Greve: cientista social diz que esquerda falhou na ‘batalha de narrativas’

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“Um setor popular para o país e mostra a sua força. O que a esquerda hegemônica faz? Rotula e sai de cena”, aponta Rosana Pinheiro-Machado em seu Facebook.

Por Rafael Bruza

A cientista social e antropóloga, Rosana Pinheiro-Machado, e um caminhão em manifestação contra preço do combustível / Fotos – Reprodução (Facebook e Agência Brasil)

A cientista social e antropóloga, Rosana Pinheiro-Machado, comentou em seu perfil de Facebook que a esquerda brasileira vem falhando em “batalhas narrativas” e “disputas ideológicas”, como a greve de caminhoneiros que paralisa estradas do Brasil.

“Não importa a motivação da greve dos caminhoneiros para o que vou escrever aqui. O que importa é o total fracasso da esquerda em batalhas narrativas e disputas ideológicas. Um setor popular para o país e mostra a sua força. O que a esquerda hegemônica faz? Rotula e sai de cena”, diz Rosana em seu Facebook.

Diversos internautas e veículos da mídia alternativa vêm afirmando que a greve de caminhoneiros é um “locaute”, por conta da participação de empresários nas paralisações – o ” locaute”é a recusa por parte da entidade patronal em ceder aos trabalhadores os instrumentos de trabalho necessários para a sua atividade.

Em vídeos e transmissões ao vivo, no entanto, grevistas afirmam que tanto empresários quanto caminhoneiros autônomos fazem parte do movimento grevista, descrito como “popular”.

Também há resistência à greve por conta da participação de grupos que defendem intervenção militar nas paralisações.

Ainda no Facebook, Rosana afirma que a esquerda tem afastado setores, grupos e pautas populares.

“A esquerda majoritária brasileira é um caso de estudo na questão ‘desistir de disputas e entregar pautas’. Já a direita, muito sabiamente, tem sido mais política que nós. A esquerda brasileira tem sido mestra em afastar setores, grupos e pautas. Infelizmente, a compreensão básica de que as categorias e os sujeitos políticos são complexos e ambíguos passa longe da esquerda brasileira hoje, que só sabe pensar de forma binária e limitada – o que apenas demonstra a sua incapacidade de fazer trabalho de base e entrar nas disputas ideológicas e narrativas. Bom mesmo é chamar tudo de golpista e ignorar toda uma categoria complexa e heterogênea. Claro, é bem mais fácil fazer isso. Política é disputa e é processo. É hora de colocar o pé na porta e disputar essa batalha.

Comentário afasta seguidores

Pouco depois de publicar a crítica no Facebook, Rosana afirmou que perdeu seguidores por conta do post.

“A cada comentário crítico à esquerda que faço, perco imediatamente muitos seguidores. É automático. Isso diz muito sobre a falência democrática que a esquerda adora atribuir apenas ao golpismo e jamais reconhecer como ela traz essa semente autoritária”, afirma. “Agora me refiro à greve dos caminhoneiros, mas ocorre o mesmo com minhas críticas pontuais a Boulos (a quem eu mais admiro do que critico) e antes Lula”.

“Detalhe: quando defendo Lula é uma massa de seguidores que ganho e até meme eu viro. Que coisa, não? Que a nossa senhora da crítica independente me proteja e que permaneçam aqui todos aqueles que são críticos à política e a mim mesma, mas que consigam entender que fica e autocrítica (tão básico) são princípios democráticos”.

Veja outra crítica de Rosana:

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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