Estas duas pessoas defendem a revogação do Estatuto do Desarmamento

0

É com este exemplo que Arthur Moledo e Eduardo Bolsonaro defendem mais armas nas mãos da população?

Opinião – Por Rafael Bruza

Arthur Moledo e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ) posam com armas em foto divulgada nas redes sociais / Foto - Reprodução (Facebook)
Arthur Moledo e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ) posam com armas em foto divulgada nas redes sociais / Foto – Reprodução (Facebook)

O youtuber Arthur Moledo , do canal Mamãefalei, no Youtube, ficou conhecido nas redes sociais por fazer vídeos que mostram contradições e ironias em opiniões de esquerda. Todos os vídeos são editados, claro, para mostrar o que o autor pretende. Mas na entrevista que Arthur fez com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ), filho de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), não houve provocação. Não houve perguntas incômodas. Nem sequer uma edição que selecione “as melhores” palavras do entrevistado, como costuma ocorrer.

A postura amiga do entrevistador não existe quando o entrevistado é de esquerda, como sabemos. Mas não pretendo falar sobre este assunto nesse texto.

Quero falar sobre a foto de Arthur e de Bolsonaro que circula pelas redes sociais, onde ambos aparecem carregados de uma “12” e uma pistola, acompanhados pela frase: “eu vou te matar pacificamente” (e uma publicidade de Bolsonaro abaixo, em menor dimensão).

Alguns sites disseram que essa foto é uma apologia à violência. Outros internautas que viram a foto apenas pediram para o deputado “converter” o youtuber do MBL em conservador (olhem os comentários do post). E eu, pessoalmente, acho que temos diante de nós a oportunidade perfeita de analisar a conduta daqueles que defendem a revogação do Estatuto do Desarmamento num momento em que eles não esperavam.

Segundo o Mapa da Violência, cerca de 42 mil pessoas morreram no Brasil em 2012 vítimas de armas de fogo. Isso equivale a 116 mortes por dia no país. Então o debate sobre essa questão é extremamente sério e exige equilíbrio da parte de todos.

Há um ano, uma comissão da Câmara dos Deputados, onde Eduardo Bolsonaro tem assento pelo Partido Social Cristão, aprovou um projeto de lei que diminui a idade para o porte de armas e aumenta o número de armas que uma pessoa pode ter.

Trata-se da revogação do Estatuto do Desarmamento, que ainda não foi votado em plenário nem na Câmara nem no Senado.

Os argumentos a favor da medida no geral dizem que o cidadão precisa se defender de criminosos diante de um Estado falido e de uma polícia que não tem recursos suficientes para prender criminosos na Justiça. Com isso, as pessoas teriam interesse em se armar para defender sua propriedade através da legítima defesa, mas sem cometer crimes, obviamente.

É uma visão que se fundamenta na parcela da realidade, tendo em vista que o Estado brasileiro possui gravíssimos problemas para conter a segurança e que muitos policiais se sentem desamparados por seus comandantes (alguns inclusive optaram por criar grupos de extermínio para fazer “justiça” com as próprias mãos).

Mas, tratando-se de armas, vidas e mortes, prefiro olhar esses argumentos com muitas ressalvas.

Pessoalmente eu me sentiria ainda mais inseguro sabendo que estes dois cidadãos da foto estão armados (e Eduardo Bolsonaro está por ser agente da Polícia Federal).

A questão é: se policiais militares já possuem profundos problemas de estrutura emocional e optam por criar horripilantes grupos de extermínio diante de suas frustrações com o Estado, o que dizer dos cidadãos comuns?

O brasileiro é um povo passional. O homem cordial, tão bem descrito por Sérgio Buarque de Hollanda em Raízes do Brasil, descreve o cidadão comum que age emocionalmente, às vezes por impulso, em situações cotidianas, sempre com tendência em valorizar demais o “eu” e de menos o “nós”.

Convenhamos que não podemos dar mais armas a um povo com estas características achando que elas diminuirão as taxas de homicídio já altíssimas… Se a proposta fosse vigorar na envelhecida e pacata Suíça, talvez esses argumentos surtissem mais efeito em minha mentalidade.

Mas sou incapaz de acreditar na ideia de que mais armas geram menos violência, ainda mais sabendo que pessoas como Arthur e como Eduardo Bolsonaro desejam aplicar essa flexibilização do Estatuto do Desarmamento aqui no Brasil.

Ora, o próprio Eduardo Bolsonaro não teve estabilidade suficiente para aguentar a cuspida que Jean Willys tentou dar em Jair Bolsonaro no dia da votação do Impeachment na Câmara dos Deputados.

Naquela ocasião, o deputado retribuiu o cuspe com outro cuspe e foi flagrado pelas câmeras da casa, apesar de nunca ir parar no Conselho de Ética.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

Facebook Twitter LinkedIn 

Comente no Facebook