Diretora de escola é orientada a rejeitar entrevistas sobre greve de professores

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A diretora da escola paralisada declarou apenas que conversou com a assessoria de imprensa e iria “se abster” da entrevista por isto.

Por Rafael Bruza

O prefeito, João Doria, e a escola paralisada pela greve de professores, cuja diretora negou entrevista / Foto – (Rafael Bruza/Independente)

A diretora de uma escola municipal da zona sul de São Paulo, paralisada pela greve de professores, negou uma entrevista ao Independente no início de tarde desta quarta-feira (14) afirmando que a assessoria de imprensa da Prefeitura da cidade, comandada pelo prefeito, João Doria (PSDB) a orientou a rejeitar entrevistas sobre a greve de professores.

“Eu acabei de receber uma ligação da (assessoria de) imprensa aqui. Vou me abster”, declarou a diretora.

Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura ainda não comentou o caso e solicitou “contato” do repórter.

A greve

Professores da rede municipal de ensino fazem greve desde fevereiro contra a Reforma da Previdência municipal, defendida pelo prefeito João Doria, que afeta todos os servidores públicos da cidade. Nesta terça-feira (13), 46% das escolas da rede estiveram totalmente paralisadas – o caso da diretora ocorreu em uma delas – e 47% parcialmente paradas.

A proposta aumenta a contribuição dos servidores e institui o sistema de previdência complementar, SAMPAPREV. Servidores públicos argumentam que esta nova previdência é um “confisco” de salário.

“Todos os servidores (da cidade de São Paulo), ativos e aposentados, de todas as secretarias, estão no mesmo barco. Não podemos aceitar os argumentos do governo de que, para cobrir um suposto déficit no sistema previdência, é preciso aumentar a contribuição para o Iprem (Instituto de Previdência Municipal de São Paulo) e ainda criar uma contribuição suplementar. Estas medidas são um verdadeiro confisco aos nossos salários”, afirmou o presidente do Sinpeem, Claudio Fonseca.

A Prefeitura, a sua vez, argumenta que a Previdência municipal possui déficit de R$ 84 bilhões, apurado pela Caixa Econômica Federal, segundo a justificativa do projeto.

Servidores do município, no entanto, questionam estes números.

“Isso (o valor de déficit) é o que a Prefeitura diz, mas não existem provas. Foi sugerida uma auditoria, mas a gestão Doria negou”,

Outros protestos

Na quarta-feira (14), Policiais Militares reprimiram um protesto dos professores no centro de São Paulo. Veja imagens:

Novos protestos ocorrem ensta quinta-feira (15), na Câmara Municipal de São Paulo, onde a Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ)  debate o assunto.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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