Flagrado, Wladimir Costa dá explicações contraditórias sobre conversa de Whatsapp

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O fotógrafo Lula Marques registrou o deputado pedindo para uma mulher enviar a foto da bunda no Whatsapp, durante sessão de votação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Michel Temer.

Por Rafael Bruza

O deputado federal Wladimir Costa mostra a tatuagem do nome de Michel Temer (esq.) e uma das conversas de Whatsapp flagradas pelo fotógrafo Lula Marques durante votação na Câmara dos Deputados / Foto – Reprodução (Lula Marques)

O deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) caiu em contradições ao explicar as conversas de Whatsapp em que pediu foto da bunda de uma mulher. Os diálogos ocorreram nesta-quarta-feira (02), durante discussão da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer na Câmara, e foram flagrados pelo fotógrafo Lula Marques.

Nos trechos registrados, Wladimir manda a seguinte mensagem a uma mulher que se identifica como M. Melo: “Mostra a bunda, mostra. Afinal, não são suas profissões que a destacam como mulher, é sua bunda, põe aí garota”.

Falando com o jornal O Globo e com o site Poder 360, o deputado deu três explicações diferentes para esta mensagem.

Inicialmente Wladimir negou que a mão da foto fosse sua.

“Aquilo é ‘fake’ (falso). Não é minha mão. Minha mão é mais delicada”, disse o deputado ao jornal O Globo às 22 horas desta quarta-feira.

Wladimir  ofereceu a primeira explicação enquanto comemorava a vitória no Palácio do Planalto na Câmara, junto com o presidente da República, Michel Temer,  como mostra este vídeo:

No outro dia, o deputado admitiu ao jornal O Globo que mandou as mensagens flagradas na foto, mas disse que as imagens pedidas não tinham nada de “sentimentais” ou “eróticas”, sinalizando contexto diferente do que foi entendido.

“Uma pessoa que conheço insistia para eu mostrar a tatuagem, na Câmara, no Senado. Isso é loucura, eu não posso mostrar. Aí citei Fátima Bernardes, Sônia Abrão, que não precisam mostrar a bunda (para serem “respeitadas” e até “desejadas”, segundo afirma em uma das mensagens flagradas). No contexto, não há nada sentimental, erótico. Foi uma resposta à questão da tatuagem. Não acho que as mensagens foram impróprias”, declarou.

Outra versão

Ao site Poder 360, o deputado disse nesta quinta-feira (03) que o flagrante feito por Lula Marques foi combinado previamente.

Segundo afirma, o profissional o procurou para produzir a imagem.

“Ele tem essa prática de pedir ajuda dos deputados para fazer fotos. Eu não vou processar por que seria hipocrisia. Eu me inclinava para ajudar a foto dele, declarou o paraense.

Wladimir Costa também afirmou que o fotógrafo teria vendido a imagem por R$ 500.

“O cara quer ganhar um pouco de dinheirinho. Não tem nada de flagrante, sabe?”, afirmou.

Fotógrafo nega

Em entrevista ao site Poder 360, o fotógrafo Lula Marques – que já flagrou conversas de Jair Bolsonaro PSC-RJ) da mesma forma – disse que não conhece o deputado.

“Primeiro, eu acho que se eu combinasse esse tipo de foto, não seria por R$500. O meu trabalho é específico e muito caro. Segundo, não conheço o deputado e nunca dirigi a palavra a ele. Terceiro, ele é um mentiroso. Sou um jornalista e não combino informação com fonte. Inclusive, eu condeno isso”, afirmou.

“Se ele me pagou ele tem de provar, tem de falar onde e como. Se foi aqui na Câmara, existem câmeras para todos os lados. Ele pode pedir as imagens para provar. Eu sou um jornalista respeitado e não faria um negócio desses”.

Lula explicou o contexto em que registrou as imagens.

“Eu não fiz uma, nem duas, nem 3 vezes, foram várias (fotos de conversas nos celulares). E tem um detalhe, quando os outros fotógrafos viram eu fazendo as fotos, eles foram fazer também, mas só eu peguei as fotos (do diálogo) da ‘bunda’”.

Mais tarde, em seu perfil de Facebook, o fotógrafo chamou o deputado de mentiroso.

“’Excelência’, deixe de ser mentiroso. Eu jamais faria um serviço fotográfico desses, ainda mais para um deputado golpista, machão e bufão como você. Eu tenho respeito profissional e jamais aceitaria participar de uma armação fotográfica”, afirmou.

“‘Vossa Excelência’, você não tem noção do valor de um profissional e acha que qualquer um se vende, como muitos deputados para salvar o presidente golpista? Fique sabendo que nem se me oferecesse os R$ 7 milhões em emendas que dizem que você recebeu, eu não aceitaria para fazer essas fotos. Quero respeito!”, disse o fotógrafo em seu Facebook, onde promete advogados para “um possível processo por calúnia e difamação”.

“Não vou deixar minha imagem ser arranhada dessa forma”, afirma Lula Marques.

Contradições do passado

O deputado Wladimir Costa (SD-PA) apareceu na imprensa esta semana por ter tatuado o nome de Temer no braço direito.

Neste caso da tatuagem, o deputado também caiu em contradições. Disse inicialmente a tatuagem era definitiva e feita por R$ 1.200 em um estúdio de Brasília chamado “Mundo da Tatoo”.

Logo o jornal O Estado de S. Paulo falou com o estúdio de tatuagem onde o deputado disse que tinha feito a arte. O tatuador Frederick Nacimento – conhecido como Lico -, que tem 25 anos de profissão e é um dos precurssores da tatuagem de henna para o Brasil, negou que tenha feito a tatuagem e afirmou que ela aparenta ser de henna – provisória.

“Não, não fiz. Eu conheço uma tatuagem de hena de longe. É só você ver pela foto. Tem uma mancha na letra ‘r’, um borrão… Não tem como ser de verdade. Acho que vocês nunca mais vão ver o deputado sem camisa”, disse o tatuador ao jornal O Estado de S. Paulo.

O tatuador prometeu que irá à Justiça.

“Se esse senhor tiver divulgado em algum lugar nosso nome iremos procurá-lo e exigiremos uma retratação imediata”, afirmou.

Mas o deputado insistiu que a tatuagem era definitiva, dizendo apenas que foi feita em um estúdio de Belém (PA), não em Brasília, como havia afirmado inicialmente.

“A tatuagem é pra sempre, de verdade. Se algum tatuador diz que não é, ora, é porque é tatuador de fundo de quintal”, declarou ao Estadão.

Sobre a tatuagem, o deputado mudou a versão novamente e disse que escreveu o nome de Temer no braço em um estúdio de Belém que se chama “Mundo Tatoo” – mesmo nome do estúdio de Brasília – com um tatuador chamado Edmílson.

O Estadão pediu contato do estúdio e do tatuador, mas o deputado afirmou que o número estava em “outro celular”.

“Eu também gravei uma entrevista com esse tatuador. Não está comigo agora, está em outro celular, mas quando eu encontrá-la vou divulgá-la”, disse o deputado, que já protagonizou outras polêmicas ao explicar, por exemplo, como costuma pedir cargos e verbas ao presidente da República fazendo “cara de coitadinho”.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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