‘Ele já admitiu e pediu desculpas’, diz Sérgio Moro sobre caixa 2 de Onyx Lorenzoni

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(Assista) Em sua primeira entrevista coletiva, o juiz e futuro ministro da Justiça ressaltou que o crime de caixa 2 é “pior” do que o de enriquecimento ilícito.

Por Rafael Bruza

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (06), o futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, foi questionado por uma jornalista sobre sua relação com o deputado federal e ministro da transição, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que ano passado confirmou ter recebido caixa 2 da JBS para pagar dívidas eleitorais e atualmente é cotado para assumir a Casa Civil no Governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), em janeiro de 2019.

O juiz federal – conhecido por julgar processos da Operação Lava Jato desde 2014 – respondeu que tem “grande admiração” pelo parlamentar, por ele ter sido “um dos poucos” que defendeu na Câmara dos Deputados a aprovação das Dez Medidas contra a Corrupção propostas pelo Ministério Público Federal (MPF), em 2017.

“Quanto a esse episódio no passado (caixa 2), ele mesmo já admitiu os seus erros, pediu desculpas e tomou as providências para reparar”, declarou Moro à jornalista.

Antes de comentar o caso de Lorenzoni, Moro ressaltou que o crime de caixa 2 é “pior” do que o de enriquecimento ilícito.

“Corrupção com financiamento fraudulento é até pior do que no primeiro caso (enriquecimento ilícito), pois afeta o jogo político democrático”, disse Moro na entrevista – a primeira concedida por ele desde que aceitou o cargo de ministro de Bolsonaro

Caixa 2

Em maio de 2017, o deputado federal, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) foi citado pelo delator e diretor da JBS, Ricardo Saud como beneficiário de uma doação de campanha eleitoral não declarada – prática conhecida como caixa 2.

Na época, o deputado assumiu o erro e afirmou que não tinha como declarar o valor na Justiça Eleitoral – assista o vídeo acima.

“Cabe-me, sim, com altivez, como um homem deve fazer, que assumi meu erro e pedir desculpas ao eleitor. A verdade tem que ser o caminho para o Brasil se reencontrar com aquilo que o Brasil quer, um Brasil limpo e correto, e quero dizer que essa responsabilidade será assumida diante do Ministério Público e do Judiciário”, afirmou.

O parlamentar disse que entregaria uma declaração ao Ministério Público Federal (MPF) assumindo a ilegalidade e eventuais sanções legais. O caso, no entanto, ainda não gerou punições ao deputado.

Segundo depoimento do delator da JBS, que foi confirmado por Onyx Lorenzoni, o dinheiro destinado irregularmente ao financiamento de campanha foi entregue pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, no dia 12 de setembro de 2014. Procurado pelo G1, na época, Camardelli não se posicionou.

Lorenzoni ministro

Onyx Dornelles Lorenzoni (DEM-RS) deve assumir um dos principais cargos do governo de Jair Bolsonaro (PSL) em 2019: a Casa Civil, que tem status de ministério.

Nesta segunda-feira (05), o deputado foi nomeado pelo atual presidente da República, Michel Temer, como ministro extraordinário do governo de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para comandar o processo de transição do novo governo. A nomeação, assinada pelo presidente Michel Temer e o ministro Eliseu Padilha, foi publicada no “Diário Oficial da União”.

Na última semana, ele se reuniu quase diariamente com o presidente eleito no Rio de Janeiro, onde Bolsonaro reside com a família.

A partir de 2019, o deputado trabalhará no Palácio do Planalto, no fundo do quarto andar, bem acima do gabinete da Presidência, que ocupa todo o terceiro andar.

A pasta é responsável por acompanhar, de forma integrada, as principais políticas públicas dos demais ministérios, coordenar os balanços de ações governamentais, publicar nomeações e exonerações, além de auxiliar na tomada de decisões do Chefe do Executivo.

Doações legais a Onyx

Conforme registros da Justiça Eleitoral, Onyx recebeu doações legais da fabricante de armas Forjas Taurus nas campanhas de 2006 (R$ 110 mil), 2010 (R$ 150 mil) e 2014 (R$ 50 mil).

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o ministro da transição de Jair Bolsonaro, Onyx LOrenzoni (DEM)

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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