Caminhoneiros ignoram Governo e entidades: paralisações continuam no 8º dia

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Lideranças de caminhoneiros têm posições diferentes sobre fim de greve, enquanto bloqueios seguem em diversas localidades.

Por Rafael Bruza

Paralisação na Replan dificulta que funcionários trabalhem nesta segunda-feira (28) / Foto – EPTV (TV Globo)

Caminhoneiros mantêm protestos e bloqueios nesta segunda-feira (28), a despeito do anúncio de medidas, feito pelo Governo Temer, e do pedido de fim de paralisações, realizadas por entidades como a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM).

O Governo Federal esperava encerrar as paralisações de caminhoneiros neste domingo (27), anunciando medidas como a redução do preço do diesel em 0,46 centavo por litro por 60 dias e a isenção de pagamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios.

Mas entidades do setor tiveram posições diferentes sobre as medidas e vários protestos e bloqueios foram mantidos nesta segunda-feira (28).

O o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) disse não haver previsão de quando a greve dos caminhoneiros irá acabar porque não há uma liderança única do movimento.

“São vários líderes. Ouvimos vários desses líderes e, do que ouvimos, elaboramos essa pauta que nós entendemos que atende aos pleitos dos caminheiros e fomos ao máximo do que o governo poderia ceder”, disse.

Divergências nas lideranças

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) pediu em seu Facebook para grevistas voltarem “felizes e satisfeitos para o trabalho” após o anúncio.

“Conseguimos parar este país e sermos reconhecidos pela sociedade brasileira e pelo Governo”, afirma em nota, divulgada no Facebook. “Nossa manifestação foi única, como nunca ocorreu na história. Seremos lembrados como aqueles que não cederam diante das negativas do Governo e da pressão dos empresários do setor”.

A entidade afirmou que vem trabalhando para que a informação do acordo chegue a toda a categoria, mas não garantiu que protestos acabarão.

“Vale lembrar que ainda que a entidade se manifeste pelo fim das paralisações, nem todos os manifestantes seguem o mesmo entendimento. Mas acreditamos que até o fim da tarde de hoje a quantidade de caminhões parados tenha sido reduzida de forma significativa”.

A despeito desta posição, centenas de internautas criticaram a ABCAM na nota, divulgada pelas redes sociais.

“Seus vendidos representam apenas seus próprios interesses”, afirma um dos diversos comentários críticos no post.

Greve segue para outros

Outras entidades e lideranças, como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e o Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros Autônomos, não tratam a paralisação como encerrada. Certos representantes ainda afirmam que nem todas as reivindicações foram atendidas. Ainda há protestos pelo país (veja abaixo).

Cláudio Ferreira, assessor da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens) informou que a entidade vai se reunir com o governador de São Paulo, Marcio França, às 17h junto com cerca de 20 representantes dos demais sindicatos do estado “para ver se antecipa o término do protesto ao menos em São Paulo”.

Ele ainda destacou que “quem está mantendo a greve não é a Federação, e sim os caminhoneiros”.

“A CNTA e a Sindicam/SP já disponibilizaram por WhatsApp e Facebook e está comunicando os caminhoneiros as propostas que foram incluídas no acordo. 90% delas já haviam sido feitas na primeira reunião com a CNTA. E os sindicatos estão levando até os pontos de paralização essas propostas. A decisão é de quem está parado.”

Em conversa com o G1, o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva, o China, disse que muitos caminhoneiros não sabem o que está acontecendo (sobre comunicado de acordo com o Governo).

“Continuam parados por falta de comunicação. Mas agora não tem como prosseguir a greve. Vão prorrogar o aumento para 60 dias, o que já é uma grande vantagem. Agora precisa bater com o governo outras metas”, afirmou China, sem citar outras reivindicações.

“O ponto principal era o aumento do óleo diesel. Agora o governo já fez o pronunciamento e cabe às entidades fazerem a comunicação. Não tem como continuar”, informou China, que por volta das 7h30 disse que iniciaria a comunicação com os sete grupos de WhatsApp que faz parte. Cada grupo conta com cerca de 200 caminhoneiros.

Paralisações continuam

Em SP (“leia aqui sobre outras localidades”), quase todos os postos da capital estão sem combustível. Apenas caminhões escoltados pela polícia conseguem transportar combustível – passando por bloqueios de caminhoneiros, onde têm que provar que a carga é dirigida a serviços essenciais (hospitais, por exemplo), como ocorreu em Paulínia (SP), na Replan – maior refinaria da Petrobrás no país.

Foram pelo menos sete interferências para checar as notas da procedência de cargas dos veículos, segundo reportagem do G1. Após a checagem das notas, o caminhão é liberado pelos manifestantes para seguir viagem.

Além da greve dos caminhoneiros, a Replan teve nesta segunda um protesto por parte dos funcionários da refinaria. A refinaria informou que está em operação e que as distribuidoras – para onde vai o combustível que sai da refinaria – estão “gradativamente retomando o abastecimento.”

Petroleiros em greve

As paralisações de funcionários do setor petrolífero podem complicar ainda mais o abastecimento de combustível nos próximos dias.

Nesta segunda-feira (28), petroleiros fizeram manifestações em diversas cidades do país. As paralisações começam oficialmente na quarta-feira (30) e terão duração de 72h, caso o Governo aceite as reivindicações estabelecidas – que são: redução dos preços dos combustíveis, manutenção dos empregos, retomada da produção das refinarias, fim das importações de derivados de petróleo, não às privatizações e ao desmonte da Petrobrás e a demissão de Pedro Parente da presidência da empresa.

Caso contrário, os grevistas prometem ficar paralisados por tempo indeterminado.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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