Instável, Governo quer se recompor para aprovar reformas da Previdência e política

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O mercado financeiro, prioridade de Temer, tem mais confiança em Temer após o resultado na Câmara, mas a crise política segue e deve ter novos desdobramentos que testarão a base aliada no futuro.

Por Rafael Bruza

O presidente da República, Michel Temer, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) / Foto – Reprodução (Agência Brasil)

Na votação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), realizada nesta quarta-feira (02), Michel Temer teve 100 votos a menos do que obteve em abril de 2016, na votação do Impeachment de Dilma Rousseff, “por Deus e pela família”, na Câmara dos Deputados. O racha no PSDB, que orientou voto contra o presidente e viu metade da bancada votar a favor da denúncia da PGR, também preocupa o Planalto, que não punirá parlamentares rebeldes da base aliada, pois pretende recompô-la. Mas a vitória na Câmara deu oxigênio ao Governo Temer, que reanimou o mercado e já faz articulações para aprovar as reformas da Previdência e política – ainda que a crise não esteja definitivamente resolvida.

“Apesar da rejeição (ao Governo) ser esperada, o resultado mostrou um cenário mais positivo para o presidente Michel Temer. Revelou a forte capacidade do governo para construir consenso entre os deputados”, diz relatório de mercado do Credit Suisse, banco suíço que vê a Reforma da Previdência Social como algo “fundamental” para a economia.

O mercado financeiro é prioridade na agenda do Governo e da Câmara dos Deputados, como declarou Rodrigo Maia (DEM-RJ) em entrevista concedida em maio.

Mas, nas últimas semanas, empresários, veículos da imprensa corporativa – como o Grupo Globo, veja “aqui” e “aqui” – e instituições financeiras duvidaram da capacidade de Temer aprovar as reformas, enquanto responde a acusações de corrupção.

Cogitaram até mesmo a destituição de Temer e a eleição (indireta) de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a Presidência da República.

O resultado desta quarta-feira (02) muda estas relações e intenções.

Chorando Rodrigo Maia declarou nesta quarta-feira (02) a aliados que poderia e foi pressionado a tomar o lugar de Michel Temer, mas rejeitou este caminho por “ter caráter”.

Em paralelo, o vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS), disse que o governo de Michel Temer sai fortalecido pela demonstração de “capital político” do presidente. O parlamentar está confiante de que as reformas serão aprovadas, pois muitos deputados, principalmente do PSDB que votaram contra o presidente, defendem a pauta reformista, segundo o Portal Terra.

“O governo mostrou ontem que tem 285 votos (263 deputados votaram a favor de Temer). As abstenções e ausências nos ajudaram. Para chegar a 308 (quórum necessário para aprovar a reforma da Previdência) não é difícil. Não dá para ligar fortemente a votação de ontem com a Previdência”, disse.

A “chave” para concretizar aprovar as reformas, segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) é recompor a aliança do Governo Temer com o PSDB, que cogitou romper com Temer após a divulgação das delações da JBS, apesar de nunca ter entregado ministérios nem cargos.

“O ponto chave é reorganizar com o PSDB. O PSDB é muito importante para a base do governo”, disse Maia, que enxerga uma postura tucana favorável às reformas. “O PSDB é a favor dessa agenda. A parte do PSDB que votou pela abertura do processo também defende as reformas. Já passou a denúncia, é importante que a gente deixe ela para trás e que a gente olhe para a frente. A Câmara decidiu rejeitar a denúncia então temos que olhar o governo até 2018”.

Temer continua, crise também

O resultado favorável à Michel Temer na Câmara, no entanto, não acaba com a crise política que o Governo vive. Espera-se que o procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, faça outra denúncia criminal contra Michel Temer .

Esta nova denúncia racharia a base aliada novamente, complicando os objetivos de aprovar a Reforma da Previdência antes de abril – os parlamentares querem agilizar a aprovação dessa medida impopular o quanto antes para não sofrerem desgastes políticos em tempos eleitorais.

Neste sentido, o Governo pretende aprovar a Reforma da Previdência até outubro deste ano, segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A oposição, no entanto, acredita que a crise política continuará.

“O jogo não acabou. Foi um jogo de ida, governo ganhou por uma pequena margem, mas se a mobilização popular crescer, os resultados começam a mudar”, afirmou o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), que vê possibilidade de reverter a vitória do Governo na Câmara com futuros desdobramentos da crise.

O líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE) acredita que a oposição saiu fortalecida da votação.

“A reforma da Previdência já está enterrada. A única reforma que vamos concentrar é a política. Vamos trabalhar para aprová-la na primeira quinzena de agosto”, disse Guimarães.

Delação “monstruosa”

Temer não renunciou e teve apoio da base aliada para evitar seu afastamento provisório no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta das delações da JBS.

Mas, segundo o ministro do Supremo, Luiz Fux, aproxima-se outra delação premiada no âmbito da Lava Jato que será a “maior” de todas vistas até agora.

Trata-se das acusações do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), que ainda não foram homologadas pelo Supremo.

“Essa é monstruosa, depois da Lava Jato é a maior operação. Silval trouxe material, mas não foi homologada ainda”, disse o ministro nesta quarta-feira (02).

Caso esta delação atinja aliados de Michel Temer ou o próprio presidente, os planos para aprovação das reformas também seriam prejudicados.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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