Conta do Twitter revela identidade de militantes de extrema-direita

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Um dos manifestantes identificado pela página perdeu o emprego após ser exposto à opinião pública.

Por Rafael Bruza

Protesto da “União da Direita” feito em Charlottesville, no Estado norte-americano da Virginia / Foto – Reprodução

Respondendo os protestos da “União da Direita” realizados neste fim de semana na Universidade de Virginia, em Charlottesville (EUA), a conta no Twitter “Yes, you Are a Racist”, vem pedindo para seus seguidores identificarem as pessoas presentes no ato para expor suas identidades à opinião pública.

Criada em 2012, a conta pretendia inicialmente expor casos de racismo que ocorrem na rede social.

“Se você começar uma frase com ‘Eu não sou racista, mas …’ então, é provável que você seja bastante racista”, diz a identificação da página, que possui 298 mil seguidores.

Depois dos protestos da “supremacia branca” no Estado de Virginia, que está em estado de emergência e foi local da morte de três pessoas, o perfil começou a identificar pessoas presentes nas manifestações.

A página Yes, You Are a Racist preparou uma montagem que mostra a identidade de vários manifestantes.

Um dos expostos pelo perfil é o estudante de história e ciência política da Universidade de Nevada (UNR), Peter Cvjetanovic, de 20 anos, cuja imagem viralizou depois de aparecer no perfil You Are a Racist e foi usada por vários veículos de imprensa desde então.

A mídia estadunidense procurou Cvjetanovic e descobriu que ele viajou 4 mil km para participar do protesto “Unite the Right” (“União da Direita”, em tradução livre), que reclama da remoção da estátua do general Robert E. Lee da cidade de Charlottesville.

“Eu vim para esta marcha pela mensagem de que a cultura branca europeia tem o direito de permanecer aqui como qualquer outra cultura”, justificou o jovem à rede de televisão norte-americana CBS. “Ela não é perfeita. Tem falhas, claro. Mas acredito que a remoção da estátua representa a remoção progressiva da herança branca nos Estados Unidos e das pessoas que lutaram para defender e construir sua terra natal”, disse o jovem à imprensa estadunidense.

À rede KTNV, o rapaz que vive em Reno, disse que não esperava que sua foto fosse compartilhada nas redes sociais. “Entendo que a foto tenha uma conotação muito negativa”, afirmou, dizendo ainda não ser racista. Citado pela Newsweek, ele contou que queria se manifestar contra a “substituição da herança branca”.

Outro manifestante, chamado Cole White, foi identificado pela página do Twitter e demitido do restaurante onde trabalhava em Berkeley, na Califórnia.

O último manifestante exposto – até às 15h desta quarta-feira (14) – foi o estudante James Allsup, que possui um canal no Youtube onde comenta assuntos políticos.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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