Deputada responsabiliza ‘grupos de direita movidos a ódio’ por ataques à filha

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Nas redes sociais, um blogueiro disse que divulgou as fotos da menor de idade para levá-las até a Justiça.

Informação – Por Rafael Bruza

A deputada federal Maria do Rosário(PT-RS) publicou um texto no jornal Folha de S. Paulo comentando o caso em que sites e blogs divulgaram uma foto de sua filha Maria Laura Pacheco, de 16 anos. Na publicação, ela atribui a responsabilidade dos ataques a “grupos de extrema direita movidos a ódio”.

O caso ocorreu em fevereiro deste ano. A filha de Maria do Rosário publicou fotos em seu Instagram, que era público antes de ser fechado por conta do episódio.

Após a divulgação das imagens na rede social, blogueiros e administradores de páginas em redes sociais na Internet que se opõem politicamente à deputada começaram a divulgar as fotos afirmando que a menor de idade está “desnutrida”, tem “anorexia” e é usuária de drogas.

Na época, o blogueiro Alan dos Santos, responsável pelo canal Terça Livre, afirmou que a divulgação deveria ser feita para chegar até a Justiça.

“O que eu fiz ao divulgar isso no Facebook, e também seria bom que as pessoas divulgassem isso, é para que isso chegue até a Justiça”, afirma o blogueiro em um vídeo.

Maria do Rosário então acionou a Polícia Federal. Em nota divulgada em suas redes sociais na época, a deputada Maria do Rosário disse que sua filha está sendo vítima de criminosos e que, como mãe, não medirá esforços para protegê-la.

“Já tomei as medidas cabíveis e estou fazendo todas as denúncias possíveis para que os bandidos que atacam minha família sejam identificados e severamente responsabilizados. Nenhuma família merece passar por isso”, informou.

Nesta terça-feira (11) a deputada escreveu o texto na Folha comentando o caso para o público.

Confira o texto:

Muitas vezes, eu me pergunto qual foi a razão de a minha filha colocar aquelas imagens nas redes sociais. Mas é o mundo, ela não pode ser criminalizada nem atacada por isso. As pessoas são chamadas a viver tudo nas redes sociais, a contar do momento em que acordaram até quando vão dormir.

Como legisladores, temos de estabelecer regras sobre o uso destas informações. Não se pode culpar o jovem pela manipulação e pelo uso indevido. Mesmo que ela tivesse feito uma bobagem – e não é o caso -, eu jamais ficaria contra ela.

Lógico que ela mereceu uma reprimenda minha por ter postado fotos que não deveria, mas Laura é como qualquer outra adolescente postando foto na internet. Eles [quem vazou as imagens]é que são criminosos.

Depois do episódio, minha filha fechou o Instagram dela. Laura também tem Facebook. É impossível impedir um jovem de estar nas redes sociais hoje em dia.

(…)

Neste episódio, eu mi senti como em uma tortura pública. Claro que os ataques não têm o mesmo caráter físico, mas psicológico. Quando um parlamentar te agride e te chama de vagabunda na arena pública, todo mundo se sente podendo te agredir também.

Eu responsabilizo os grupos de direita movidos a ódio. Há uma dimensão ideológica por trás dos ataques à minha filha. O que ficou claro é que nem todos os que elogiam torturadores e fazem discursos pedindo intervenção militar no Brasil agiram contra minha filha. Mas os que fizeram os ataques têm estas posições.

Isso é terrível na sociedade atual que vivemos. É a era da destruição moral das pessoal via internet. Nós sentimos o baque, mas não vamos nos vitimizar. Se minha filha está bem, eu estou bem.

Tenho consciência de que só a agrediram tão fortemente por uma iniciativa perversa política.

A convenção dos Direitos das Crianças da ONU diz que elas não devem ser atacadas por opiniões políticas dos seus pais. A maior injustiça que pode haver para uma família é que os filhos paguem o preço das opções dos pais.

Senti de imediato um peso enorme. Será que minhas opções e minhas opiniões chegaram a um plano que prejudicam tão grandemente minha filha? Estou certa em seguir na vida pública? Venho me fazendo estes questionamentos todos.

É como se tivessem dito: “Aqui não é o seu lugar [no Congresso, na vida pública]. É um processo de intimidação que tem a ver com gênero, com condição de mulher e mãe.

Não importa se tem o meu marido lá, o pai dela, que é professor e cuida da nossa filha. Pagamos um preço por esse arranjo, de ser o homem que organiza sua vida de forma a estar presente e mais próximo de casa. O papel se inverteu, enquanto eu, a mulher e mãe, fico indo e voltando.

É uma família diferente, mas de gente que se ama e se cuida. Laura hoje está bem, cercada do carinho dos amigos e da família. A minha sensação é de que ela se sentiu apoiada.

(…)

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Formou uma parceria com um programador e lançou o Indepedente. Acredita que a mudança no mundo está dentro de cada um e trabalha para que seus leitores tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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