A pedido do PSL, imitador fingiu ser Bolsonaro em áudios enviados a eleitores

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Eleitores receberam imitações de André Marinho como se fossem mensagens de Bolsonaro: a prática enganou garimpeiros do Pará, segundo relatou o próprio André Marinho, em tom de piada, durante entrevista ao MBL.

Por Rafael Bruza

O presidente do braço jovem do Lide, André Marinho, admitiu ter feito imitações de Jair Bolsonaro em “milhares” de áudios de Whatsapp enviados a eleitores, durante a campanha eleitoral deste ano, a pedido da “equipe” do PSL e outros indivíduos. Nos áudios, Marinho mandou mensagens de apoio a simpatizantes e conseguiu votos ao presidente eleito, segundo relatou em entrevista a políticos do Movimento Brasil Livre (MBL), transmitida na semana passada, no Youtube (assista acima o vídeo com o trecho principal).

André Marinho é filho de Paulo Marinho, empresário que foi eleito suplente de senador no mandato de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e que ajudou a campanha do presidente eleito.

Antes das votações de primeiro e segundo turno, o núcleo duro do PSL se reunia na mansão do empresário – localizada no bairro carioca do Jardim Botânico (RJ) – para gravar programas eleitorais e outros materiais de campanha.

Lá, correligionários do presidente eleito conviveram com André Marinho, que apresentou suas imitações de Bolsonaro – feitas, até então, como piada.

“Teve um dia que eu mostrei minhas imitações ao Flávio (Bolsonaro). E a equipe ficava até encomendando áudios”, relata André. “Eu mandei milhares de áudios, não estou brincando”.

Marinho admite na entrevista que “correu risco” de cometer crime eleitoral ao gravar e enviar os áudios.

“Eu não sei se é crime eleitoral ou não, mas eu estava correndo esse risco”, diz em tom de brincadeira, durante a entrevista concedida a Kim Kataguiri – eleito deputado federal pelo DEM de SP – e Arthur MamãeFalei – eleito deputado estadual de São Paulo, também pelo DEM.

Casos concretos

Ainda na entrevista, André Marinho cita um áudio enviado a “garimpeiros da Serra Pelada”, (localizada no sudeste do Pará), em que finge ser Jair Bolsonaro para conseguir votos ao PSL.

“O mais emblemático para mim foi um dia que um amigo em comum pediu para eu fazer um áudio para os garimpeiros da Serra Pelada, que é um reduto petista. Eu mandei falando com a voz de depois do atentado: ‘olá doutor Rubinho, aqui é Jair Bolsonaro, estamos aqui agradecendo pelas orações, consideração e carinho; e dizer que conto com vocês para o que der e vier; vocês sabem o que terão em mim, um defensor implacável de agora em diante, tá ok?’”, conta Marinho, imitando a voz de Bolsonaro.

Na sequência, ele relata que os garimpeiros se entusiasmaram com o áudio, imaginando que se tratava do então candidato do PSL.

“Vieram uns 150 áudios de garimpeiros depois dizendo ‘finalmente temos um presidente que respeita a gente!’”, relata André Marinho, ainda brincando com os políticos do MBL, durante a entrevista. “Eu devo ter virado uns 50 mil votos nesse reduto petista”.

Crime eleitoral?

Procurado pelo Independente, o advogado eleitoral, Fernando Neisser, afirma que a conduta de elaborar áudios passando-se por um candidato e encaminhar o material com intuito de enganar eleitores “constitui um ilícito eleitoral”.

“(A prática) cria artificialmente uma situação que não é verdadeira para o eleitorado. Isso, em si, é ilegal. Além disso, pode constituir um crime eleitoral de falsidade ideológica para fins eleitorais. Há uma falsidade e ela tem uma finalidade eleitoral clara e óbvia”, argumenta.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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