Delegados morreram após ‘desentendimento banal’ dentro de uma casa noturna

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Segundo informações preliminares, um comerciante internado sob custódia é o principal suspeito de matar os dois delegados da PF em SC. Um dos policiais assassinados abriu inquérito sobre a morte de Teori Zavascki no início de 2017.

Por Rafael Bruza * com informações do jornal Hora de Santa Catarina e Agência RBS

Segundo policiais civis e federais ouvidos pelo jornal Hora de Santa Catarina, os delegados da Polícia Federal, Adriano Antônio Soares Elias Escobar, 60 anos, e Adriano Antônio Soares, 47, foram mortos na madrugada desta quarta-feira (31) em Florianópolis (SC), em uma casa noturna no bairro Estreito, área continental da cidade, após um “desentendimento banal” com um cliente.

A casa noturna onde o caso ocorreu

A casa noturna onde o caso ocorreu  também era usado para prostituição, segundo o Boletim de Ocorrência feito por um segurança da casa. Um dos agentes morreu no local. O outro chegou a ser encaminhado ao Hospital Florianópolis por um taxista, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo informações preliminares, o comerciante Nilton Cesar Junior foi responsável pelas mortes.

Nilton e os dois delegados da Polícia Federal supostamente se desentenderam e trocaram tiros dentro da casa noturna. O confronto ocorreu no corredor de acesso do estabelecimento. Na parede do local há várias marcas de tiros, segundo informações da imprensa local.

Nilton Cesar Junior é dono de um cachorro-quente localizado no mesmo bairro e também ficou ferido na troca de tiros. O comerciante está internado sob custódia no Hospital Florianópolis, para onde foi levado em estado grave por um amigo não identificado.

O motivo da briga ainda não foi esclarecido, de acordo com os policiais ouvidos pelo jornal Hora de Santa Catarina.

Os delegados federais estavam em restaurante no sul da Ilha de Santa Catarina antes de pegarem um táxi que os levou à casa no Estreito.

“Foi tudo muito rápido. Foram tiros de curtíssima distância perto da porta”, relatou o delegado Ênio Mattos, que assumiu a investigação.

Os tiros disparados contra os policiais teriam sido de uma pistola 380. O local tem sistema interno de câmeras, mas elas não estariam funcionando no momento, por isso, a polícia procura imagens de estabelecimentos vizinhos.

O Instituto Geral de Perícias (IGP) isolou a área e recolheu o corpo de uma das vítimas. O diretor da Polícia Civil da Grande Florianópolis, Verdi Furlanetto também acompanha o caso e informou que outros dois suspeitos do crime estão sendo procurados.

A Polícia Federal (PF) informou que os dois delegados mortos no caso atuam na cidade de Rio de Janeiro. Eles participavam de um curso da corporação em Florianópolis desde o início da semana passada. A organização do evento agora estuda suspender as atividades nesta manhã.

Local do crime

Reportagens de veículos de comunicação locais estiveram na boate em que os delegados foram assassinados.

Com a chuva forte que caía, a movimentação era tranquila em frente à casa noturna, que funciona na primeira quadra da movimentada Rua Fúlvio Aducci, no bairro Estreito. Ninguém foi visto entrando ou saindo da casa e apenas a imprensa passava pelo local.

“Eu nem sabia que funcionava uma casa noturna. Eu chego e saio cedo daqui e fiquei muito surpresa com o que me contaram. Não vi ninguém da polícia por ali. Era muito discreto”, contou uma mulher que trabalha próximo ao local e preferiu não se identificar.

Na região, a maioria dos imóveis funciona como loja de móveis, roupas ou utensílios domésticos. Conforme contou uma moradora, pelo menos quatro tiros puderam ser ouvidos antes de toda a movimentação da polícia ter início. O barulho das sirenes acordou a senhora perto das 3h.

Inquérito sobre Zavascki

A Polícia Federal também confirmou esta manhã que Adriano Antônio Soares abriu o inquérito em Angra dos Reis (RJ) que apura a queda do avião que matou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki.

Atualmente o inquérito se encontra em Brasília, “presidido por outro delegado”, segundo a PF.

Teori Zavascki era o juiz do Supremo Tribunal Federal na relatoria da Operação Lava Jato e o principal nome nas decisões do STF que envolviam envolvidos nas investigações da Polícia Federal e tinham foro privilegiado. Ele morreu num acidente de avião quando voltava de um fim de semana em Paraty no hotel de um amigo. O filho do juiz, em mais de uma vez, declarou ter dúvidas sobre se seu pai poderia ou não ter sido morto por conta de seu trabalho com a Lava Jato.

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