Como a Record mostrou o filme de Edir Macedo, dono da emissora?

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O Grupo Record, quarto maior conglomerado de mídia do Brasil, pertence ao bispo da Universal e promoveu uma cobertura publicitária do longa, mostrando como os veículos de imprensa muitas vezes prestam serviço a seus donos – e não à sociedade.

Análise de mídia – Por Rafael Bruza

O dono da Record, Edir Macedo / Foto – Reprodução

O filme Nada a Perder estreou na semana passada e conta a vida do fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e proprietário do Grupo Record, Edir Macedo. Notícias na imprensa expõem o grande volume de vendas antecipadas para o filme e a pouca presença de espectadores nas salas de cinema, enquanto críticos da sétima arte, como Roberto Sadowski (UOL), publicam análises livres sobre o longa.

“A biografia do líder da Igreja Universal mostra um homem egoísta e egocêntrico, que se vitimiza ante o mundo e insiste em realizar sua missão – ou melhor, em atender ao ‘chamado divino’ e estender a mão aos pobres e necessitados… mesmo que, durante as quase duas horas de filme, Macedo aja unicamente em causa própria”, diz Sadowski em sua crítica no UOL titulada “constrangedor, Nada a perder não passa de peça de propaganda da Universal”.

“Estamos falando de um filme bancado pelo próprio biografado, o que significa não só extrema parcialidade como nenhuma nuance dramática, nenhum conflito narrativo, nenhuma complexidade ao desenvolver o protagonista”, diz Sadowski.

Mas o tom crítico de Sadowski não se vê em publicações do Grupo Record, que pertence ao bispo Macedo.

No portal R7, o maior do conglomerado, o filme é tratado apenas como peça de entretenimento – apesar do teor de propaganda exposto pelo crítico de cinema do UOL.

Alguns títulos sobre o filme publicados no portal R7 são:

“Convidados choram, se divertem e aplaudem Nada a Perder em SP” (27/03)

“Alckmin chega a sessão com alta expectativa: ‘Grande Biografia'” (27/03)

“Filme nada a perder chega às redes sociais com material exclusivo”

“Jornalistas prestigiam filme e destacam ‘força’ do personagem”  (27/03)

“Cabrini, Zucatelli e Edu Guedes destacam trajetória de Edir Macedo” (27/03)

“Presidente da Crefisa diz que Nada a Perder é inspiração para a vida” (28/03).

Ou seja

Quem só assiste o Grupo Record só recebeu conteúdos positivos e propagandistas sobre o filme de Edir Macedo e não conheceu visões ou realidades alheias ao que o bispo quis mostrar em seu conglomerado de mídia, tendo em vista que não há sequer uma notícia crítica ao filme no portal R7.

O caso mostra como a imprensa brasileira é refém dos interesses imediatistas e egóicos de seus proprietários e anunciantes.

Isto ocorre em outros grupos de imprensa: a Globo, por exemplo, não critica anunciantes ou conteúdos que interessam à família Marinho – a mais rica do Brasil e dona do conglomerado – e o jornalismo da Rede Bandeirantes já foi usado em defesa dos interesses da família Saad (“aqui” e “aqui”, por exemplo).

Então fiquem atentos e conheçam que vocês leem, pois podem ver conteúdos “jornalísticos” na imprensa brasileira, que na verdade não passam de simples peças de propagandas de gente poderosa.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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