Eleições da Catalunha: Ciudadanos obtém vitória histórica, mas independentistas são maioria

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Inés Arrimadas, ganhadora da noite, obtém 37 assentos no Legislativo com seu grupo Ciudadanos, que não governará.

O bloco independentista, JUNTSxCAT, ERC e a CUP somam maioria com 70 cadeiras de 135.

Baque eleitoral do PP com três deputados, que passam a ser uma força residual na Catalunha.

Adrián Argudo (Madri) – para ver la versión en español, “pulse aquí”

Independentistas obtém maioria no Parlament e irão governar a região / Foto – Reprodução

Neste dia 21 de dezembro (21-D) ocorreu outro encontro político importante que marcou o ano na Catalunha: as eleições regionais. A Catalunha, cabe relembrar, se encontrava sob tutela do artigo 155 da Constituição desde que Mariano Rajoy, presidente da Espanha, decidiu aplica-lo há dois meses. Este artigo seguirá vigente até a formação de um novo governo no Parlament. Igualmente, o Executivo da nação convocava eleições para o dia 21 de dezembro na Catalunha. Nestas últimas datas, ocorreram requerimentos, desde Madri, para saber se o então presidente regional, Carles Puigdemont, havia declarado ou não a separação da Espanha. Então a região viveu a Declaração Unilateral de Independência e a aplicação do artigo 155, antes do poder se dado a Soraya Sáenz de Santamaria (vice-presidente da Espanha). Puigdemont começou sua fuga europeia, Junqueras, ex-vice-presidente da região, foi preso junto com outros consellers e, recentemente, Mas, Rovira e Gabriel (CUP) foram imputados pelo Supremo por rebelião – este último, depois dos comícios.

Nas eleições, o Ciudadanos – que apoiou a intervenção da Catalunha – foi o partido mais votado. Mas, apesar de ter alcançado mais de 1 milhão de votos e 37 cadeiras no Parlamento catalão, não vai conseguir apoio suficiente para governar.

Agora, o Parlamento deve ser constituído e a mesa da instituição composta, para que os deputados escolham o presidente do governo catalão (Generalitat).

 Nojo parlamentário

Depois das eleições de 1 de outubro (1-O), o cenário era de máxima expectativa numa situação sem grandes incidentes. Uma das grandes questões que a campanha e, obviamente, a noite eleitoral propuseram era se o bloco independentista sairia ou não com maioria no parlamento. Assim foi. A câmara, composta por 135 parlamentares, marca maioria absoluta em 68 cadeiras.

Os independentistas somam 70 eleitos (JUNTSxCAT teve 34, ERC obteve 32 e a CUP, 4). Não em vão, em votos e cadeiras, Ciudadanos – partido que, em nível nacional, é liderado por Albert Rivera e por Inés Arrimadas na Catalunha – ganhou com 37 deputados (12 a mais que em 2015)

Ela foi parabenizada pelos números e destacou que “por primeira vez, um partido constitucionalista (contrário à independência) ganhou as eleições na Catalunha”.

Uma vitória histórica de que, entretanto, não gera governabilidade.

Entre o resto das propostas constituintes, o Partido Socialista de Catalunha subiu um, ficando em 17 deputados eleitos e a marca de Podemos obteve um discreto resultado com 8 deputados, enquanto o grande derrotado foi o PP, que caiu de 11 a 3.

Entre outras reações, está a de Carles Puigdemont em Bruxelas, que pediu a Rajoy uma “reunião sem condições” e recebeu a resposta: “gostaria de me reunir com Arrimadas, a ganhadora”, fechando a porta na cara de quem fosse líder do Govern.

Formado em jornalismo e pós-graduado em Comunicação pela Universidad Carlos III de Madrid. Apresentador de televisão na Espanha e editor-chefe no jornal regional de Madri Nuevo Cronica. Correspondente do Independente na Espanha. Serviçal do jornalismo. Professor. Torcedor do Atético de Madrid.

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