Lula critica o PSOL; Jean Willys diz que PT se afasta de alianças

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Em resposta às declarações de Lula, Jean Willys afirmou que “nem mesmo esse momento de equivocação e irreflexão do ex-presidente” o “fará um antipetista”.

Por Rafael Bruza

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ) / Foto – Reprodução (Agência Brasil/ Luis Macedo /Câmara dos Deputados)

Em entrevista concedida nesta quinta-feira (20) ao jornalista José Trajano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) dizendo que “não dá para ganhar nada teoricamente” e desejando “que eles ganhem alguma coisa” para viver situações em que governos dependem de governabilidade.

“(…) a única coisa que e desejo é que eles ganhem alguma coisa, eu quero que eles governem a cidade do Rio de Janeiro. Quando eles governarem a cidade do Rio do Janeiro, metade da frescura deles vai acabar. Eles vão perceber que não dá pra gente nadar teoricamente. Você não pode ficar na beira da praia falando ‘você dê uma braçada pra cá, uma braçada pra lá, levanta a cabeça…’. Entra na água e vai nadar, pô! Então eu quero que eles governem uma cidade”, afirmou o ex-presidente, que continua a declaração.

“Depois que eles governarem uma cidade eles vão compreender que nem o Sarney, quando foi em 2006 (1986), que elegeu 323 deputados constituintes e 23 governadores, conseguiu governar”, afirma. “O problema é o seguinte: eles ‘se acham’. Sabe aquele cara que levanta de manhã, vai no espelho e fala, ‘espelho, espelho meu: tem alguém mais fodido que eu? Tem alguém mais sério do que eu? Tem alguém mais honesto que eu, mais bonito que eu, mais sabido que eu?”.

A fala é uma resposta a críticas do PSOL, que costuma acusar o PT de se aliar com partidos conservadores e distorcer a ideologia de esquerda desta forma.

Em abril deste ano, Luciana Genro, que foi candidata do PSOL nas eleições presidenciais de 2014, fez críticas ao PT nesta linha.

“A burocracia corrupta que aceitou ser agente dos interesses burgueses também é inimiga das necessidades do povo. A liderança de Lula não representa a esquerda – e isso deve ser dito em alto e bom som”, diz a candidata do PSOL nas eleições de 2014 no artigo. “O PSOL nasceu contra a traição da cúpula do PT. O fato de o governo Temer ser ilegítimo e de ser o pior governo da história da corrupta democracia brasileira não isenta a liderança de Lula desta responsabilidade. Assim, cabe ao PSOL se apresentar para a disputa em todos os terrenos e também na disputa presidencial.

Resposta de Willys

Respondendo as declarações de Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado federal Jean Willys (RJ) afirmou que PT e PSOL têm problemas, “muito embora eles não sejam os mesmos” e que a bancada do PSOL na Câmara dos Deputados está com Lula”.

“Assim como o PT como um todo não são aqueles membros do partido, incluindo alguns do alto escalão, que se envolveram em pesado esquema de corrupção, há muita gente do PSOL no Brasil a fora com ódio de Lula e dizendo barbaridades sobre ele, é verdade. Essas pessoas estão submetidas às mesmas mídias hegemônicas”, afirma o deputado

“Contudo, o PSOL que conta para o imaginário coletivo (e falo sobretudo por nós, da bancada federal) está com Lula em sua reivindicação por um julgamento justo, na defesa do Estado Democrático e na luta contra as reformas neoliberais. Estranho e errado é Lula e alguns petistas que lhe cercam não fazerem a devida distinção em relação ao PSOL – distinção que tanto cobram em relação ao PT – nesse momento tão difícil para nossa democracia.

Willys também afirma que declarações como as do ex-presidente afastam o PT de alianças

“Eles, Lula e os seus, acabam afastando uma frente significativa de aliados, sendo eu um deles. E é no mínimo curioso que Lula não seja tão implacável assim com os partidos de direita com os quais se coligou e conciliou e que, depois, ajudaram na criminalização do PT”.

O deputado diz que reconhece “todos os limites do lulismo”, como a “produção de justiça social mais ampla”, o “desenvolvimento sustentável e garantia das liberdades individuais e dos direitos de minorias”.

Mas sustenta que “jamais” fez “quaisquer dessas críticas publicamente sem respeitar o que ele (Lula) significa de positivo para milhões de brasileiros e brasileiras e de reconhecer seus acertos”.

O deputado encerra dizendo que Lula se “apequenou” ao responder “crítica de militante”.

“Já aviso aos haters antipetistas e anti-Lula que nem mesmo esse momento de equivocação e irreflexão do ex-presidente me fará um antipetista nem vai me impedir de defender seu direito a um julgamento justo. Mas acho uma pena que esse grande líder se apequene à crítica ressentida e revanchista de militante. Uma pena mesmo”, conclui o deputado.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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