Joaquim Barbosa desiste de candidatura à presidência da República

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O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) desistiu da candidatura à presidência da República.

Joaquim Barbosa,  April 19, 2018. REUTERS/Ueslei Marcelino

Nesta terça-feira (08), ele fez um comunicado por meio de seu twitter “Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal”, escreveu o ex-ministro.

 

 

Joaquim Barbosa apareceu na última pesquisa do Datafolha em 15 de abril oscilando entre 09 e 10%  para a presidência da República.

O ex-presidente do STF se enquadrava na categoria  outsider, o candidato sem carreira política e organicidade com partidos tradicionais. Barbosa se filiou ao PSB (Partido Socialista Brasileiro).

À rádio Bandeirantes, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse: “”Infelizmente ele desistiu, mas posso assegurar que não foi por resistências internas no partido. Desistiu do ponto de vista dele próprio”. E completou: “[Barbosa] tem sua família, seus afazeres, sua profissão que voltou a fazer como advogado. Precisamos tanto de uma figura como ele ou alguém parecido com ele”.

Em nota, o PSB diz “cabe destacar que a definição do ministro ocorre nos termos da pactuação realizada em sua filiação, no último dia 6 de abril, que possibilitava ao PSB não conceder legenda a Barbosa, e que este, por sua vez, não assumia a obrigação de se candidatar. Tratava-se, desde o princípio, portanto, de uma construção pautada pelo respeito mútuo entre as partes.

A reflexão de foro íntimo realizada pelo ministro fez com que a candidatura não seguisse à frente, decisão que o PSB compreende, especialmente, por que é personalíssima”.

O governador de São Paulo Márcio França disse que Barbosa não iria suportar essa pressão, “esse liquidificador que é a vida pública”.

Sem Barbosa na disputa o PSB passa a ser objeto de desejo de várias candidaturas para fechar chapa. As favoritas: a de Ciro Gomes,  uma eventual candidatura do PT ou a do ex-governador de SP Geraldo Alckmin. Ideologicamente, Ciro Gomes sai na frente. Mas por razões pragmáticas, o o ex-governador Geraldo Alckmin, pela aliança com o PSB em São Paulo, pode atrair a legenda.

Geraldo Alckmin classificou a decisão de Barbosa como “uma perda”. “Nós precisamos de novas lideranças, de maior participação. [Barbosa] É um homem preparado, com serviço prestado ao Brasil. Mas é uma decisão dele, nem sei se é definitiva. Mas, se não for desta forma, prestará serviço ao Brasil de outra maneira. Tenho total respeito”, declarou o tucano em evento com prefeitos em Niterói (RJ).

No mesmo evento, Marina Silva lamentou “sempre tive respeito pelo processo de discernimento e pelo debate interno que o PSB está fazendo. Essa é a democracia. As pessoas escolhem, e essa é a melhor forma de contribuir”.

O pré-candidato do PDT, Ciro Gomes enfatiza que Barbosa ganhou repercussão aparecendo em horário nobre como “combatente da corrupção”, no processo do mensalão (ação 470), em 2012. O ex-governador do Ceará analisou que Barbosa “representa um valor que o povo está procurando, que é a decência. Uma figura importante”.

Manuela D’Ávilla, pré-candidata à presidência pelo PC do B, elogiou Joaquim Barbosa por conta de posições políticas “Ele [Barbosa] tinha apresentado algumas pautas interessantes. Manifestou a sua contrariedade em relação à reforma da Previdência e ao processo de impeachment [da ex-presidente Dilma Rousseff]. Ele tinha opiniões já apresentadas e boas. Mas respeito a decisão dele”.

 

Jornalista e formado em ciência política pela UNESP, André Henrique já atuou como docente, assessor parlamentar e consultor político, mas é no jornalismo que o sociólogo se realiza profissionalmente, especialmente na editoria de política.

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