Geraldo Alckmin e seus desafios

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Por André Henrique 

Convenção tucana em dezembro poderá ser decisiva para o governador de SP, Geraldo Alckmin

A situação do PSDB é delicada. Com o seu “presidente” Aécio Neves desacreditado nacionalmente, o partido dividiu-se em dois grupos – os que querem manter-se no governo Temer e os que desejam desembarcar – e pode desintegrar-se.

Geraldo Alckmin é atualmente o candidato do partido à presidência da República. E a ele não interessa uma fragmentação na sigla nem na direita liberal – composta, basicamente, pelo setor financeiro, parte do empresariado e “grande mídia”. Não existe um candidato consensual ainda neste campo ideológico.

O governador de SP venceu a batalha interna no PSDB contra o prefeito João Dória. Mas os desafios para o tucano não terminaram. Os riscos de sua candidatura naufragar ou se enfraquecer existem. A convenção do PSDB em dezembro será determinante.

Disputam a presidência do PSDB o senador Tasso Jereissati (CE), ala que defende a saída do governo, e o governador de Goiás Marconi Perilo, grupo aecista e governista. A turma do Serra está com Perilo. FHC com Tasso. Alckmin está no muro, para não arranhar a sua pré-candidatura.

Se derrotados na convenção, especula-se que as chances de os tucanos governistas migrarem para o PMDB ou outro partido de centro são grandes.

Uma fragmentação dessa monta prejudicaria a candidatura Alckmin e abriria espaço para outros projetos presidenciais: de um outsider, Luciano Huck (PPS); do centrão, Henrique Meirelles (PSD); e do PMDB, recolocando João Dória (por isso ele ainda não se assumiu candidato ao governo de SP) no páreo ou projetando o próprio Michel Temer.

Em entrevistas à imprensa, Roberto Freire, presidente do PPS, rasgou elogios a Luciano Huck e ao governador Geraldo Alckmin. Os testes do centrão com Henrique Meirelles não cessam. João Dória recuou, mas espera outra oportunidade. O Planalto já cogita candidatura governista. Em suma: os agentes políticos aguardam os desdobramentos da convenção tucana.

E aí entra Geraldo Alckmin. Cresce o movimento no PSDB pela candidatura do governador de São Paulo à presidência do partido, de modo a unificar os tucanos. Alckmin teria de combinar com Tasso e Perilo, e resolver essa questão de o PSDB ficar ou sair do governo Temer. Equação difícil.

O PSDB se meteu em uma enrascada ao se dividir depois do golpe parlamentar dado em Dilma Rousseff. Não há sentido em os tucanos abandonarem Michel Temer depois de a maioria do partido salvar o presidente das denúncias de Janot na Câmara e de hipotecar apoio às reformas estruturais de seu governo.

O desembarque seria tratado como traição e os partidos de centro de olho no vácuo que os tucanos deixariam certamente migrariam para outra candidatura e não para a de Geraldo Alckmin.

O PSDB apoiou Temer em troca de o mesmo não ser candidato à reeleição. Com os tucanos fora do governo, esse acordo perderia sentido e o peemedebista estaria livre para se candidatar à presidência, podendo consolidar-se como a opção do mercado.

Manter a coesão de seu partido e se consolidar como “o candidato” da direita liberal são os principais desafios do governador de São Paulo. Alckmin tem de convencer o mercado (agentes econômicos), a mídia liberal-financista e os agentes políticos (partidos de centro) que a sua candidatura é o porto seguro para esses grupos.

Para isso o governador seguirá a fazer muita política: convencer, articular, dialogar etc. A convenção tucana marcada para o dia 09 de dezembro será uma prova para Geraldo Alckmin e deixará (ou não) as coisas mais claras pelas bandas da centro-direita.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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