Grupo religioso invade reunião do PSOL na Câmara do Guarujá

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O encontro pretendia debater os “Desafios de uma educação libertadora” e foi acusado pelo grupo conservador de incentivar crianças a se tornarem homossexuais.

Por Rafael Bruza

Cena do protesto do lado de fora da Câmara Municipal do Guarujá (esq.) e dentro do encontro do PSOL / Fotos – Reprodução (Captura do Youtube e Facebook do PSOL)

Um grupo formado por cidadãos evangélicos e católicos invadiu uma reunião do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), feito na Câmara Municipal do Guarujá, litoral de São Paulo, no último sábado (28). O evento se chama “Desafios de uma educação libertadora” e teve como palestrantes, as professoras Marcela Moreira e Luiza Coppieters e o professor Cesar Rodrigues. Segundo o organizador do evento, Everton Vieira, a invasão foi incentivada por informações falsas.

“Os fundamentalistas espalharam pelas igrejas da cidade uma mentira sobre a atividade do PSOL, de que esta seria uma audiência pública sobre um projeto de lei para implantar ‘ideologia de gênero’ nas escolas, com o intuito de fazer as crianças virarem gays!”, diz Everton Vieira. “Uma horda de agentes do discurso de ódio se aglomerou em frente à Câmara Municipal e começaram a gritar e nos atacar verbalmente, criando um clima muito violento para as pessoas que estavam ali apenas querendo debater suas ideias”.

O grupo que se opôs ao debate do PSOL se encontrou na praia das Pitangueiras, no centro do Guarujá, e seguiu para a Câmara Municipal da cidade, onde ocorreu o evento do PSOL.

O canal de Youtube “Mobilização Brasil” publicou um vídeo mostrando a articulação do grupo religioso contra a reunião do PSOL. A descrição do vídeo divulga a informação falsa de que o evento era uma audiência pública – a agenda da Câmara Municipal do Guarujá mostra uma “reunião do PSOL” agendada na data.

“Essa é a primeira parte de uma série de vídeos mostrando o que DE FATO aconteceu no evento PÚBLICO idealizado pelo PSOL 50 – Guarujá sobre uma educação mais ‘libertadora’. Nesse vídeo vocês podem ver o grupo Mobilização Brasil se juntando a concentração de evangélicos e católicos na praia das Pitangueiras. Saindo em uma breve passeata eles se deparam com gente ligada ao evento dizendo que só poderiam subir 20 pessoas, ou seja, o negócio já começou ERRADO”, diz a descrição do vídeo, que também promete mais imagens “em breve”.

Durante o percurso do protesto, cidadãos vestiam camisas contrárias ao que chamam de “ideologia de gênero” e levantaram cartazes escritos “deixem nossas crianças em paz”.

“Pessoal, nós não estamos aqui lutando contra homossexuais. Ninguém está lutando contra homossexuais. Nós estamos lutando contra a ideologia de gênero”, diz um manifestante que aparece no vídeo.

Em nota publicada no Facebook, o PSOL do Guarujá considerou o caso como um “exemplo de resistência ao conservadorismo”.

“Apesar da tentativa frustrada de gente mal intencionada em prejudicar a nossa atividade, consideramos que foi um exemplo de resistência e enfrentamento ao conservadorismo.

O organizador do evento do PSOL, Everton Vieira, reitera que o encontro  da Câmara Municipal era do PSOL não  uma audiência pública, mas sim uma reunião partidária.

“Assim que começou a nossa atividade, eu fiz questão de esclarecer que aquilo não era uma audiência pública e quem afirmou o contrário estava mentindo. Eu disse em alto e bom tom: ‘Esta é uma atividade do PSOL, ninguém é obrigado a estar aqui e quem não gostar pode retirar-se, porque não fazemos questão da presença de fundamentalistas’”, conta o organizador.

Everton também relata que as críticas e perseguições começaram assim que o evento foi agendado.

“Desde que marcamos esse debate, difamação, calúnia e ataques fundamentalistas passaram a invadir o meu dia a dia. Não foi fácil aguentar as ameaças sistemáticas, e tais agressões pela internet fizeram alguns camaradas pensarem se não seria melhor desistirmos da atividade. Mas não desistimos, por concluirmos mesmo que tínhamos a obrigação de não desistir. Apesar da pressão, perseguição e difamação, desistir dessa atividade seria como admitir uma derrota perante o discurso de ódio”, afirma Everton.

No relato do caso feito no Facebook, o organizador conta que os críticos vaiaram os expoentes presentes.

“Assim que se abriu o tempo para as perguntas, cada militante do PSOL e professor progressista que se dirigia ao microfone recebia vaias. A situação ficou ainda mais tensa quando expressaram seu ódio por Débora Camilo, que foi identificada como membro da brigada jurídica do MTST ao microfone. O ódio de classe ao MTST é algo incontestável. O ódio aos trabalhadores que lutam por um teto foi algo tão intenso e assustador que Débora quase não conseguiu fazer sua pergunta!”, relata Everton.

Confira o relato de Everton Vieira

Vídeo do encontro

A palestrante Luiza Coppieters divulgou no Facebook um vídeo que mostra cenas do debate. Nas imagens, a palestrante tem dificuldades para falar e, após criticar alguns cidadãos presentes, ironiza a plateia dizendo que lançaria um “raio transexualizador” se não a deixassem falar.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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