FIFA pede menos imagens de torcedoras ‘atraentes’ em transmissões da Copa

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Após 30 casos de assédio registrados, um diretor da entidade conversou com empresas responsáveis pelas transmissões para combater o sexismo no futebol.

Por Rafael Bruza

Sala do VAR, sigla em inglês para árbitro assistente de vídeo

O diretor de Sustentabilidade e Diversidade da FIFA, Federico Addiechi, pediu que as empresas responsáveis pela transmissão de jogos da Copa do Mundo da Rússia de 2018 mostrem menos cortes de mulheres consideradas ‘atraentes’ nas arquibancadas, como parte dos esforços para combater o sexismo no futebol.

“Cobramos empresas individuais e nossos próprios serviços oficial de transmissão”, disse o diretor da entidade, em entrevista à BBC.

Addiechi também declarou que a FIFA não era “proativa” nesta questão e afirmou que “tomaria medidas contra o que seja mal feito”.

Questionado se esta política pode se tornar oficial dentro da FIFA, o diretor declarou que ainda não existem projetos de campanha neste sentido, mas informou que a entidade fez análises individuais sobre o assunto com resultados convincentes.

“Essa é uma das medidas que definitivamente teremos no futuro. É uma evolução normal’, afirmou Addiechi.

Assedios na Copa do Mundo

A Rede de Futebol Contra o Racismo na Europa, que trabalha em cooperação com a FIFA e monitora o comportamento dos torcedores em jogos da Copa do Mundo, documentou mais de 30 casos de mulheres sendo abordadas nas ruas durante o torneio de um mês na Rússia.

Metade destes casos envolveram jornalistas assediadas enquanto estavam no ar, como ocorreu com a repórter brasileira, Júlia Guimarães, da TV Globo, e a espanhola, Maria Gomez, da Mediaset.

“Queria deixar este assunto de lado, mas decidi publicar o vídeo para aqueles que dizem que exageramos ou ‘que são só piadas’ me expliquem onde está a brincadeira. Não vejo graça e isso não é normal”, comentou a jornalista espanhola em seu Twitter.

O Fare, órgão europeu anti-discriminação e racismo no futebol, apontou o sexismo como o “maior problema” da Copa da Rússia. A entidade também estima que o número real de incidentes ocorridos no torneio supera até dez vezes maior que o registrado.

A agência Getty Images foi criticada durante o torneio por publicar uma galeria de fotos chamada “as melhores admiradoras da Copa do Mundo”. A empresa acabou pedindo desculpas pelo ocorrido e declarou que revisaria o caso internamente.

Por fim, Addiechi declarou que a FIFA trabalhou com a polícia russa e organizações locais para identificar torcedores que cometem assédios a jornalistas e informou que alguns deles perderam os FAN-ID – documento que todos os espectadores necessitam para entrar nos estádios da Copa do Mundo.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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