Gilberto Kassab, sempre no governo

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Desde os anos de 1990, o ex-prefeito Gilberto Kassab está sempre no governo, não importa a ideologia. Em entrevista, Kassab disse que apoiará Alckmin para presidente e Dória para governador de SP

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, nesta segunda (12), o ministro da Ciência, da Tecnologia e das Comunicações, Gilberto Kassab, elogiou o legado de vinte e quatro anos do PSDB em São Paulo e expôs que apoiará o governador Geraldo Alckmin para presidente da República e João Dória para o governo de São Paulo. Nesta articulação, o PSD teria o lugar de vice na chapa ao governo de São Paulo, com Gilberto Kassab a ocupá-la.

Kassab foi secretário de Planejamento do governo Celso Pitta, a partir de 1997, participando da elaboração do Plano Diretor da cidade.

Em 2004, foi candidato a vice-prefeito de São Paulo, na chapa com José Serra.

Naquele momento, era esperada a renúncia de Serra, em 2006, para disputar a presidência da República ou o governo de São Paulo.

Com a renúncia, Kassab assumiu a prefeitura em 2006 e se reelegeu em 2008, com 61% dos votos válidos, derrotando, no segundo turno, Marta Suplicy (PT).  O então governador de São Paulo, José Serra apoiou Kassab. Geraldo Alckmin encerrou aquela eleição em terceiro lugar.

Em 2011, Kassab criou o PSD, para abrigar dissidentes do DEM, PSDB, PPS e outros partidos de centro.

A ideia era fundar um novo PMDB (atual MDB), com discurso liberal, numa ponta, mas vocação governista noutra.

Kassab levou o PSD para a base de apoio ao governo Dilma e foi nomeado ministro das Cidades para o segundo mandato da presidenta reeleita nas eleições de 2014.

Ao ver o barco de Dilma Rousseff afundar, em 14 de abril de 2016, Kassab decidiu deixar o governo e entregar o cargo em 18 de abril de 2016, independente de qual fosse o resultado da votação do impeachment de Dilma Rousseff – que ocorreria no dia anterior, 17 de abril.

O impeachment era favas contadas. Em 15 de abril de 2016, Kassab decidiu antecipar sua saída que seria em 18 de abril e entregou carta de demissão.

Em 12 de maio de 2016, após o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, Gilberto Kassab assume o ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, do governo Michel Temer.

Com Lula fora da disputa e a popularidade do governo Temer ao rés do chão, Gilberto Kassab enxerga a candidatura de Geraldo Alckmin como a força em torno da qual orbitará o centro político e busca se garantir em São Paulo apoiando o nome mais competitivo do PSDB, João Dória.

Não resta dúvida que o faro de poder do Gilberto Kassab é apuradíssimo. Se os seus aliados não lograrem êxito, em 2018, o ex-prefeito dará um jeito de se beneficiar da futura conjuntura política, seja ela qual for. O sistema político pátrio permite essa dança fisiológica – dominada por Gilberto Kassab, desde priscas eras.

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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