Editorial do Estadão diz que intervenção no Rio de Janeiro é injustificável

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Editorial afirma que Michel Temer usará a intervenção na Segurança Pública do Rio de Janeiro para transformar eventual derrota em votação da reforma da previdência em vitória.

Neste sábado (17), o jornal Estadão, defensor do conjunto de reformas fiscais, aplicadas pelo governo Michel Temer, publicou um duríssimo editorial contra a intervenção federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro.

O texto elenca uma série de questionamentos, o primeiro deles diz respeito ao fato de a intervenção acontecer no período da votação da reforma da previdência. A constituição não permite que ela seja emendada durante intervenção federal. O presidente Michel Temer garante que cessará a intervenção caso o Congresso consiga reunir os 308 votos necessários para aprovar a reforma, mas segundo o jornal, tal situação acarretaria “inúmeras contestações judiciais e são imensas as possibilidades de o feitiço voltar-se contra o feiticeiro”.

O editorial sustenta que não há ameaça à ordem pública que justifique o decreto de Temer – e, mesmo que houvesse, “é difícil compreender por que não se poderia esperar até depois da votação”, para realizar a intervenção.

Para o jornal, a violência no Rio de Janeiro é resultado de uma combinação de fatores, construída por décadas de irresponsabilidades administrativas, conivência com o crime organizado e corrupção generalizada entre agentes do Estado e criminosos; deste modo, a intervenção federal, com prazo até 31 de dezembro de 2018, “tocará apenas na superfície do problema”.

As indagações seguem: “Mesmo limitada à segurança pública, a intervenção fará o quê? Depurará a própria polícia, tomada pelo crime organizado? Formará e treinará policiais honestos para substituir a súcia que se associou ao crime e hoje é sua linha auxiliar? Resolverá tudo isso em dez meses?” e desconfia “é lícito perguntar quais os reais motivos por trás da decisão de Temer”.

Para o Estadão, o presidente Michel Temer usou a intervenção federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro para “transformar a derrota em vitória política, talvez com vista à reeleição”. A conclusão do editorial é emblemática: “considerando o timing, é que o presidente precisava criar condições para abandonar a reforma da Previdência, em razão das dificuldades evidentes de aprová-la”.

Vale ressaltar que o Estadão, em vários editoriais, defendeu a permanência de Michel Temer – quando o presidente foi denunciado pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e julgado pela Câmara Federal – na presidência, para preservar a estabilidade econômica e aprovar as reformas, principalmente a da Previdência. Um deles é de 09 de outubro, de 2017, aqui

Link para o editorial “uma intervenção injustificável”: clique aqui

 

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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