na mansão de seu pai, Paulo Marinho, para produzir materiais de campanha.

“Teve um dia que eu mostrei minhas imitações ao Flávio (Bolsonaro). E a equipe ficava até encomendando áudios”, relata André Marinho. “Eu mandei milhares de áudios, não estou brincando”.

André Marinho também comenta que mandou um áudio destes a “garimpeiros da Serra Pelada” (PA),  que pensaram ter recebido uma mensagem do candidato.

“Vieram uns 150 áudios de garimpeiros depois dizendo ‘finalmente temos um presidente que respeita a gente!’”, relata André Marinho, ainda brincando com os políticos do MBL, durante a entrevista. “Eu devo ter virado uns 50 mil votos nesse reduto petista”.

Marinho nega crime e aponta manipulação

O Independente procurou André Marinho antes de noticiar o caso, mas não obteve resposta. Ele fez declarações apenas ao jornal Folha de S. Paulo dizendo que os áudios enviados não tinham “fins eleitoreiros”.

“(As imitações) só atendiam pedidos de um amigo que tomou a iniciativa de enviá-lo para seu destinatário final”, afirma. “O fato de agentes de esquerda tentarem subverter essa liberdade (de fazer imitações) com a finalidade de atacar um presidente só demonstra a baixeza com a qual estão dispostos a ir. Inclusive alegando que poderia ser crime eleitoral, não existe crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal, é simplesmente arte dessa pirotecnia para deslegitimar a vontade de milhões de brasileiros que votaram no presidente eleito Bolsonaro”.

Marinho ainda acusa a Mídia Ninja de ter manipulado o vídeo que o coletivo divulgou nas redes sociais.

“Existe uma vontade nesses blogs de extrema-esquerda, que muitas vezes acaba ressonando grandes mídias como a Folha, de deslegitimar a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro. Motivação essa que levou o portal Mídia Ninja ao cúmulo de alterar o vídeo publicado pelo MBL na intenção de construir uma narrativa falaciosa e conspiratória que nunca existiu”.

Por fim, ele classifica o caso como “irrelevante e insignificante”.

“Diante dos fatos esclarecidos, esse episódio é, acima de tudo, irrelevante e insignificante, que está sendo explorado e deformado por um bando de despeitados que perderam as eleições e ainda estão de cabeça inchada”, conclui.

Opinião de especialista

Procurado pela Folha de S. Paulo, o professor de direito, Diogo Rais, disse que a legislação eleitoral não trata especificamente sobre a “ação de imitar a voz de um candidato no Whatsapp visando amealhar votos”.

Ele explica que o artigo 57-B da Lei Eleitoral chega a proibir que uma pessoa se passe por outra para produzir conteúdo de cunha eleitoral – o que pode gerar multa de até R$ 30 mil. Trata-se do parágrafo, 2º, que diz: “não é admitida a veiculação de conteúdos de cunho eleitoral mediante cadastro de usuário de aplicação de internet com a intenção de falsear identidade”.

Mas Rais afirma que o caso depende de interpretação, pois o artigo foi pensado para evitar perfis falsos e uso de robôs nas redes sociais.

Veja a íntegra da resposta de Marinho

Primeiramente, é necessário deixar claro que os pedidos de áudio ao qual me referi em entrevista ao MBL foram advindos de amigos e não da estrutura de campanha do então candidato Jair Bolsonaro”, afirma André Marinho. “Esclareço que, apesar do tom leviano empregado na entrevista que cedi, não cometi, em momento algum, crime eleitoral com minhas imitações.

Existe uma vontade nesses blogs de extrema-esquerda, que muitas vezes acaba ressonando grandes mídias como a Folha, de deslegitimar a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro. Motivação essa que levou o portal Mídia Ninja ao cúmulo de alterar o vídeo publicado pelo MBL na intenção de construir uma narrativa falaciosa e conspiratória que nunca existiu.

Esclareço que, apesar do tom leviano empregado na entrevista que cedi, não cometi, em momento algum, crime eleitoral com minhas imitações

Vale destacar que este áudio foi feito sem nenhum fim eleitoreiro, só atendia pedidos de um amigo que tomou a iniciativa de enviá-lo para seu destinatário final. Sou imitador desde os oito anos de idade e – todos os dias – incontáveis pessoas me pedem para imitar algum famoso quando, em tom jocoso de brincadeira, sempre que posso, atendo esses pedidos, afinal, a paródia é parte da liberdade de expressão.

O fato de agentes de esquerda tentarem subverter essa liberdade (de fazer imitações) com a finalidade de atacar um presidente só demonstra a baixeza com a qual estão dispostos a ir. Inclusive alegando que poderia ser crime eleitoral, não existe crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal, é simplesmente arte dessa pirotecnia para deslegitimar a vontade de milhões de brasileiros que votaram no presidente eleito Bolsonaro.

Diante dos fatos esclarecidos, esse episódio é, acima de tudo, irrelevante e insignificante, que está sendo explorado e deformado por um bando de despeitados que perderam as eleições e ainda estão de cabeça inchada.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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