Defesa de Lula tem brechas. Acusação carece de provas.

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Opinião – Por Rafael Bruza

Como jornalista, não tenho a função de julgar se um réu é culpado ou inocente. Só comentarei impressões e conclusões do caso do tríplex do Guarujá. Há certas contradições e vácuos na defesa de Lula, que está muito bem preparada, mas abusa de nossa boa vontade em algumas questões.

Sobre a visita dele ao tríplex, por exemplo: vocês acreditam que Léo Pinheiro, poderoso executivo da OAS iria pessoalmente com um ex-presidente da República até o Guarujá para simplesmente “tentar vender o imóvel” a ele, como argumenta a defesa?

Meses depois da visita, esse tríplex começou a receber reformas e personalizações, que custaram milhares de reais à empreiteira e só foram feitas nesta unidade do edifício (não colocada a venda, por sinal, segundo testemunhas de acusação).

Para mim, Lula se perdeu nessas explicações, pois também há contradições nas falas sobre a segunda visita de Marisa ao imóvel – Lula diz que ela foi visitar o tríplex, que não havia mudanças e que rejeitou a compra ali mesmo, enquanto a Lava Jato discorda afirmando que as reformas já estavam “bem adiantadas” em agosto de 2016, data da segunda visita, e que Marisa foi ao apartamento orientar quais reformas seriam feitas a partir dali.

Não sabemos qual versão é absolutamente real, mas documentos – da empresa Tallento e Kitchens – e depoimentos de funcionários envolvidos com as reformas dão fundamento a versão da acusação, colocando a posição de Lula sob dúvidas.

Em contrapartida, a denúncia da Operação Lava Jato feita em setembro de 2016 é realmente carente de provas e abusa da retórica no contexto geral.

Conseguiram provar que Lula foi ao tríplex, que o casal queria a unidade 141, que houve uma segunda visita de Marisa e que ocorreram reformas no apartamento.

Estas evidências que geraram contradições na defesa, como falei acima.

Mas nada mostra explicita e inegavelmente que o apartamento foi dado como propina ao Lula, segundo os gostos do Lula.

Nesse sentido, palavras de executivos da OAS que querem fechar delação premiada para diminuir suas condenações de décadas não são provas muito convincentes.

A investigação então insiste nas críticas contra o presidencialismo de coalizão e contra o modelo de governabilidade de nosso país, explorando demais depoimentos e indícios que fortalecem o relato, sim, mas que estão longe de provar de forma inquestionável a denúncia (tanto é que muitos estão questionando).

Então cabe lembrar que o benefício da dúvida nesse caso favorece o ex-presidente e a Justiça não pode agir em função de contextos políticos/legais e da vontade de maiorias apaixonadas.

Mas aqui surge outra polêmica: estamos falando de um caso da Operação Lava Jato, que desde 2014 acredita que as leis do Brasil são brandas e precisam de “interpretação” (como Moro defendeu em artigo feito no jornal O Globo) para favorecer a Justiça e o desenvolvimento da igualdade na aplicação da lei.

Então acredito que Lula será condenado por Moro, e recorrerá a instâncias superiores em liberdade, algo que deve acontecer antes e durante as eleições de 2018, influindo ainda mais no cenário político nacional.

Preparem os marshmellows, portanto, pois ainda teremos muitas fogueiras pela frente.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Formou uma parceria com um programador e lançou o Indepedente. Acredita que a mudança no mundo está dentro de cada um e trabalha para que seus leitores tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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