Estudante é suspensa por publicar panfleto que proíbe ensino de ‘sexo’ e ‘esquerdismo

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O Colégio Univest, de Lages, SC, distribuiu um panfleto que diz: “na escola não se aprende sobre sexo, ideologia de gênero, ativismo LGBT, comunismo e esquerdismo” e suspendeu por dois dias uma estudante que publicou a imagem viral no Facebook criticando a mensagem.

Por Rafael Bruza

O panfleto (esq.) publicado pela estudante e o termo de suspensão / Foto –
Reprodução (Facebook)

Uma estudante do Colégio Univest, localizado em Lages, Santa Catarina, foi suspensa nesta quarta-feira (18) após publicar no Facebook um panfleto em que o colégio proíbe o ensino de “sexo, ideologia de gênero, ativismo LGBT, comunismo e esquerdismo”. A foto viralizou esta semana – até às 20h desta quinta-feira (19), o post obteve 855 curtidas, mais de 200 comentários e 723 compartilhamentos – e a aluna de 15 anos foi suspensa por “denegrir a imagem da escola nas redes sociais”, segundo o termo de suspensão.

Segundo a estudante, o panfleto foi distribuído por uma secretária da escola a todos os alunos do ensino fundamental e médio como um “recado” a estudantes e pais. Ela entende que essas determinações do panfleto atrapalham o desenvolvimento de senso crítico dos alunos.

“Na terça à tarde recebemos um panfleto distribuído durante a aula pelo próprio colégio. Eu realmente não sei por que elaboraram este panfleto, não houve nada na escola, mas provavelmente porque esses assuntos estão vindo à tona e os alunos querem debater. Esse panfleto foi entregue a todos os alunos do ensino fundamental e médio, ‘como recado para nós e os nossos pais’ Eu acho que isso vai totalmente contra o espirito pensante que a escola tem que ter, debate desses assuntos fazem nós alunos criarmos senso crítico”, disse a estudante.

A página do Colégio no Facebook está fora do ar. Páginas como a Jovens de Esquerda incentivaram seus seguidores a criticarem a escola nas redes sociais.

Outro lado

O Diário Catarinense conversou com o reitor do Centro Universitário Facvest, a qual o Coleégio Univest é submetido. Giovani Broering confirmou que o ofício foi entregue aos alunos e que as duas garotas foram suspensas. Com relação à perda da bolsa de uma das meninas, ele se limitou a dizer que “toda ação tem uma consequência”.

“A instituição não discute questões de sentimento com o aluno, nós discutimos ciência. Sexualidade é sentimento para ser discutido no âmbito familiar. A relação das pessoas é formada no seio familiar. A instituição diz aos alunos quais são as regras de conduta: acreditar nas pessoas, não olhar a quem, ser responsável por aquilo que faz“ afirmou o reitor.

Broering reforçou que assuntos que fogem às disciplinas não são tratados em sala de aula e afirmou que, quando há alguma situação pontual de desrespeito entre os alunos, os pais são acionados e os responsáveis são punidos por meio das sanções determinadas pela instituição.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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