Eventual candidatura de Doria à Presidência divide o PSDB

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Há uma “lei do silêncio” de cara ao público que evita posicionamentos claros, mas os escândalos envolvendo o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e as divisões entre Doria e Alckmin marcam pontos de divisão dentro do PSDB.

Opinião – Por Rafael Bruza

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) / Foto – Reprodução

Analisem este cenário: a capa da Veja desta semana divulga um trecho da delação do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Junior, dizendo que Aécio Neves recebeu propina em Nova York. O senador nega. Mas o texto da revista é enfático ao misturar informação com opinião, como de costume.

“O senador Aécio Neves é o terceiro grão-tucano a cair na teia de delações da Odebrecht — e em relação aos seus antecessores, José Serra e Geraldo Alckmin, é seguro dizer que sua situação é um pouco pior”, diz o início da reportagem.

Já não existe, portanto, o protecionismo a Aécio Neves que vimos, por exemplo, antes da campanha eleitoral de 2014.

Podemos dizer que a Veja está abandonando Aécio para fechar com quem?

Com Doria, claro!

Enquanto isso, a ideia de que o prefeito dispute as eleições presidenciais de 2018 ganhou força dentro do PSDB.

Doria prometeu uma “lei do silêncio” sobre sua eventual pré-candidatura para evitar problemas com Alckmin, que foi seu padrinho político nas eleições municipais de 2016.

Se Doria se aliar com Aécio para ser candidato à Presidência será uma traição. Sem o governador Geraldo Alckmin ele jamais teria sido eleito prefeito”, disse o deputado estadual Campos Machado, presidente estadual do PTB e secretário nacional da legenda.

Mas, a despeito da lei do silêncio, dentro do partido existem divisões que também são visíveis, por exemplo, na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo publicada nesta terça-feira (04).

“Diante das especulações em torno de uma candidatura de João Doria em 2018, pessoas próximas ao governador Geraldo Alckmin sugeriram que ele (Geraldo Alckmin) volte sua atenção para Brasília e tenha por lá um articulador de confiança de sua pré-campanha a presidente”, diz a coluna.

Traduzindo: aliados do governador de São Paulo estão dizendo que Alckmin tome providências para fortalecer sua pré-candidatura em Brasília e garanta seu espaço, em detrimento de João Doria.

Os aliados sugeriram nomes que podem ser o articulador de Alckmin em Brasília. A coluna disse que, entre as sugestões, estão o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) e o ex-ministro do TCU, José Jorge, que foi candidato a vice de Alckmin na eleição presidencial de 2006Folha.

Então a articulação pode começar nos próximos dias ou semanas.

Em paralelo, servidores da Prefeitura de São Paulo – comandados por João Doria – estão rachados sobre a ideia do tucano disputar a Presidência da República.

O Painel da Folha também fala que a eventual candidatura de Doria gerou um “cabo de guerra” dentro da casa.

“De um lado, o vice Bruno Covas e os secretários Julio Serson e Anderson Pomini defendem que o prefeito concorra em 2018. Na outra ponta, o secretário de Governo, Julio Semeghini, homem de Geraldo Alckmin no governo paulistano, comanda o grupo que tenta convencer Doria a adiar a ideia”.

Bruno Covas é neto do ex-governador, o falecido Mário Covas (PSDB). É um “queridinho” dentro do partido.

Caso Doria decida disputar a Presidência da República, Covas assumiria a Prefeitura da maior cidade da América do Sul e ganharia visibilidade suficiente para crescer na política nacional.

Por essas – e outras – Bruno Covas apoia a candidatura de seu prefeito.

Mas como diz a coluna, aliados de Alckmin na Prefeitura se posicionam contra a candidatura de Doria, pois querem que o governador seja presidente.

Antigo racha

Convém lembrar que o PSDB já teve um grave “racha” nas votações – prévias e internas – do partido que decidiriam o candidato tucano para as eleições municipais de São Paulo de 2016.

Tucanos como o senador José Aníbal (SP) e o ex-vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman acusaram Doria de comprar votos nas prévias.

Esta votação gerou até confronto físico entre filiados do PSDB.

Logo o vereador Andrea Matarazzo se desfiliou da sigla após derrota para Doria nas prévias e disputou as eleições como vice de Marta Suplicy (PMDB).

Na época, Doria minimizou as acusações e disse que não atrapalhariam na campanha.

“Mas isso não me faz tratar o José Aníbal e o Alberto Goldman como inimigos. Isso faz parte do jogo”, disse Doria na época.

Agora que o prefeito pretende disputar a Presidência, começa a surgir um novo racha.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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