Candidatura de Geraldo Alckmin corre risco de ser esvaziada e isolada

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Por André Henrique

Lançamento da pré-candidatura de Henrique Meirelles gera mais dor de cabeça em Geraldo Alckmin, sua pré-candidatura corre o risco de ser esvaziada e isolada. 

O lançamento da pré-candidatura de Henrique Meirelles à presidência pelo MDB bagunça ainda mais a centro-direita e ameaça a candidatura de Geraldo Alckmin.

A pesquisa CNT/MDA em 15 de maio apresentou, em cenário com Lula, queda do tucano de 10% para 04%, em relação ao levantamento anterior. Sem Lula, Alckmin se mantém em baixa, com 5,3%, seguido de Álvaro Dias, com 03%.

Para chegar ao segundo turno Geraldo Alckmin precisa construir um  arco de alianças ao centro para turbinar o tempo de TV e ganhar penetração nos estados, sobretudo do Norte e Nordeste.

Sem o MDB, partido com mais capilaridade nos municípios do país, fica impossível para o peessedebista concretizar essas estruturas. Por outro lado, contar com o partido do governo mais impopular da história poderia trazer rejeição à candidatura de Alckmin. Trata-se de uma sinuca de bico.

É cada vez menos provável uma composição PSDB-MDB no primeiro turno. Tendo a máquina, qual o sentido em Michel Temer abrir mão de uma candidatura governista para apoiar um candidato de outro partido que tem menos de 05% nas pesquisas? Com a máquina, Temer pode atrair governadores e prefeitos até mesmo do PSDB e esvaziar ainda mais a candidatura de Geraldo Alckmin, turbinando a de Henrique Meirelles. De lambuja, ele ainda terá um candidato a defender o seu legado, evitando virar a Geni da eleição como foi José Sarney em 1989.

O desempenho fraco de Geraldo Alckmin nas pesquisas ressuscitou o projeto “João Dória presidente”. Fala-se que nas internas do PSDB tem quem defenda a substituição. É um jeito de empurrar a fórceps o nome do tucano nas próximas pesquisas, para ver o que dá. Se ele surgisse muito à frente nos levantamentos, poderia causar uma onda no PSDB e no centro por sua candidatura. Mas este cenário é improvável.

As condições do ex-prefeito também não são boas. Ele saiu da prefeitura com 47% de ruim e péssimo e 66% da população rejeita a decisão do “gestor” de abandonar a prefeitura para disputar o governo do estado. Dória é um dos que poderá extraoficialmente trabalhar por Meirelles, traindo Alckmin. Assim como já é dado para muitos que, para governador de SP, Alckmin extraoficialmente ajudará Márcio França, alijando João Dória.

A bagunça na centro-direita é reflexo do fracasso do governo Michel Temer tanto no comando da economia quanto politicamente. Temer resistiu às denúncias de Rodrigo Janot, valendo-se de pactos no Congresso, mas o custo político foi alto. O presidente perdeu poder de barganha no Congresso, não aprovou a reforma da previdência (esperada pelo mercado) e se desgastou perante a opinião pública. Xeque-mate.

Geraldo Alckmin por enquanto “joga parado”, à espera de boas notícias, como a da desistência de Joaquim Barbosa, mas as notícias de agora não são animadoras para o tucano. Parte do centrão ameaça fechar com Ciro Gomes. A candidatura Henrique Meirelles ganhou fôlego e poderá atrair outros partidos de centro e o mercado. Meirelles é rico e investirá do bolso em sua campanha. Sem aliados, sem máquina e sem dinheiro, o quê fará Alckmin?

A verdade é uma só: o momento é terrível para a candidatura de Geraldo Alckmin. O governador terá de agir para reverter, apenas contar com as obras do acaso será fatal.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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