Coordenador econômico do PT diz que mercado pode se aproximar de Bolsonaro

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Em entrevista exclusiva ao Independente, Marcio Pochmann também comentou propostas e expectativas para um eventual governo de Fernando Haddad (PT).

Edição – Rafael Bruza / Entrevista – André Henrique

O ex-presidente do Ipea e atual coordenador do Plano Econômico do PT para Presidência da República, Márcio Pochmann, declarou na segunda-feira (10) que o mercado financeiro pode se aproximar do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, nas eleições de outubro.

“É uma aproximação possível. O receituário que Bolsonaro defende é neoliberal e está sendo testado nestes últimos dois anos, sem sucesso”, diz Pochmann. “O importante da candidatura do Partido dos Trabalhadores é ter uma aproximação da maioria da população porque ela, na verdade, que decide os rumos do país”.

A entrevista foi feita durante evento da campanha de Luiz Marinho (PT) ao Governo do Estado de São Paulo, na o teatro da PUC, que reuniu militantes, intelectuais e lideranças do partido, como a candidata à vice-presidente, Manuela D’Ávila (PCdoB), o candidato a senador, Eduardo Suplicy, e o ex-ministro da defesa, José Eduardo Cardoso, um dia antes do anúncio da candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República, no lugar do ex-presidente Lula.

Bolsonaro e o mercado

Artigo de Brian Winter no jornal Folha de S. Paulo afirma que investidores de Wall Street (EUA) vêm optando por apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro (PLS) à Presidência da República, por conta da “estagnação” de Geraldo Alckmin (PSDB) nas pesquisas eleitorais e do perfil de Paulo Guedes, apontado por Bolsonaro como Ministro da Fazenda, caso vença a eleição.

“A indicação por Bolsonaro de Paulo Guedes como ministro da Fazenda e depositário da ortodoxia econômica parece melhor a cada dia, aos olhos do mercado”, diz o artigo de Brian Winter na Folha. “Sob a tutela de Guedes, Bolsonaro prometeu reforma nas aposentadorias e no mês passado chegou a mencionar a possibilidade do Cálice Sagrado de Wall Street —a privatização da Petrobras. Um investidor me disse, empolgado, que o Brasil pode ter seu primeiro presidente verdadeiramente liberal em pelo menos meio século”.

O colunista também afirma que o risco com o “autoritarismo” de Bolsonaro não é mal visto em Wall Street.

“Se você conversar com investidores sobre os riscos do autoritarismo, muitos tenderão a responder ‘ouvimos o mesmo sobre Trump, e as coisas estão ótimas’ ou ‘qualquer um menos Lula’”, relata Brian.

Este mês, Jair Bolsonaro se encontrou com o vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho.

A reunião foi organizada por Paulo Guedes, que também é membro-fundador do Instituto Millenium, entidade que tem João Roberto Marinho como um de seus “mantenedores”.

O assunto da reunião não foi divulgado.

Propostas do PT na economia

No evento do PT na PUC, Marcio Pochmann também disse que as perspectivas econômicas de Haddad são “melhores” do que as do primeiro ano de Governo Lula.

“Quando Lula assumiu, em 2003, o Brasil tinha um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O país estava quebrado, a inflação estava fora do controle, então nós tivemos que arrumar a casa”, diz Pochmann, que presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2007 e 2012.

Ele também comentou propostas da parte econômica do PT.

“A partir de 2019, o país tem condições de voltar a crescer muito rapidamente. Basta que retomemos as obras paradas, enquanto reduzimos os impostos da população de baixa renda para liberar consumo no mercado interno, já que a economia hoje está com uma capacidade ociosa bastante elevada. Então, elevando o nível a renda, aumenta o consumo puxando a produção e criando um caminho novo para a expansão do país”, conclui.

Questionado sobre eventuais instabilidades políticas que podem surgir com a detenção do ex-presidente Lula em um eventual governo do PT, Pochman disse que “nós certamente temos um problema de natureza política, não econômica”.

Logo ressaltou que, no campo da economia, o PT “reúne as melhores condições de enfrentar a crise do país”.

“Com o elevado desemprego e a enorme desigualdade, eu diria que pela experiência passada, e pela credibilidade do programa do Partido dos Trabalhadores, é plenamente possível fazer o país voltar a crescer. A questão política que nós vamos decidir agora nas eleições, se aqueles que forem derrotados aceitarem o resultado”, diz Pochmann. “Porque em 2014 a presidenta Dilma venceu as eleições, mas não houve aceitação de vários partidos, entre eles o PSDB, que continuou fazendo campanha, levou a um terceiro turno e ao golpe que tirou a ex-presidenta Dilma de um governo democraticamente eleito”.

O ex-presidente do Ipea e atual coordenador do Plano Econômico do Partido dos Trabalhadores para Presidência da República, Márcio Pochmann / Foto – (Rafael Bruza/Independente)

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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