A Europa de joelhos

0

A França estendeu o estado de emergência em seu território e a Alemanha sofreu 3 ataques nos últimos 10 dias feitos por indivíduos solitários de origem árabe.

Análise – Rafael Bruza

Policial recolhe evidências após ataque de jovem atirador em Munique / Foto - Reprodução
Policial recolhe evidências após ataque de jovem atirador em Ansbach, onde um homem-bomba matou a si mesmo e feriu 12 pessoas/ Foto – Reprodução

Se os países europeus e norte-americanos participaram de guerras, massacres e assassinatos na Ásia e África nos séculos anteriores, dessa vez quem promove o terror são os árabes e os africanos contra os europeus e norte-americanos.

Ao fundo, o caminhão que atropelou as pessoas em Nice, sul da França / Foto - Reprodução
Ao fundo, o caminhão que atropelou as pessoas em Nice, sul da França / Foto – Reprodução

No dia 14 de julho em Nice, na França, morreram quase 100 pessoas atropeladas por um caminhão durante a tradicional queima de fogos dos Alpes Marítimos. O autor do ataque era Mohamed Lahouaiej Bouhlel, um cidadão francês de origem tunisiana que foi abatido após os atropelamentos.

As agências de segurança da França não encontraram vínculos entre o homem e o ISIS (Estado Islâmico). Mas a imprensa ocidental afirma que ele fazia parte do grupo citando comunicado da agência de notícias Ama, ligada ao ISIS. A agência disse que Mohamed Lahouaiej Bouhlel era “um de nossos soldados” e teria agido com orientação de atacar cidadãos de países que participam de ações militares contra o EI no Iraque.

De qualquer forma, o presidente francês, François Hollande, estendeu por mais três meses o estado de emergência do país e disse que os franceses permanecem “sob ameaça terrorista”.

Ataques na Alemanha

Após o atentado de Nice, o grande alvo de ataques foi a Alemanha. Foram três em menos de uma semana, em diferentes zonas do país.

Na terça-feira (19), seis dias após o atentado da França, um jovem paquistanês de 17 anos que fingiu ser afegão quando chegou na Alemanha em 2015, feriu gravemente quatro passageiros de um trem de Wurzburgo, no sul do país, com uma faca e um machado.

O homem não estava registrado nos serviços de inteligência do país, mas a imprensa novamente atribuiu o ataque ao Daesh (Estado Islâmico) depois que a agência de notícias Amaq repetiu a conduta do caso de Nice e disse que era um de seus combatentes.

“O agressor do ataque a machadadas na Alemanha era um dos combatentes do Estado Islâmico e realizou a operação em resposta a pedidos para atacar os países da coalizão que luta contra o Estado Islâmico”, afirma a agência em comunicado.

Não se sabe ao certo se os atacantes receberam orientações do Daesh ou seguiam o grupo ideologicamente.

Familiares das vítimas lamentam mortes em Munique, diante de memorial / Foto - Reprodução
Familiares das vítimas lamentam mortes em Munique, diante de memorial / Foto – Reprodução

O atirador de Munique

Na sexta-feira (22), David S. Seus. David, um jovem alemão de 18 anos, com problemas psiquiátricos e origem iraniana, matou pelo menos nove pessoas, feriu outras 27 e logo se matou em Munique, no sul da Alemanha.

O atirador começou a disparar na frente de um McDonalds e foi andando e gritando enquanto disparava.

Um policial chegou a perseguir o rapaz, mas o encontrou morto com um tiro na cabeça disparado por ele mesmo com a Glock de 9mm comprada na Internet.

Não foi revelado vínculo direto com o Daesh (Estado Islâmico), mas as autoridades alemãs encontraram material relacionado a atiradores solitários na casa do atirador. Os investigadores também indicaram que o jovem preparou o atentado durante um ano.

Mas não se sabe se o ataque foi planejado ou se o atirador tinha alvos específicos.

Antes dos ataques, as autoridades alemãs receberam alertas de agências de inteligência de outros países que alertavam a possibilidade de atentados no país. Mas mesmo assim, ocorreram três ataques em menos de uma semana no país.

O jornal Der Spiegel afirmou que “as autoridades alemãs estão fazendo tudo que podem para proteger os cidadãos”.

Policiais investigam o local do atentado em Ansbach, Alemanha / Foto – Reprodução
Policiais investigam o local do atentado em Ansbach, Alemanha / Foto – Reprodução

Homem-bomba no sul do país

Após dois ataques na Alemanha na terça (19) e na sexta (22), um imigrante sírio de 27 anos morreu ao explodir duas bombas em uma mochila ao lado de um restaurante lotado na cidade alemã de Ansbach, no domingo (24). A explosão deixou 12 pessoas feridas, com 3 em estado grave e matou o iraniano. O ataque foi feito em um fim de semana que ocorria um festival de música ao ar livre.

Antes do atentado, a Alemanha negou asilo ao homem. O ministro do Interior da Baviera, Joachim Herrmann, disse que ele chegou ao país há dois anos e possuía um documento temporário, além de ter recebido um apartamento dos serviços sociais.

O ministro também disse que um vídeo supostamente vincula o homem com o ISIS (Estado Islâmico). Mas não há confirmação da informação.

Pânico no continente

Com a sequência de ataques ocorrida em pouco espaço de tempo, os alertas de autoridades de toda Europa dispararam.

O metrô de Milão, na Itália, onde não ocorreram atentados recentemente, foi evacuado nesta segunda-feira (25) por suspeita de bomba, depois que um pacote suspeito foi encontrado em uma das linhas.

Estatística de atentados

Dados do Global Terrorism Database, coordenado por grupo de pesquisadores com sede na Universidade de Maryland, nos EUA, indicam que o número de atentados caiu em todo o mundo, menos na Europa e na América do Norte. Ou seja, há aumento de atentados nesses continentes ocidentais. Mas mesmo assim, o número de ataques no Hemisfério Norte corresponde a apenas 3% dos os 14.806 casos registrados em 2015.

O Oriente Médio e o norte da África sofrem 40% dos atentados, que correspondem a 6 mil casos do total. Entretanto, o número de ataques nesses continentes caiu 12% em relação ao ano anterior, quando ocorreram 16.840 casos.

O número de atentados na Europa é bastante inferior. Em 2014 foram 214 ataques e em 2016, 321.

Na América do Norte ocorreram 34 em 2014 e 62 em 2015.

O jovem atirador de Munique, que matou nove pessoas e feriu outras 27 antes de se matar / Foto - Reprodução
O jovem atirador de Munique, que matou nove pessoas e feriu outras 27 antes de se matar / Foto – Reprodução

Por que ocorrem ataques solitários?

O internacionalista Jean Marcouizos indica que a crise de identidade e a exclusão de cidadãos europeus de origem asiática ou africana costuma ser um dos fatores que contribuem para o crescente numero de atos terroristas.

“Os recentes ataques na França e Bélgica foram praticados por cidadãos franceses e belgas, filhos de imigrantes que passam por uma grave crise de identidade. Sem serem completamente aceitos como europeus e ao mesmo tempo sem terem vínculos com o país de seus pais ou avós, o extremismo religioso se torna uma alternativa para encontrar identidade. Podemos ver isso em muitos casos de cidadãos europeus que se juntaram as fileiras do Daesh ou que praticaram ataques influenciados por suas ideias, mas sem serem aliciados diretamente”.


Atualização: na manhã desta terça-feira (26), um padre, duas freiras e dois fiéis foram feitos reféns por dois homens na Normandia, no norte da França. O padre foi morto. Três reféns ficaram feridos, sendo um em estado grave. Os dois homens foram mortos pela Polícia. E novamente o Daesh reivindicou autoria do ataque. É o 5º ataque em 12 dias no continente.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

Facebook Twitter LinkedIn 

Comente no Facebook