Janot escolhe filho de deputado do PSDB para vice-procuradoria geral da República

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José Bonifácio Borges de Andrada também foi advogado-geral da União durante o governo FHC e advogado-geral de Minas Gerais durante mandato de Aécio Neves. Ele assume o cargo de Ela Wicko, que pediu demissão após aparecer em uma manifestação contra Michel Temer em Lisboa.

Informação – Por Rafael Bruza

O vice-procurador geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada / Foto - Reprodução
O vice-procurador geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada / Foto – Reprodução

Nesta quinta-feira (08), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, escolheu o sub-procurador-geral da República José Bonifácio Borges de Andrada para o cargo de vice-procurador-geral da República. Bonifácio é filho de um dos deputados do PSDB mais longevos da história da Câmara, Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que é eleito deputado pelo partido desde 1979. O escolhido de Janot substitui Ela Wiecko, que pediu demissão do cargo de vice-procuradora-geral da República no final de agosto, após ser gravada em um protesto contra Michel Temer em Lisboa, feito no mês de junho.

O recém-escolhido vice-procurador geral também atuou como advogado-geral da União no último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (2001-2002) e foi advogado-geral do Estado de Minas Gerais entre 2003 e 2010, durante mandato de governador do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

O cargo de vice-procurador geral da República é o segundo mais importante na Procuradoria Geral da República.

O escolhido assume o comando do Ministério Público durante ausência do procurador geral. Também pode representar a instituição em julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Bonifácio também receberá o comando da “Operação Acrônimo”, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro para campanhas eleitorais e tem como um de seus principais alvos o petista Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais.

A questão política

Funcionários da Procuradoria-Geral da República disseram ao portal UOL (Grupo Folha) que a escolha de Rodrigo Janot se deve a uma questão política envolvendo Michel Temer.

Segundo o portal, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretende se aproximar do presidente da República, Michel Temer, e do Governo nomeando um nome próximo do PSDB no lugar de Ela Wiecko, que fez acusações contra o presidente.

Além disso, Bonifácio tem bom relacionamento com outros sub-procuradores gerais da República e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que recentemente acusou a Procuradoria-Geral da República de ter vazado informações à revista Veja sobre a citação ao ministro do STF, Dias Toffoli, nas prévias da delação premiada do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro.

O objetivo seria diminuir a crise entre STF e Procuradoria-Geral da República que surgiu após o vazamento à revista Veja.

A substituição

Bonifácio substituirá Ela Wiecko, que pediu demissão do cargo de vice-procuradora-geral da República após ser gravada em um protesto contra Michel Temer em Lisboa, feito no mês de junho.

Na época, Ela Wiecko concedeu uma entrevista à revista Veja em que ela chama o Impeachment de “golpe”

“Eu acho que, do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras”, afirmou Wiecko na época, que também falou sobre a aparição de Michel Temer em uma delação premiada no âmbito da Operação Lava a Jato.

“Eu estou incomodada com essas coisas que estão acontecendo no Brasil. Acho que não foi da melhor forma possível. E pelas coisas que a gente sabe do Temer, não me agrada ter o Temer como presidente. Não me agrada mesmo. Ele não está sendo delatado? Eu sei que está. Eu não sei todas as coisas a respeito das delações, mas eu sei que tem delação contra ele”.

Durante a entrevista, a então vice-procuradora-geral da República explicou sua aparição no protesto contra Michel Temer.

“Eu estava de férias (em Portugal), em um curso como estudante. Não posso pensar nada? Não posso ter liberdade de manifestação? Isso é um pouco exagerado. Fui discreta, estava junto, e não tive protagonismo maior”, afirmou Wiecko à revista Veja.

Jornalistas e blogueiros da revista, como Reinaldo Azevedo, exigiram a exoneração da vice-procuradora geral da República. A demissão veio depois de dois dias da entrevista.

A anterior responsável pelo cargo de José Bonifácio Borges de Andrada comandou a “Operação Acrônimo” até sua demissão. A operação tem como principal alvo o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

O marido de Ela Wiecko, Manoel Lauro Volkmer de Castilho, era assessor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavaski, relator dos processos da Operação Lava a Jato no Supremo. Volkmer pediu exoneração de seu cargo no mesmo mês que sua esposa, depois de assinar um manifesto de Luiz Inácio Lula da Silva contra o juiz federal Sérgio Moro.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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