Celso Amorim: ‘acordo com o PSB exigiu sacrifícios ao PT que talvez possa lamentar’

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(Assista) O ex-ministro também declarou que o trato “foi feito de maneira decente” e “totalmente correta”.

Por Bruna Pannunzio e Rafael Bruza

Nesta terça-feira (07), o ex-ministro das Relações Exteriores do Governo Lula – e ex-ministro da Defesa do Governo Dilma -, Celso Amorim, disse em entrevista exclusiva ao Independente que o acordo entre PT e PSB “faz parte da política” e exigiu “sacrifícios dentro do PT”, que ele “talvez possa lamentar” – assista o vídeo acima. O ex-ministro não citou fatos específicos.

As declarações foram feitas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), antes do evento “Precisamos Falar Sobre o Fascismo”, organizado por um coletivo de psicoanalistas.

Na entrevista, Celso Amorim também afirmou que a aliança entre PT e PSB não teve intenção de isolar a candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República e foi feito de uma maneira “totalmente correta”.

“O sistema funciona numa ordem em que você precisa construir alianças. Para formá-las, você tem que evitar que os aliados vão para o outro lado. Eu acho que (o PT) fez isso de uma maneira decente, totalmente correta, dentro do campo político. Não houve suborno, não houve nada indigno no que aconteceu. Pelo contrário. Foi tudo muito correto e dentro de um campo ideológico perfeitamente aceitável”, diz Celso Amorim.

“Sacrifícios” do PT

Uma das condições do trato entre os partidos foi a desistência da candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo de Pernambuco.

A candidata inicialmente reagiu à decisão e declarou que iria manter seu nome na disputa. O diretório do PT no estado chegou a aprovar sua candidatura, contrariando a decisão da Executiva Nacional.Militantes do partido também protestaram no acampamento “Lula Livre”, em Curitiba (PR), contra a decisão de retirar a candidatura de Marília.

Após a crise, no entanto, a vereadora cedeu e anunciou sua candidatura a deputada federal pelo PT de Pernambuco, fazendo críticas ao PSB.

O grupo que defendia a candidatura de Marília ao governo de Pernambuco divulgou uma nota afirmando que o acordo com o PSB, que facilita a candidatura do governador Paulo Câmara (PSB) à reeleição, “atropelou o desejo de nossas bases de ter uma candidatura própria” que representasse a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.

Vanessa Grazziotin “vetada”?

No Amazonas, a coligação PT-PSB também decidiu não apoiar Vanessa Grazziotin (PCdoB) em sua tentativa de reeleição ao Senado.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, a senadora declarou que foi “vetada” por “partidos aliados”, mas vai concorrer nas eleições de outubro.

“Eu, particularmente, estou sofrendo uma pressão muito forte para desistir da candidatura para reeleição. Estou inclusive vetada uma aliança composta por partidos aliados. Estranhamente, aqui no Amazonas, estou vetada dentro desta aliança. Querem me tirar da legenda. Não querem a minha reeleição para o Senado Federal”, diz Vanessa Grazziotin.

O ex-deputado estadual, David Almeida (PSB) é o candidato da coligação ao governo do Amazonas e o PT indicou, como candidato a vice-presidenteo advogado da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Jorge Guimarães.

Até a última sexta-feira, havia expectativa de formação de aliança entre PCdoB, PT e PSB. Mas o PSB local não aceita a aliança com o PCdoB de Vanessa Grazziotin.

O candidato do PSB ao governo do Amazonas, David Almeida, no entanto, negou que a coligação tenha “vetado” a senadora e afirmou que não a apoia por ter fechado acordos com outros candidatos para a mesma vaga, como Chico Preto (PMN), vereador da Câmara Municipal de Manaus, e o ex-deputado federal do PT, Francisco Praciano.

O senador Roberto Requião (MDB-PR), que também é aliado do PT, declarou no Twitter que a decisão de não apoiar Vanessa Grazziotin é “biblicamente abominável”. Porém, o tuíte do senador já não se encontra em seu perfil nesta quarta-feira (08).

Captura do tuíte do senador Requião

A jornalista Conceição Lemes, do site Viomundo, também manifestou discordância com a decisão de não apoiar Vanessa Grazziotin  e informou em artigo que o candidato da coligação ao Senado, Chico Preto (PMN), é “bolsonarista” por conta de suas publicações no Twitter.

PT-PSB e Ciro Gomes

Antes de gerar discordância dentro do PT, o acordo com o PSB já gerou divergências entre outros candidatos, como Ciro Gomes (PDT). O Partido Socialista do Brasil (PSB) negociava a formação de uma coalizão com o pedetista, mas fechou o acordo com o PT com coordenação do ex-presidente Lula e declarou neutralidade na eleição presidencial no último domingo (05).

A escolha gerou um revés na campanha do pedetista, que irá para a disputa presidencial com o apoio de apenas um partido – o Avante – dispondo de menos segundos de propaganda eleitoral que o pretendido.

Desde então, Ciro Gomes tem adotado discursos mais críticos ao Partido dos Trabalhadores. Durante o evento em que anunciou a senadora Kátia Abreu (PDT) como vice em sua chapa, na última terça-feira (07), o candidato do PDT acusou PT e PSDB de darem “rasteira” e “punhalada pelas costas”.

“É só tratativa de gabinete, é só conchavo, é só rasteira, é só punhalada pelas costas. Porque a base moral da falta de escrúpulo na política é a mesma base moral de quem tem falta de escrúpulo diante do dinheiro público”, afirmou Ciro, em Brasília.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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