Estudo aponta que o Brasil registra 10 estupros coletivos por dia

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Em cinco anos, o número de estupros coletivos dobraram, no Brasil, aponta estudo

Dados do Ministério da Saúde, obtidos pela Folha de SP, mostram que em cinco anos o número de estupros coletivos no Brasil mais que dobrou.

De 2011 a 2016, houve aumento de 125% nas notificações, elevando de 1570 para 3526 o número de casos, o equivalente a dez ocorrências por dia. As notificações sobre estupros em geral subiram de 12.087 para 22.804 em 2016.

Acre, Tocantins e Distrito Federal lideram o ranking das maiores taxas de estupro coletivo por 100 mil habitantes, com 4,41; 4,31 e 4,32, respectivamente.

Segundo dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), somente 10% dos casos são notificados. Apesar de o Ministério da Saúde exigir a notificação de casos de violência sexual nos serviços de saúde pública e privada, nem todos os municípios e estados fornecem os dados, o que mostra que os números podem ser ainda mais assustadores.

Para a socióloga Priscila Aquino (Instituto Federal de São Paulo – IFSP), “quando o assunto é violência contra a mulher não dá para pensar em uma alternativa, é necessário pensar em um conjunto de ações no sentido de Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra Mulher, a fim de garantir a todas as mulheres uma vida sem violência. O trabalho de conscientização, focadas em crianças e adolescentes em escolas e comunidades, trabalhando questões de gênero, direitos humanos, diversidade, violência etc, acredito ser a ação mais promissora no campo da prevenção. Porém quando o crime já foi cometido, o agressor deve ser punido, pois muitas vezes, a descrença na justiça e a falta de punição aos agressores facilitam a repetição da violência contra as mulheres. Acredito que caiba problematizar e discutir o tipo de punição nesses casos de violência, no sentido de averiguar a sua eficácia”.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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