Descriminalização de drogas é retirada das propostas de Haddad antes de encontro com evangélicos

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Essa semana, o candidato disse a líderes evangélicos que um presidente não pode impor valores de “temas sensíveis”.

Por Rafael Bruza, com informações do UOL

O candidato à Presidência da República, Fernando Haddad (PT), durante encontro com pastores evangélicos, no hotel Excelsior, em São Paulo / Foto (Rovena Rosa/Agência Brasil)

O candidato à Presidência da República, Fernando Haddad (PT), excluiu de seu programa de governo as menções à reforma das polícias e à descriminalização de drogas. O novo documento foi entregue pela campanha petista ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na tarde de terça-feira (16) – um dia antes do encontro do candidato com lideranças evangélicas, em que ele se comprometeu a não propor a legalização das drogas e do aborto.

Antes, no item intitulado “Nova política sobre drogas”, o plano do PT dizia que “o país precisa olhar atentamente para as experiências internacionais que já colhem resultados positivos com a descriminalização e a regulação do com a descriminalização e a regulação do comércio”.

O texto foi cortado na nova versão do programa e agora diz apenas que o Brasil deve se atentar às experiências de outros países.

A alteração foi feita num momento em que Haddad procura se aproximar do eleitorado evangélico. Nesta quarta-feira (17), o candidato do PT teve um encontro no hotel Excelsior, em São Paulo, com pastores  de vários segmentos dessa religião.

No evento, Haddad disse que um presidente não pode impor valores de “temas sensíveis” – que “dividem a sociedade” a cada eleição – e se comprometeu a não promover projetos de legalização do aborto e de drogas.

“Um presidente não pode ser eleito para impor o seu ponto de vista sobre as coisas”, disse. “Nenhum dos nossos governos encaminhou ao Congresso leis inexistentes pelas quais nos atacam: a legalização do aborto, o kit gay, a taxação de templos, a proibição de culto público, a escolha de sexo pelas crianças e outras propostas, pelas quais nos acusam desde 1989, nunca foram efetivadas em tantos anos de governo. Também não constam de meu programa de governo”, afirma o candidato na carta.

De acordo com pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira, Jair Bolsonaro (PSL) tem 74% dos votos válidos entre os evangélicos contra 61% no computo geral da população. O petista procura o voto religioso frequentando  igrejas neste segundo turno.

Mudanças na segurança

Outra mudança foi feita em um ponto que detalha propostas para um Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária, que falava em “investir na reforma da legislação para reservar a privação de liberdade para condutas violentas e promover a eficácia das alternativas penais”. Agora, a proposta foi substituída por: “as prisões devem, prioritariamente, tirar o criminoso violento de circulação”.

No novo plano, foi também incluída a defesa de que a polícia deve ser mais bem equipada. “Perseguiremos a meta de tirar a arma da mão do criminoso e equipar melhor a polícia, para que o Estado cumpra seu dever de oferecer segurança seu dever de oferecer segurança pública”, diz o texto.

Ainda na área de segurança pública, foram incluídas novas propostas contra o feminicídio e para proteger as mulheres vítimas de violência doméstica, com delegacias abertas 24h por dia, a disponibilização de tecnologia com “botão de pânico” e o acolhimento em abrigos.

Haddad também incluiu um item que fala na necessidade de se coibir a incidência de roubos e furtos, apontados no programa de governo petista como “crimes que ocorrem em larga escala no país” e que são “uma das maiores causas de prisão”.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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