Ciro: ‘como posso querer Marina de vice se ela é maior que eu’?

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– O pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, falou sobre Marina, Haddad e Lula, em palestra feita a empresários brasileiros e estadunidenses

– O pedetista também declarou que pretende denunciar “percepções simplistas de uma ideologia ruim, que nos foi vendida e permanece sendo vendida como ciência boa”

Por Rafael Bruza

Ciro Gomes durante palestra na Ancham a empresários brasileiros e estadunidenses / Foto (Rafael Bruza/Independente)

Nesta quarta-feira (14), Ciro Gomes realizou uma palestra para empresários brasileiros e estadunidenses na Câmara de Comércio Americana (Amcham), zona sul de São Paulo, em que comentou as possíveis alianças de sua chapa para as eleições de outubro deste ano.

“Desconsideram o que tenho dito de verdade. Não é hora ainda para alianças. Repare bem: todos nós estamos conversando, todo mundo com todo mundo, como se fosse um carro que tivesse que ficar sozinho neste momento para ajustar suspensão, direção, pneu… Então é tempo de procurar uma boa posição no grid de largada. No dia de largada que começa o jogo de equipe”, disse Ciro. “Então as pessoas perguntam: ‘o que você acha da Marina’? Acho uma pessoa honrada, muito querida, fui colega dela, tenho muita estima por ela, mas como posso querer a Marina de vice se ela é maior que eu? Vamos com calma”.

Esta semana, o portal UOL noticiou que Ciro Gomes procura aliança com Marina Silva depois de tentar fechar chapa com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Ciro, que se reuniu com Haddad no final de fevereiro, também negou que o petista pode ser vice em sua chapa.

“Eu nunca procurei o Haddad (ex-prefeito de São Paulo, do PT) para ser meu vice. Perguntam: o que você acha do Haddad como vice? Eu acho um ‘dream team’ (time dos sonhos), que posso dizer? Mas nunca esteve em minha cogitação que o Haddad pudesse ser meu vice. O PT, na minha concepção, lançará candidato e é natural que o faça”, disse o pedetista.

O pedetista explicou por que não acredita em uma união entre partidos de esquerda nas eleições de outubro.

“Nem é necessário (fazer união), nós precisamos oferecer tantas alternativas quantas haja de economia política para que a sociedade brasileira assista um debate que seja mais complexo e não uma simplificação grosseira que repita essas baboseiras que estão destruindo nosso sistema produtivo. Não é brinquedo. O jovem aqui (apontando para o repórter da revista Veja; assista o vídeo acima) não quer ouvir, mas eu vou repetir: em 1980, 30% da produção brasileira era de indústria. Hoje é 11%. Nos anos 80, o Brasil tinha uma produção industrial maior que a da China, Coreia do Sul da Malasia, Cingapura e Vietnã. Hoje só a China é seis vezes o Brasil. Quem está certo: eles ou nós? Eu também falei que não acredito em transplante institucional, mas o marco da economia política são dois ou três e definitivamente nenhum deles está em linha com a perversão neoliberal. Nenhum”, concluiu o pré-candidato, que seguiu o raciocínio.

“Eu quero ver o que a revista Veja, onde o moço (apontando ao repórter) não tem culpa nenhuma, vai dizer sobre o Donald Trump e a tarifa do aço. Quero ver. Free trade (livre comércio) para todo mundo, menos para eles, em setores menos competitivos. Por exemplo: o Brasil é mais competitivo do que os Estados Unidos em aço plano. Aí o Trump joga uma alíquota de 53% contra o aço chinês e 25% contra o aço brasileiro. E os ‘babocas’ aqui embaixo defendendo free trade com seus respectivos vendilhões (apontando ao repórter da Veja novamente), que não é o garoto, é o patrão dele”, concluiu Ciro.

Por último, Ciro disse que Lula é um grande amigo e apontou dois motivos que explicariam as “intrigas” na imprensa sobre atritos entre ele e o ex-presidente.

“Existe uma usina de intriga eu estou com o coração muito doído por tudo que está acontecendo porque existe frieza (nesse tema). É natural que seja assim em certa imprensa. No mundo político é pior ainda e chega a ser cruel, mas o Lula para mim não é um mito ou uma figura distante e sim um velho amigo de muitos anos. Sou amigo do Lula desde 1988, quando eu já era um jovem prefeito de Fortaleza. Então tudo que está acontecendo, para mim, é muito doído”, disse Ciro Gomes. “Mas é uma intriga que tem dois motivos. Um deles é o medo de que nós nos unamos todos para enfrentar isso daí. E estaremos unidos no segundo turno, ninguém duvide. O outro é a própria burocracia do PT, uma parte dela, que precisa dessa intriga para tentar manter o capital politico do Lula intacto, até o dia em que ele seja removido”.

Logo o pedetista comentou a possível derrubada da candidatura do ex-presidente Lula na Justiça.

“Todo mundo acredita que ele será (removido) e isso é muito doído, muito injusto, mas todos acreditam que será. Alguns falam com franqueza, outros mentem, mas todos nós sabemos que será removido. Ele fará um ‘dedaço’ transferindo toda sua generosa popularidade, merecida, para este indicado novo. Eu não sou do PT, tenho outra percepção, sou crítico, mas não do PT, e sim do modelo econômico, da modelagem que foi feita, da forma que se facilitou a chegada de quadrilheiros ao poder a ponto de botar o Michel Temer na vice (Presidência). Mas o que eu digo para enfrentar essa intriga é o seguinte: faz 16 anos que eu ajudo o Lula. Isso é realidade, o resto é resto”.

Palestra a empresários

No final da palestra concedida a empresários brasileiros e estadunidenses, Ciro Gomes propôs ao empresariado que o debate eleitoral seja feito com método adequado.

“O que eu peço, nesse instante, é que vocês ajudem a impor um método no debate. Tragam todos (os pré-candidatos), mas não deixem ninguém sair daqui sem se explicitar em relação às concretudes do país. Por quê? Se a gente conseguir que o método seja este, o debate vai permitir a escolha do verdadeiro rumo de mérito estratégico, por onde o país vai caminhar. Isso é semente da possibilidade de êxito. O oposto é a eleição de populistas, de candidatos exuberantes ou de personalidades tão não exuberantes, que também parecem interessantes, mas que não vão mexer em nada e vão deixar as coisas como estão. Vocês são o suprassumo, o 1% do 1%, de quem um país pode esperar um gesto menos egoísta, menos individualista e mais comprometido com as questões estratégicas. E por isto agradeço muito este espaço”.

Depois, na entrevista coletiva, Ciro disse que combate “simplificações grosseiras” de uma ideologia neoliberal.

“Estou combatendo as percepções simplistas de uma ideologia ruim que nos foi vendida e permanece sendo vendida como ciência boa. É só isso que estou denunciando. E há uma simplificação grosseira. Nós entramos nelas e vai replicando, repetindo, enquanto proponho que olhemos o grande quadro par perceber que este país está indo para o brejo”, disse o pedetista.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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