Boulos: ‘direita e centro-direita estão mais divididos que o campo progressista’

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Em entrevista exclusiva ao Independente, Guilherme Boulos comentou a situação eleitoral da esquerda e disse  que o povo brasileiro “não vai colocar dois Temer’s no segundo turno”.

Por André Henrique e Rafael Bruza

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, que também lidera o Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), declarou na última sexta-feira (15), que não acredita na possibilidade de a esquerda ficar fora do segundo turno nas eleições presidenciais de outubro. Ele concedeu entrevista exclusiva ao Independente, em Campinas (SP), na última sexta-feira (15) – veja a íntegra acima.

“São as eleições mais imprevisíveis dos últimos 30 anos, é difícil fechar qualquer possibilidade. Mas a direita e a centro-direita estão mais divididas que o campo progressista. Há uma série de candidaturas no campo da direita e centro-direita”, afirma. “Todas estas candidaturas representam, de um modo ou outro, Temer. O projeto de Temer para o Brasil, rechaçado por 96% da população. Algumas candidaturas são Temer disfarçadas, outras são Temer assumidas e escancaradas. Eu não acredito que o povo brasileiro vai botar dois Temer’s no segundo turno”.

Questionado sobre declarações de Manuela D’Ávila e Flavio Dino, do PCdoB, que propuseram, respectivamente, a união de PT, PSOL, PCdoB e PDT em torno de uma candidatura única e o apoio a Ciro Gomes (PDT), Boulos declarou que a unidade da esquerda deve existir “em torno de princípios e bandeiras fundamentais”, mas ressaltou que sua candidatura “não existe em função de outra”.

“Há os pontos de unidade, nós temos que valorizar essa convergência e sentar numa mesma mesa, mas os pontos de diversidade e diferença. É importante que seja assim. É importante que não haja pensamento único na esquerda. Nossa candidatura à Presidência da República não existe em função de outra. Existe em função de um projeto para o Brasil. Um projeto de futuro e de enfrentamento de privilégios”, declarou o pré-candidato.

O pré-candidato do PSOL aponta que seu nome foi lançado em uma aliança entre coletivos, movimentos sociais e outros grupos da plataforma Vamos! – criada em 2017.

“Nós construímos uma aliança entre o PSOL, PCB, MTST, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil com a Sonia Guajajara (candidata à vice-presidente), que é minha companheira de chapa, a Mídia Ninja, setores de movimento de juventude, movimento negro, feminista, LGBT, artistas, intelectuais…” afirma. “São os grupos que construíram a plataforma Vamos no ano passado e que veem uma perspectiva de reorganizar a esquerda brasileira”.

Ele aponta “três eixos indispensáveis” de sua candidatura. Declarou que irá convocar um plebiscito para “revogar as medidas de Michel Temer”, como primeira medida de governo. Também afirmou que enfrentará “de verdade” a desigualdade social e os privilégios no Brasil. E, por último, declarou que tratará a situação da “democracia”, governando “com a maioria da sociedade brasileira”, através de plebiscitos e participação.

Na entrevista concedida ao Independente, Boulos também apresentou propostas para a área de segurança pública e comentou como o Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) financia suas atividades.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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