“Bolsonaro é o voto que revela maior racionalidade”, diz Janaina Paschoal

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No Twitter, a advogada disse que pretendia explicar por que parte da população apoia Bolsonaro e sustenta que as mensagens não são uma declaração de voto a favor do presidenciável.

Por Rafael Bruza

A advogada Janaína Paschoal durante uma das maniefstações a favor do Impeachment de Dilma Rousseff, feita no Largo São Francisco (SP) / Foto – Reprodução

Nesta terça-feira (28), a advogada Janaína Paschoal declarou em seu perfil no Twitter que, “dadas as opções e a realidade posta”, o voto no pré-candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSC-RJ) é o que “revela maior racionalidade no momento.

O tuíte teve mais de 500 respostas, 1,8 mil retweets e quase 6 mil curtidas até às 12h desta quarta-feira (29).

Em outras mensagens publicadas no Twitter, a advogada sustenta que a criminalidade é o principal problema do país e declara que Bolsonaro é o único presidenciável “que parece ser sensível” a esta situação.

“Óbvio que o Brasil é um país cheio de problemas na saúde, na educação, no saneamento básico. No entanto, hoje, seu principal problema é o crime, em todas as suas faces. O enfrentamento do crime passa por melhoras sociais? Claro! Mas as melhoras sociais não são suficientes!”, afirma a advogada. “Concorde-se ou não com sua pauta e/ou com seu estilo, o único presidenciável que parece ser sensível para o maior problema da população é Bolsonaro. E as pessoas sabem que o discurso dele não é fake, pois, nessa seara, ele fala o que sempre falou”.

Ela afirma que as propostas de Bolsonaro não são perfeitas, mas mantém a opinião sobre as propostas do pré-candidato.

“Com isso não estou dizendo que as propostas de Bolsonaro para a segurança pública sejam perfeitas, mas ele é o único que tem coragem de tocar nesse ponto sensível. Os outros parecem viver em outro país, chega a ser cômico”, declara. “Ademais, em suas manifestações, ainda que não seja da área jurídica, Bolsonaro parece perceber que a violência está diretamente relacionada à corrupção. Salvo melhor juízo, ele não mostrou condescendência relativamente a nenhum dos evolvidos nos últimos escândalos”.

A advogada, que recebeu R$ 45 mil do PSDB pelo parecer que virou o pedido de Impeachment da então presidente da República, Dilma Rousseff, declarou na sequênci que os tuítes não expressam uma declaração de voto a favor de Jair Bolsonaro.

Diante da repercussão das mensagens, ela fez outro tuíte comentando suas declarações.

“Amados, entendam, não manifestei apoio a Bolsonaro. Só estou explicando por qual razão a população está manifestando apoio a ele. Certo ou errado, ele está abordando o tema que mais preocupa: a insegurança. Só isso!”, declarou.

Outra opinião

A ONG Conectas de Direitos Humanos publicou em fevereiro de 2014 um artigo que rebate cinco declarações e posições de Jair BolsonaroAlgumas destes questionamentos tratam sobre políticas de segurança pública.

“Bolsonaro diz que prendemos pouco. As cadeias estão cada vez mais cheias. Em 20 anos, o número de pessoas presas no Brasil cresceu 380%, enquanto o crescimento vegetativo da população no mesmo período foi de 30%. Dá para dizer que a segurança no País melhorou 380% em 20 anos? Só em São Paulo, 80 pessoas vão para a cadeia todo dia, de acordo com a Pastoral Carcerária. Nunca se prendeu tanto. Isso mostra que a obsessão de Bolsonaro pelo direito penal pode parecer mágica e até servir para quem deseja ganhar dinheiro construindo presídios, mas não está ajudando, por si só, a construir uma sociedade mais segura e para evitar as mortes, como ele diz”, diz o artigo, que também critica a proposta de redução da maioridade penal.

“Bolsonaro diz que prender jovens e crianças reduz a criminalidade. O que ele não diz é que já existem leis para aqueles que cometem atos infracionais. Apenas 0,6% dos jovens internados na Fundação Casa cometeram homicídios. Para estes, já existem instituições onde a privação de liberdade é aplicada. Além disso, Bolsonaro não diz que esses jovens irão crescer e que, segundo a Unicef, no sistema prisional adulto, de cada 10 presos, 6 voltam a cometer crimes. Segundo a ONU, o Estado brasileiro funciona como aliciador de membros para as facções criminosas, ao promover o encarceramento em massa. A proposta de Bolsonaro engrossa esse coro, priva crianças e jovens do direito à reeducação e faz apenas com que pessoas ingressem cada vez mais cedo num ambiente que é, por natureza, inadequado para quem está ainda numa fase de formação”, diz o texto.

A ONG também questiona a ideia de que “bandido bom é bandido morto”, defendida por Jair Bolsonaro e por 57% da população, segundo um estudo do instituto Datafolha (Grupo Folha) publicado em 2016.

“A pena de morte obedece mais a um anseio de vingança do que de Justiça e nenhum país do mundo onde a execução de presos é legalizada consegue provar que isso melhore a segurança. Os EUA aplicam a pena capital e, ao mesmo tempo, é o país que tem a maior população carcerária do mundo. No Brasil, onde os jornais mostram casos e casos de pessoas presas por engano, onde os presos não têm acesso a defensores públicos, nem têm dinheiro para pagar advogados e onde o Estado falha seguidamente em quase todas as suas atribuições cruciais, dá para acreditar que algo tão definitivo quanto uma sentença de morte seria, de fato, algo associado à Justiça? Além disso, diante do perfil dos presos do País, sabemos que só seriam alvo da pena capital os pobres, negros e pardos”, diz o texto.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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