Governo Federal contrata publicidade nas sobrecapas da Época, IstoÉ e Veja

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  • As publicidades custam centenas de milhares de reais, segundo páginas de anúncios das revistas.
  • A Reforma da Previdência rendeu protestos nesta segunda-feira (19) e o Governo cogita a possibilidade de votá-la a despeito da intervenção federal no Rio de Janeiro.

Por Rafael Bruza

Imagem das sobrecapas que viralizou na Internet / Foto – Reprodução (Facebook)

As edições desta semana das revistas Época (Grupo Globo), IstoÉ (Editora 3) e Veja (Grupo Abril) mostram uma sobrecapa publicitária a favor da Reforma da Previdência, contratada pelo Governo Federal de Michel Temer.

As publicidades mostram um menino ao lado de uma frase publicitária e do logo do Governo Federal.

“Reforma da Previdência hoje. Para ele se aposentar amanhã”, diz a publicidade.

A imagem das revistas viralizou nas redes sociais rendendo críticas a imprensa, que foi classificada como “marrom” (sensacionalista, ou seja, que procuram apenas audiência) por internautas.

O Independente entrou em contato com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) para questionar o valor gasto nesta campanha, mas não obteve resposta até o momento.

Na IstoÉ, uma sobrecapa publicitária como a contratada pelo Governo Federal custa R$ 358 mil, segundo o midiakit da revista semanal.

A revista Veja e a Época não designam preços de sobrecapas especificamente. Na semanal do Grupo Globo, uma publicidade de capa impresa na revista Época custa no mínimo R$ 200 mil. Já na revista Veja, todas as publicidades de capa ultrapassam os R$ 400 mil de custo.

Apoio da imprensa

Segundo levantamento da ONG Repórter Brasil divulgado em abril de 2017, a imprensa brasileira, no geral, “ignora as críticas a Reforma da Previdência”.

O estudo foi feito entre 21 de novembro e 20 de dezembro de 2016.

“Os veículos das organizações Globo foram os menos críticos: 91% do tempo dedicado ao tema pela TV Globo e 90% dos textos publicados no jornal O Globo foram alinhados à proposta do Palácio do Planalto. Nos impressos O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, 87% e 83% dos conteúdos foram positivos. O Jornal da Record foi o mais equilibrado, com 62% do tempo sendo favorável à Reforma”, diz o estudo.

Em uma análise mais qualitativa do material, o levantamento aponta ainda a que, na TV e nos jornais, sobressai o tom alarmista, seguindo a ideia de que todos os setores do país precisam de dar sua “cota de sacrifício” para resolver o problema. Predomina a ideia de que, sem a aprovação da proposta, a Previdência vai quebrar e, no futuro próximo, engolirá o orçamento. Assim como nas propagandas veiculadas pelo governo, a mídia reverbera que não sobrará dinheiro para o básico: saúde, educação e segurança.

Reforma da Previdência está travada?

A votação da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados está marcada para esta segunda-feira (19). Apesar da incerteza sobre a votação, ocorreram protestos por todo país contra a medida do Governo Temer.

Enquanto isso, governistas avaliam as dificuldades de votar a proposta na data agendada e falam em adiar as discussões e a votação para semana que vem.

“Essa semana não votaremos”, afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) após reunião no Palácio do Planalto na última sexta-feira (16). De acordo com ele, a orientação de Michel Temer, contudo, continua de mobilizar os parlamentares para aprovação da PEC. “Difícil já está. Estamos derrubando as barreiras”, completou.

De acordo com Perondi, na noite desta segunda-feira (19), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se reúne com o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, e com líderes da base para avaliar os apoios.

Um dos fiadores da reforma até então, Maia admitiu na última sexta que a votação será adiada e corre o risco não ser ser votada em ano eleitoral. “Ou a gente vai votar em fevereiro com todas as restrições, que vão ser mais difíceis, ou vota em fevereiro”, afirmou em coletiva de imprensa.

A intervenção, outro obstáculo

A intervenção federal decretada no Rio de Janeiro pode ser mais um entrave para a votação da Reforma da Previdência nesta semana. O artigo 60 da Constituição Federal indica que o Governo não pode fazer alterações na Carta Magna durante aplicações de intervenções federais ou estado de sítio ou emergência.

A Reforma da Previdência é uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e portanto não poderia ser aprovada durante a intervenção militar no Rio de Janeiro.

Para sair do impasse, o Governo Temer cogita suspender a intervenção momentaneamente, criar outro decreto – que seria de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) – para votar a alteração constitucional.

Uma vez aprovada a Reforma da Previdência, segundo ministros, o Governo faria outro decreto de intervenção federal para manter o Exército no comando da segurança pública do Estado do Rio de Janeiro.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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