Emenda Lula

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Vicente Cândido (Foto: Agência O Globo)

Nunca antes na história desse país o povo foi tão feito de idiota

Por J. R. R. Brion

Quando cremos que nada mais absurdo pode vir a existir, vemos a manchete: “Emenda Lula quer barrar prisão de candidatos até 8 meses antes da eleição” (UOL Notícias). Naturalmente, é compreensível que queiram anistiar o ex-presidente Lula, após ser condenado a 9 anos e 6 meses de prisão pela Operação Lava-Jato. No entanto, as complicações acerca disso fogem, e muito, do que o deputado Vicente Cândido (PT-SP) analisou: e os criminosos que procuram lançar suas candidaturas exatamente para cometerem crimes e esquivarem-se da prisão?

Pior que isso! Essa é uma tentativa de mudar a lei em prol de um único indivíduo… Só isso já seria tenebroso, no entanto, fica ainda pior quando vemos o quanto o deputado petista pouco se importa com a opinião da sociedade que, a cada dia, é mais e mais ofendida pelos políticos – das mais variadas formas: desde propostas indecentes até comportamos vergonhosos.

Tal emenda nos faz repensar veementemente: em que mundo vivemos? Em que país estamos? O que diabos está acontecendo com o Brasil? Em 500 anos de história e 127 de República (em novembro ‘comemoraremos” 128), acredito que nenhum cidadão brasileiro realmente pode bater no peito, com orgulho, e dizer que ama a República ou, pior ainda, citar um momento feliz desse nosso governo.

É inacreditável como, na cara dura, apontam o dedo contra a face do povo brasileiro e dizem que trabalhamos para eles e não eles para nós! Há uma total inversão de valores na sociedade e nosso povo precisa abrir os olhos! Não é uma questão de esquerda ou de direita, não é uma questão partidária, mas sim uma questão social que influencia diretamente na vida de todos os mais de 200 milhões de brasileiros.

Passamos pelo Primeiro Reinado, de Dom Pedro I. Brasil estava capengando, graças à Portugal, que explorou o Brasil de forma desenfreada. Quando Dom Pedro I ascendeu ao trono do Imperador, teve que lidar com um país socialmente devastado, militarmente ridículo e com uma situação ante o mundo de colônia que virou reino e reino que virou império, ou seja, o mundo não confiava no Brasil… Justo quando as ideias de expansão industrial mais importavam. No entanto, passamos por Dom Pedro II. O Brasil teve um grande aumento social, criação de escolas e universidades. Aumento exponencial da capacidade militar (chegando a ser a segunda maior potência bélica, atrás apenas do Império Britânico), finalmente o mundo conhecia e reconhecia o Brasil.

Logo tivemos o golpe militar de 1889, quando Deodoro chegou ao poder: um monarquista ferrenho do dia para a noite deu um golpe militar (mas isso é assunto para outro capítulo de minha coluna). No poder, imediatamente aumentou o seu próprio salário e silenciou todos os opositores. Não foi uma proclamação republicana: foi um terrível golpe, pelo simples fato de a Princesa Isabel ter dado alforria absoluta com a lei Áurea aos escravos.

Passaram-se décadas e tivemos finalmente um incentivo industrial, por meio de outro golpe: Getúlio Vargas. Foi ali, na década de 30, que o Brasil resolveu evoluir. Mas era tarde demais, o mercado já não confiava num país agrário e cujo mercado era exportação de café. Anos depois, na década de 60 houve uma nova ditadura militar. E, nos dias de hoje, passamos por uma crise política e institucional que, se eu não estivesse vivo nessa época, não creria que foi tão devastadora para o povo brasileiro.

Enfim, revirei alguns assuntos do passado apenas para destacar: desde a imposição da República, nossos líderes nunca se preocuparam com a opinião popular. Isto é, Deodoro da Fonseca depôs um líder com 90% de aprovação popular e que, até mesmo, recebera votos para presidente nos Estados Unidos – mesmo não sendo um candidato. Reitero, novamente: nossos políticos riem da nossa cara.

O Brasil é uma linda peça de teatro e nós fazemos muito bem o papel de palhaço.

J. R. R. Brion

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