Entenda como e por que Rodrigo Maia pode virar presidente da República

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O contexto político, o perfil de Rodrigo Maia e as intenções da base política do Governo Temer fortalecem a tese de que o presidente da Câmara dos Deputados irá assumir a Presidência da República de forma definitiva no futuro.

Por Rafael Bruza

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEm-RJ) em sua cerimônia de posse / Foto – Repr5odução (Agência Câmara)

A classe política, a imprensa e o mercado financeiro já especulam que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) deve virar presidente da República nas próximas semanas ou meses, diante da crise política instalada no Governo Temer.

No domingo (09), Maia fez um jantar fechado em sua residência, com pizza e sopa, onde disse que a queda do atual presidente é irremediável, segundo a Folha de S. Paulo. Na visão de Maia, Michel Temer pode ser salvo pelos deputados na votação desta denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que será realizada nos próximos dias, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), logo no plenário da Câmara dos Deputados.

Mas, em breve, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve fazer outra denúncia por crime comum contra o presidente da República.

Neste caso, a avaliação de Rodrigo Maia é que o resultado da primeira votação terá influência direta sobre a segunda, pois os deputados da base supostamente estariam dispostos a se desgastar apenas uma vez em defesa do presidente da República.

Em uma segunda ocasião, a defesa de Temer, feita por seus aliados, seria “mais difícil”.

No jantar do domingo, ainda segundo a Folha de S. Paulo, Rodrigo Maia afirmou que havia conversado com “gente importante” que tinha a mesma avaliação.

A resistência da base aliada em defender o presidente da República nas duas denúncias da PGR, fortalece a tese de que Rodrigo Maia será presidente da República no futuro.

Presidente por sucessão

O rito da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) também tende a criar uma conjuntura política favorável à chegada de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Presidência da República.

Denúncias de crime comum feitas contra o presidente da República precisam de dois terços (342, na atual composição) dos votos da Câmara dos Deputados para retornar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Caso os deputados e o Supremo aceitem a denúncia contra Michel Temer – seja esta primeira ou a segunda -, o presidente da República é afastado de seu cargo por até 180 dias, que são 6 meses.

Nesta hipótese, o presidente da Câmara dos Deputados assumiria a Presidência da República até que o julgamento do presidente termine no STF.

Traduzindo: caso a Câmara dos Deputados e a Suprema Corte aceitem a denúncia da PGR contra Michel Temer, Rodrigo Maia assume a Presidência da República direta e provisoriamente, até que o julgamento de Temer termine.

Nesta situação, seria improvável que Temer voltasse ao cargo no lugar de Maia.

A defesa do presidente possui principalmente teor jurídico, ou seja, questiona as acusações desde o ponto de vista do Direito. Uma das primeiras declarações do advogado de Temer com características políticas, dirigidas às pessoas, foi feita apenas na segunda-feira (10), quando Antônio Cláudio Mariz de Oliveira declarou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados que é “mentira” que Temer tenha “recebido um vintém”.

Enquanto isso, o presidente chegou a uma aprovação de apenas 7% da sociedade, segundo o Datafolha, com reprovação de 61%, enquanto responde a acusações de corrupção feitas pela JBS, que possuem ampla repercussão na imprensa e na sociedade.

Rodrigo Maia, no entanto, não foi citado pela JBS. Em abril, o presidente da Câmara apareceu delações da Odebrecht, que o acusam de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Defendeu-se dizendo que as acusações são falsas e que o inquérito autorizado pelo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, será arquivado.

Em paralelo, as delações da Odebrecht se distanciaram do noticiário nos últimos meses, em que as acusações da JBS viraram referência, e Rodrigo Maia não costuma receber críticas severas de corrupção, ao contrário de Michel Temer.

Maia também possui um perfil relativamente próximo ao do atual presidente: é articulador, prefere bastidores da política que holofotes da imprensa e possui “agenda sintonizada” com a do presidente da República, “com foco no mercado financeiro e com o setor privado”, segundo ele mesmo declarou no final de maio.

Como as bases políticas do Governo Temer – que são as instituições financeiras, o empresariado e a Grande Imprensa -, defendem, antes de nada, aprovação das reformas da Previdência e Trabalhista, seja com Rodrigo Maia ou com Michel Temer, e como as acusações da JBS comprometeram a aprovação destas medidas com citação direta ao presidente da República, a tendência é que um afastamento provisório de Temer obtenha caráter definitivo uma vez que seja realizado.

Em outras palavras, e como dito acima,: se Temer for afastado da Presidência pelo Supremo Tribunal Federal, dificilmente voltará para o cargo, pois a imprensa, o mercado financeiro e a base aliada do presidente veriam mais facilidade em aprovar as reformas com Rodrigo Maia na Presidência do que com o desgastado Michel Temer.

Então haveria profunda pressão a favor da renúncia de Temer e de Rodrigo Maia para presidente.

Caso Temer renuncie ou tenha o mandato cassado pelo Supremo, seriam convocadas eleições indiretas para o cargo de maior autoridade no Estado Brasileiro, o presidente da República, feitas no Congresso Nacional, sem participação direta da sociedade.

Rodrigo Maia é um nome que agrada a base política do Governo Temer, como dito antes, e já estaria na Presidência neste eventual cenário.

Portanto, o atual presidente da Câmara seria um dos principais candidatos para assumir a Presidência da República de forma definitiva, no lugar de Temer.

Por isso já aparece nas previsões de políticos, empresários, jornalistas e cidadãos, como próximo presidente da República.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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