Resumo da política na semana: economia, Temer e mais denúncias

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Esta coluna é uma parceria entre o Independente e o canal Politiké Por Bernardi (YouTube).

Por Vinicius Bernardi

Confira também a versão em vídeo:

Sabemos que informação de qualidade é fundamental. Ainda mais quando se trata de política, que afeta a vida de todos os cidadãos direta ou indiretamente. Mas nem sempre temos tempo ou disposição de acompanhar tudo o que acontece na política brasileira.

É por isso que a partir de hoje os leitores do Independente terão um resumo semanal das notícias na política brasileira.

Economia

Na última semana, o governo decidiu aumentar o imposto sobre combustíveis. Esta medida foi elogiada por economistas já que nesse momento o país passa por uma baixa inflação, precisa aumentar a arrecadação e cumprir a meta fiscal.

Só não contavam com a suspensão do aumento em todo o país feita pelo juiz substituto Renato Borelli, da 20ª Vara Federal de Brasília. A Advocacia Geral da União apresentou recurso, alegando que esta suspensão causará prejuízo diário de 78 milhões de reais e que programas do governo como o Bolsa Família ficarão ameaçados, além de verbas do Ministério da Saúde e de Segurança Pública.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que alterar a meta fiscal não é opção no momento e que outros impostos podem subir se a justiça manter a suspensão da alta do combustíveis. Isto porque o governo reduziu a previsão de receitas para este ano em 5,79 bilhões de reais.

Para tentar enxugar ainda mais os gastos e cumprir a meta fiscal, o governo abriu um Programa de Demissão Voluntária (PDV), além de permitir que os servidores possam optar por uma jornada reduzida e licenças não remuneradas. A expectativa é economizar um bilhão de reais já em 2017.

A boa notícia da semana na área econômica é que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu que a taxa de juros Selic cairá um ponto percentual, ficando em 9,25% ao ano. É a taxa mais baixa desde 2013. É consenso  que uma taxa de juros mais baixa permite uma maior atividade econômica e facilita o crescimento do país.

Para o economista José Oreiro, professor da Universidade de Brasília, em entrevista pro Independente, os juros só caíram graças a redução da inflação causada pela recessão econômica e o alto desemprego. Segundo o economista, o Brasil ainda não está em rota de recuperação.

É justamente por essa razão que o governo segue fazendo cortes, como por exemplo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que perderá quase 30% dos recursos e afetará principalmente os Ministérios das Cidades, Integração e Transporte. Além disto, o Ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou que a Polícia Federal não terá dinheiro suficiente para realizar todas as operações neste ano.

Sobrevivência de Temer

Mesmo com os problemas na economia, o maior foco de Michel Temer está em barrar a denuncia de corrupção passiva feita por Rodrigo Janot, o Procurador Geral da República. A votação na plenária da Câmara dos Deputados está agendada para 2 de agosto, quando os parlamentares voltam do recesso.

Temer precisa garantir apoio de 172 deputados e atuou de três formas:

1) Alterou cargos na Comissão de Constituição e Justiça, a CCJ, e negociou cargos em órgãos federais para partidos aliados;
2) Tentou atrair dissidentes do PSB e garantir votos;
3) Liberou emendas parlamentares para deputados e senadores da base aliada.

Segundo matéria do The Intercept, o cantor sertanejo e deputado, Sérgio Reis, foi quem mais recebeu emendas parlamentares entre os deputados. Curiosamente, Sérgio Reis foi o cantor da festa de um ano da gestão Temer.

O presidente também se reuniu com dirigentes e integrantes de Escolas de Samba do Rio. O objetivo era oferecer apoio no Carnaval de 2018, já que houve corte de 13 milhões de reais no orçamento do evento pela prefeitura.

Essa reunião foi feita antes de empossar o novo ministro da Cultura, o jornalista e documentarista Sérgio Sá Leitão. Ele era diretor da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e já foi secretário municipal de cultura do Rio de Janeiro.

De olho nas eleições de 2018

Rodrigo Maia acredita que haverá quórum para votar a denuncia de Janot contra Temer na plenária da Câmara dos Deputados no dia 2 de agosto. Ele também prevê uma vitória para o presidente.

Maia, que se reaproximou dele após o jantar que tiveram na semana passada, tem tentado se livrar da pecha de traidor. Ele ainda disse ao site Poder360 nesta semana que o DEM não apoiará um candidato do PSDB nas próximas eleições.

Por outro lado, Maia e Alckmin se encontraram para decidir proteger o mandato de Temer. Com isso, o PSDB e o DEM evitam mais atritos, mas seguem indefinidos para as eleições de 2018.

Renan de novo nos holofotes

Quase 8 meses após o julgamento, o STF destravou o processo contra o senador Renan Calheiros pelo crime de peculato. Ou seja, pelo crime de se apropriar ou desviar valores e imóveis que um funcionário público tem direito pelo cargo.

No processo, que já tramita desde 2007 no STF, Renan é suspeito de receber propina da construtora Mendes Júnior. Ele usava esse dinheiro para pagar despesas pessoais da jornalista Mônica Veloso, com quem mantinha relacionamento extraconjugal e teve uma filha.

Operação Zelotes

A Operações Zelotes, que investiga um esquema de corrupção do Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf) tem mais 11 réus desde a última segunda-feira.

O Carf é um tribunal administrativo que julga as infrações que as empresas cometem envolvendo tributos federais. Esse tribunal responde para o Ministério da Fazenda. Há suspeitas de que parte dos participantes do Carf partipavam de uma estrutura de corrupção e sonegação fiscal que começou no governo do ex-presidente Lula.

A operação, que começou em 2015, envolve lobistas, políticos e alguns dos maiores grupos empresariais do Brasil como Gerdau, Ford, Banco Safra, Santander, Mitsubishi, Bradesco e até o Grupo RBS, que é afiliado da Rede Globo no Rio Grande do Sul.

Curiosamente, em abril, o Carf decidiu por 5 votos a 3 que o Itaú não precisará pagar impostos no processo de fusão com o Unibanco. Uma derrota de 25 bilhões de reais para a Receita Federal.

Operação Lava Jato

Na última quinta-feira, o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, teve prisão cautelar decidida pelo juiz Sergio Moro em nova fase da Lava Jato. A prisão é temporária e vence em 5 dias.

A suspeita é que Bendine pediu R$3 milhões para a Odebrecht em troca de favorecimento nas relações com a Petrobras em 2015.  Foi durante o repasse desse dinheiro que Marcelo Odebrecht foi preso e fechou acordo de delação premiada, no qual citou Bendine.

Os delatores também afirmam que Bendine já tinha pedido 17 milhões de reais quando era presidente do Banco do Brasil. Ele teria recebido esse valor em troca da renegociação de dívida da Odebrecht AgroIndustrial com o Banco do Brasil.

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Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Marketing e estudante de história, desistiu da carreira no mundo corporativo para se dedicar a produção de conteúdo na internet. É criador do canal no YouTube Politiké Por Bernardi e sua luta é pela Educação Política.

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