Economista quer o afastamento de Michel Temer

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O economista José Oreiro defendeu o impeachment de Dilma, por entender que a petista não tinha mais condições de governar o país, mas se decepcionou com a política econômica do governo e com a conduta antiética do presidente no caso Joesley.

José Oreiro – Professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília, Pesquisador Nível IB do CNPq e Pesquisador Associado do Centro de Estudos do Novo-Desenvolvimentismo.

 O economista José Oreiro,  Universidade de Brasília, pediu através do seu facebook que os deputados votem pela admissibilidade da denúncia da procuradoria-geral da República contra Michel Temer, na quarta-feira, 02 de agosto.

O texto:

“Em abril de 2016 eu apoiei o Impeachment de Dilma Rousseff pelo simples fato de que ela havia perdido as condições objetivas de governar o país, num momento de grave crise econômica. Eu acreditava que um novo governo era necessário para restaurar as condições mínimas de governabilidade e assim iniciar o processo de saída da crise econômica. Se fosse possível combinar um ajuste fiscal de emergência com aumento de impostos, principalmente sobre os mais ricos (IR sobre lucros e dividendos distribuídos, fim dos Juros sobre capital próprio e algum aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos) com uma rápida flexibilização da política monetária (o que exigia postergar a convergência da inflação para o centro da meta para 2018) então poderíamos ter começado a recuperação da economia no final de 2016. Também era fundamental impedir a forte apreciação cambial que se observou a partir do segundo semestre de 2016, estabelecendo um piso para a taxa de câmbio em torno de R$ 3,50. Mas o governo Temer gastou seu capital político tentando mudar a relação entre Estado e Sociedade no Brasil sem passar pelo crivo das urnas. Adotou-se um teto para os gastos primários da União que, além de operacionalmente infactível, como demonstrado brilhantemente pelo meu amigo Manoel Carlos Pires, implica também numa redução da participação do setor público no PIB, matéria sobre a qual a população brasileira deveria ter sido consultada, mas não foi. O teto foi aprovado, mas a reforma que permitiria o seu cumprimento – a reforma da previdência – foi deixada para depois. Os crescentes escândalos de corrupção do governo (afinal se descobriu que o PT não só não inventou a corrupção como ainda pode ter sido o sócio menor na mesma) foram gradualmente minando o capital político do governo em conjunto com a frustração crescente da não retomada do crescimento. Até que no dia 17 de maio do ano da graça de 2017 vazaram as gravações nada republicanas do Excelentíssimo Senhor Presidente da República com um criminoso confesso. O Presidente da República em nenhum momento desmentiu a ocorrência do encontro ou o que lhe foi dito por parte desse criminoso. Pelo contrário, em entrevista para a Folha de São Paulo o Senhor Presidente da República confirmou que se encontrou com o fulano em questão, na calada da noite, sem agendamento prévio e que o mesmo lhe confessou estar tentando subornar funcionários públicos e obstruir a justiça. Ao invés de ter tomado a única atitude digna para a pessoa que desempenha o cargo de Comandante Supremo das Forças Armadas e dado voz de prisão ao militante, o Senhor Presidente da República deixou o indigitado sair livremente do palácio presidencial. Face a essas considerações peço aos senhores e as senhoras deputado(a)s federais que votem pela admissibilidade da denúncia do Ministério Público Federal contra a pessoa do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Michel Temer”.

 

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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