Caminhoneiros rejeitam acordo com Governo e mantém greve pelo 5º dia

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Duas entidades rejeitaram a proposta de suspensão por 15 dias e mantiveram a greve junto com outros grupos, que continuam fazendo manifestações por todo Brasil.

Por Rafael Bruza

Caminhoneiros protestam contra elevação no preço do diesel na rodovia BR-040, em Duque de Caxias / Foto (Fernando Frazão/Agência Brasil)

O Governo Temer anunciou na noite de quinta-feira (24) um acordo que supostamente suspenderia as manifestações e greve de caminhoneiros pelos próximos 15 dias. Mas duas entidades rejeitaram as propostas e decidiram manter a greve junto com outros caminhoneiros, incentivando os demais grevistas e simpatizantes a manter as paralisações nesta sexta-feira (25).

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), uma das dez entidades presentes na reunião, defendia a isenção do PIS / Cofins sobre o óleo diesel como bandeira central. Insatisfeita pela impossibilidade de concretizar a medida esta semana, saiu antes do fim da reunião por discordância e incentivou grevistas a manterem as paralisações, em vídeo publicado nas redes sociais.

“Algumas pessoas presentes deram apoio e um voto de confiança ao Governo de aguardar 90 dias (para estudos de medidas). A Abcam, como tem um compromisso sério com vocês, não aceitou isto e se retirou da reunião”, afirma o presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes. “Por isso, peço para vocês pensarem muito bem. Se acharem que o movimento deve continuar, nós vamos continuar. É isto que precisa ser feito porque infelizmente metade do que o Governo fala, ele não cumpre, e a outra metade fica engavetada”.

A União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) também rejeitou a proposta do Governo, assinada por outras entidades representativas, como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (FETRABENS).

“Nós estávamos lá, na Casa Civil (do Governo), e nem fomos ouvidos. Enquanto o Governo não pegar nós da categoria, que estamos aqui, no meio da estrada, nós não vamos liberar a estrada. O Governo quer um voto de confiança, vocês vão dar este voto?” questiona um dos representantes dos caminhoneiros, gerando gritos de “não”, como resposta.

O acordo falho

O acordo para “trégua” incluía a promessa do governo de atender 12 reivindicações dos caminhoneiros, mas deixava de fora a principal demanda dos trabalhadores: a isenção do PIS / Cofins sobre o óleo diesel – defendida como pauta central pela Abcam.

O acordo foi assinado por algumas entidades representativas, como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA). Outros grupos, como a Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam) e a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) rejeitaram a proposta. A CNTA disse que levaria a proposta aos motoristas, para apreciação.

Caminhoneiros afirmam que a única medida realizada pelo Governo foi a redução no preço do diesel anunciada pela Petrobras nos próximos 30 dias (a companhia petroleira já tinha prometido 15 dias de redução)

Além da isenção de PIS e Cofins, os caminhoneiros que são contra o acordo também querem esperar até terça-feira, quando o Senado pode votar um projeto de lei que cria um valor mínimo para o frete (diferente da tabela de referência oferecida pelo governo).

Manifestações

Pelo 5º dia seguido, caminhoneiros fazem manifestações em 25 estados e no Distrito Federal. Os atos desta sexta-feira (25) dão continuidade à mobilização contra a disparada do preço do diesel, que faz parte da política de preços da Petrobras em vigor desde julho de 2017.

BBC: Principal reivindicação ainda é dúvida e depende do Senado

O presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (MDB), tinha planejado ontem um dia de “agendas positivas” em seu Estado de origem, o Ceará. No começo da manhã, pegou um voo de Brasília para Fortaleza. Lá, se encontraria com o governador do Estado, Camilo Santana (PT) e o ministro Alberto Beltrame (Desenvolvimento Social), e anunciaria a liberação de dinheiro federal para a construção de cisternas.

Mal pousou na capital cearense, o emedebista se irritou ao conhecer os detalhes da votação ocorrida na madrugada de quarta para quinta-feira, na Câmara dos Deputados: numa rebelião contra o governo do presidente Michel Temer, os deputados aprovaram em votação simbólica (quando há consenso entre todos os partidos) a isenção de PIS e Cofins sobre o óleo diesel.

Era uma tentativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de baixar o preço do combustível e debelar a greve dos caminhoneiros, que teve na quinta-feira o seu 4º dia. Maia é pré-candidato pelo DEM à Presidência da República. A isenção do PIS e do Cofins é a principal reivindicação da maioria dos grevistas.

“Essa votação (da Câmara) não estava prevista e não foi combinada com ele (Eunício). E detalhe: com um erro de cálculo de R$ 10 bilhões”, disse uma pessoa próxima a Eunício, sob condição de anonimato. Na hora do almoço, o presidente do Senado já estava voando de volta para Brasília – ele disse não ter saído nem do aeroporto em Fortaleza.

O emedebista tinha também suavizado o discurso: de manhã, Eunício disse a jornalistas que era “impossível” votar a isenção de impostos para o diesel nos próximos dias – no meio da tarde, disse que vai retomar as negociações para tentar aplacar a greve.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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