Em 15 dias, Moro apareceu 3 vezes na imprensa para se posicionar politicamente

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Exposição e posicionamentos do juiz marcaram as vésperas do depoimento de Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava a Jato.

Por Rafael Bruza

O juiz federal Sérgio Moro em vídeo gravado a “simpatizantes da Operação Lava Jato”

Os fatos

Dia 25 de abril, o juiz federal Sérgio Moro fez um artigo no O Globo lançando críticas ao projeto de abuso de autoridade. Dia 6 de maio, ele fez o polêmico vídeo em que pede para “simpatizantes da Operação Lava a Jato” não viajarem a Curitiba para o depoimento de Lula e nesta segunda-feira (08), questionou por que “partidos não instauram apurações internas e expulsam os seus membros que se envolveram em corrupção?”, durante evento no Observatório Social, em Curitiba.

No artigo publicado pelo jornal O Globo, Moro disse que “ninguém é favorável ao abuso de autoridade”, mas sinalizou que o projeto carece de “salvaguardas” a investigadores brasileiros.

“A redação atual do projeto, de autoria do senador Roberto Requião e que tem o apoio do senador Renan Calheiros, não contém salvaguardas suficientes”, afirma Moro no texto. “Admite, em seu art. 3º, que os agentes da lei possam ser processados por abuso de autoridade por ação exclusiva da suposta vítima, sem a necessidade de filtro pelo Ministério Público. Na prática, submete policiais, promotores e juízes à vingança privada proveniente de criminosos poderosos. Se aprovado, é possível que os agentes da lei gastem a maior parte de seu tempo defendendo-se de ações indevidas por parte de criminosos contrariados do que no exercício regular de suas funções”.

Onze dias depois, o juiz apareceu na imprensa novamente, desta vez em um vídeo publicado na página de sua esposa, Rosângela Moro, – seguida por mais de 750 mil pessoas – em que pede para “simpatizantes da Operação lava a Jato” não irem a Curitiba, pois

“Não costumo fazer isso, mas vou fazer isso dessa vez”, diz Moro logo no início da gravação. “Tenho ouvido que muita gente que apoia a Operação Lava Jato pretende vir a Curitiba manifestar esse apoio, ou pessoas mesmo de Curitiba pretendem vir aqui manifestar esse apoio… eu digo o seguinte: este apoio sempre foi importante, mas nessa data ele não é necessário”, afirma o magistrado no vídeo que foi publicado na página do Facebook mantida por sua mulher, Rosângela Wolff Moro.

“Tudo que queremos evitar nessa data é uma confusão e conflito, e acima de tudo não quero que ninguém se machuque em eventual discussão ou conflito nesta data, por isso minha sugestão é: não venha. Não precisa, deixe a Justiça fazer seu trabalho com normalidade, e espero que todos compreendam”, concluiu Moro no vídeo de pouco mais de um minuto.

E a terceira aparição polêmica de Moro na imprensa ocorreu na semana em que o ex-presidente Lula faz seu depoimento na Operação Lava a Jato.

Em evento em Curitiba, o juiz sugeriu que partidos políticos expulsem os filiados envolvidos em corrupção.

“Tudo depende do poder público. Por que esses partidos não instauram apurações internas e expulsam os seus membros que se envolveram em corrupção?”, questionou Moro durante evento promovido pelo Observatório Social, em Curitiba.

O juiz também sugeriu uma alternativa. “Pode ser feito no âmbito do Congresso, no âmbito da Comissão de Ética”, disse.

A análise – Opinião

Esses fatos descritos acima apresentam três posturas midiáticas e politizadas que destoam daquele juiz Sérgio Moro que costumava fazer declarações apenas nos autos de suas decisões.

Agora Moro escreve artigo no jornal, faz vídeo para seus seguidores nas redes sociais e questiona “por que partidos políticos não expulsam seus membros corruptos” – como se o poder Judiciário fosse exemplo de ética nesse sentido e não punisse juízes vendidos apenas com aposentadoria compulsória.

Lula obviamente politiza seu julgamento na Justiça, faz campanha eleitoral enquanto recebe acusações de corrupção e aproveita sua popularidade na opinião pública e na imprensa progressista para se defender.

Mas a diferença entre Lula e Moro, nesse ponto, é que o ex-presidente de fato é uma figura política, líder partidário, referência em sindicatos e lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2018, enquanto Sérgio Moro é juiz. Suas decisões impactam diretamente a vida dos envolvidos nos processos judiciais e sua profissão pede o máximo de isenção possível e distância dos holofotes para que, de fato, a “Justiça” seja feita com equilíbrio e imparcialidade.

Ou seja: Lula é político e vive a política, independentemente de concordarmos com ele ou não, isso é fato.

Moro é juiz e não pode se pautar pelo que ocorre na política nacional, pois sua função é simplesmente aplicar a lei – como ela é, não como ele gostaria que fosse.

Ponto.

Quando o juiz adquire posturas políticas como as citadas acima, os argumentos do ex-presidente Lula que falam em perseguição judicial com fins políticos acabam fortalecidos e adquirem mais adeptos na sociedade, que obviamente passam a duvidar da Justiça e das instituições brasileiras.

Então as aparições políticas do juiz Sérgio Moro são problemas para ele e para as próprias investigações da Operação Lava a Jato, que são mais questionadas e geram mais dúvidas ou paixões na sociedade ao prejudicar ou favorecer de forma explícita, determinados agentes reconhecidos nacionalmente, como o próprio Lula.

Nesse sentido, então, eria mais conveniente respeitar a essência das profissões institucionais do Brasil.

Mas, nesses dias, temos jornalistas julgando como juízes, cidadãos tentando intervir no poder Judiciário e um juiz que gosta de seguidores e holofotes políticos, enquanto se diz imparcial.

Há muitas questões distorcidas nesse julgamento, que ainda virou espetáculo para toda nação, graças a conduta recente da imprensa.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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