Entenda o vídeo viral do blogueiro ligado ao MBL na TV Globo

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Carlos Afonso mostra “fake news” de colunistas do jornal O Globo a um jornalista do Profissão Repórter (TV Globo), mas é acusado de divulgar informações falsas sobre Marielle Franco em blog ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL).

Análise – Por Rafael Bruza

O blogueiro Carlos Afonso, conhecido como Luciano Ayan, e o jornalista do Profissão Repórter

Milhões de internautas assistiram o vídeo viral de Carlos Afonso, blogueiro ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), que aponta fake news do Grupo Globo durante uma entrevista ao Profissão Repórter, programa da emissora, enquanto o jornalista demonstra desconforto com a declaração – “veja aqui”.

No Youtube, páginas ligadas ao MBL, como o canal MamãeFalei , afirmam que o blogueiro causou a ‘destruição da Globo” ao gravar a entrevista na íntegra e expor as “mentiras” da emissora, também acusada de cortar o trecho da entrevista.

Mas o MBL não informa seus seguidores que o homem do vídeo, Carlos Afonso, é conhecido por controlar o perfil de Luciano Ayan e o blog Ceticismo Político, ambos ligados ao movimento e acusados na Justiça de difundir informações falsas sobre a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), em ação movida pela parceira e filha da psolista.

O programa Profissão Repórter, da TV Globo, entrevistou o blogueiro para falar sobre notícias falsas neste caso. Mas o movimento selecionou apenas o trecho que interessa a ele e seus aliados – apesar de acusar a Globo de fazer o mesmo.

Não existe, no entanto, santo nesta história. A Globo e outros meios de comunicação ignoram há meses o papel de veículos da Grande Mídia na divulgação destes boatos contra Marielle Franco.

Segundo pesquisa do Monitor do Debate Político no Meio Digital, publicada em abril, o MBL, o Ceticismo Político, o jornal Folha de S. Paulo e a revista Veja contribuíram para a difusão de boatos sobre Marielle – todos.

Isso porque todos divulgaram declaração da desembargadora Marília Castro Neves, do TJ-RJ, sem desmentir a informação de que Marielle de estaria “engajada com bandidos”.

“A coluna de Mônica Bergamo (Folha de S. Paulo) repercutiu a postagem da desembargadora na noite do dia 16 e foi seguida pelo site Ceticismo Político, replicado pelo MBL e pela revista Veja. Juntos, somaram, em menos de um dia, mais de 650 mil compartilhamentos no Facebook. Como as manchetes não mencionavam que os boatos eram falsos, as matérias serviram como meio adicional de difusão das informações falsas”, diz a nota do projeto coordenado pelos professores Pablo Ortellado e Márcio Moretto Ribeiro, no campus leste da Universidade de São Paulo (USP).

Os perfis de Carlos Afonso tinham milhares de seguidores no Facebook. Foram considerados falsos pela empresa e apagados na época, por conta do caso.

No final de março, Justiça do Rio também ordenou que o Facebook excluísse publicações caluniosas sobre a vereadora e informasse se os perfis de “Luciano Ayan”, “Luciano Henrique Ayan” e Movimento Brasil Livre impulsionaram postagens com publicidade paga por conta do grande número de compartilhamentos.

Na prática. O MBL fala da Grande Mídia, mas esquece que praticou fake news. Os veículos da Globo falam do MBL, mas não informam que Folha e Veja começaram o boato espalhado pela desembargadora do TJ-RJ.

Será que alguém consegue contar a história completa?

Veja comentário em vídeo do caso:

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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