Guerra às drogas nas Filipinas mata 58 pessoas em uma semana

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No início da semana, morreram 32 pessoas em uma ação policial que foi exaltada pelo presidente, Rodrigo Duterte: “foi magnífico! Podemos matar 32 todos os dias”, declarou.

Por Rafael Bruza

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte / Foto – Reprodução

Em junho de 2016, Rodrigo Duterte tomou posse como presidente das Filipinas e prometeu reduzir a criminalidade matando milhares de criminosos e suspeitos. Também institutiu recompensas dadas a quem matasse traficantes de droga e reintroduziu a pena de morte no país asiático. Nos primeiros sete meses de aplicação desta política, 7 mil pessoas morreram em operações policiais – segundo a polícia, 3.000 terão morrido em ações policiais e os restantes assassinados por ‘gangs de justiceiros’, os chamados ‘esquadrões da morte’, cuja violência Duterte nunca repudiou. Em fevereiro, o presidente passou a usar o Exército nestas ações. Como resultado morreram 58 pessoas nas Filipinas, desde segunda-feira (14), sendo 26 apenas nas últimas 24 horas.

As operações policiais que deixaram 26 mortos foram feitas em Manila entre a noite de quarta-feira e esta madrugada de quinta-feira (17). Segundo a imprensa local, o chefe da Polícia Nacional das Filipinas, general Ronaldo dela Rosa, considerou hoje que não havia nada “fora do comum” na morte de pessoas que resistem à detenção, durante um ato em Ozamiz, na ilha de Mindanao (sul do país).

Na madrugada de segunda para terça-feira (14 e 15, respectivamente), 32 pessoas morreram durante uma operação policial em Bulacan, distrito ao norte da capital, Manila. Foi a madrugada com maior número de mortes desde que Duterte iniciou sua política anti-drogas.

O presidente comemorou a ação policial.

“Foi magnífico! Podemos matar 32 todos os dias”, reagiu o presidente das Filipinas.

O coronel Erwin Margarejo, porta-voz da polícia de Manila descreveu as mais de 100 operações que decorreram deste o início da semana como operações “grandes, que só se fazem uma ou duas vezes” e frisou, como já o tinha feito a polícia de Bulacan, que a polícia só disparou porque os suspeitos se recusaram a cooperar com as autoridades.

A Human Rights Watch já denunciou a situação várias vezes, e fala em crimes contra a humanidade cometidos com a conivência do presidente que já prometeu aos seus militares e polícias que não serão julgados por matarem traficantes de droga.

Duterte, conhecido na arena internacional por sua falta de diplomacia e pelos insultos com os quais reforça seus comentários, também ameaçou os defensores dos direitos humanos que interfiram na tarefa policial. “Se obstruírem a justiça, atirem neles também”, ordenou Duterte, em um de seus habituais rompantes, condenado pela organização Human Rights Watch (HRW).

Em resposta, a HRW lembrou que não é a primeira vez que Duterte lhes ameaça, pois já fez em dezembro do ano passado e em julho deste ano, e exigiu do chefe de Governo filipino que se retrate das suas últimas palavras.

“As ameaças do presidente Duterte contra os ativistas dos direitos humanos equivalem a pintar um alvo nas costas da valente gente que trabalha para proteger os direitos e a dignidade de todos os filipinos”, declarou o subdiretor para a Ásia da HRW, Phelim Kine, em comunicado.

“Duterte fica avisado que estas ameaças de morte contra os defensores dos direitos humanos podem representar o processamento por crimes contra a humanidade”, acrescentou Kine.

O diretor para o Sudeste Asiático da Anistia Internacional (AI), James Gómez, disse em outra nota de imprensa que a “guerra antidrogas” nas Filipinas atingiu “novas cotas de barbárie, com a Polícia assassinando rotineiramente os suspeitos, violando o direito fundamental à vida e burlando a justiça”.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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