Ideologia de gênero não existe

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Por Vitor Fernandes

Ilustração

Os conceitos e os termos que utilizamos não são neutros. São carregados de significados, de valor. Quando defendemos algo, utilizamos termos com conotação positiva e quando somos contra, utilizamos termos de conotação negativa. Ou até utilizamos termos para confundir quem escuta e dar uma impressão deturpada de algum fato.

Já tentaram dizer que nazismo era de esquerda por ser a junção de “nacional” com “socialismo”, fruto do contexto alemão da época.

Nesse sentido, é importante dizer: IDEOLOGIA DE GÊNERO NÃO EXISTE! O termo “ideologia” é complexo. É um conceito para vários autores das ciências sociais e pode adquirir vários significados, até opostos entre si.
No senso comum, “ideologia” significa ter uma ideia, uma visão de mundo, uma doutrina, etc.

“Ideologia de gênero” portanto, dá a entender que se tem a intenção de doutrinar as pessoas a terem determinado comportamento de gênero e/ou sexual. Como se os professores que lidam com isso, como é o meu caso, tivessem a intenção de mudar o gênero ou a sexualidade de algum aluno, ou seja, doutrinar e determinar um comportamento.

Como nós, professores, os estudiosos e as (os) militantes feministas e lgbts, já cansamos de dizer, o que existe nas salas de aula é um ensino e debate saudável sobre gênero e sexualidade com o objetivo de promover a aceitação da diversidade que já existe na sociedade. Não se deseja criar nada, até porque é impossível mudar a sexualidade de alguém, muito menos com algumas aulas.

Os termos adequados então seriam “ensino de gênero” ou “debate sobre gênero” e não “ideologia”. Quem difundiu esse termo no Brasil foram os críticos ao ensino/debate de gênero, especialmente os deputados da chamada bancada evangélica, como Bolsonaro e companhia. E esse termo pegou. Eles com suas poderosas redes de comunicação e suas muitas maldosas notícias falsas e distorcidas, conseguiram cunhar esse termo, que reafirmo, é inadequado. Não é oriundo da Antropologia, Sociologia, Psicologia, etc. Mas oriundo e difundido por pessoas completamente leigas no assunto.

Um dos principais difusores do termo, o movimento Escola Sem Partido, que propunha em seu artigo terceiro no seu PL federal do Programa, a proibição dos “postulados da teoria ou ideologia de gênero”, mudaram para “questões de gênero”.

No entanto, o termo pegou e agora até os defensores do ensino de gênero, muitas vezes, caem na cilada de utilizar esse termo.

Os termos não são neutros. Tomemos cuidado. “Ideologia de gênero não existe”! O que existe é ensino, debate, discussão sobre gênero! Fiquemos atentos a isso.

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Referências:
http://www.gazetadopovo.com.br/ideias/o-que-e-ideologia-de-genero-0zo80gzpwbxg0qrmwp03wppl1

https://www.nexojornal.com.br/explicado/2015/11/05/G%C3%AAnero-n%C3%A3o-%C3%A9-%E2%80%98ideologia%E2%80%99.-%C3%89-identidade

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