‘Lula não aprendeu nada com o golpe no país’, diz Ciro Gomes

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Em palestra, o pré-candidato à Presidência da República pelo PDT declarou que não faria uma frente com o Partido dos Trabalhadores (PT) e citou momentos de decepção com o partido do ex-presidente Lula.

Por Rafael Bruza

O pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes / Foto – Reprodução

Questionado sobre a possibilidade de fazer uma frente de esquerda – composta apenas por partidos e movimentos progressistas – com o Partido dos Trabalhadores (PT), o pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), citou momentos de sua vida em que foi aliado de Lua e declarou que o ex-presidente “não aprendeu nada” com o Impeachment por ter se aliado novamente com políticos como Renan Calheiros (PMDB-AL). A declaração foi feita  na palestra “Um Novo Rumo para o Brasil”realizada nesta segunda-feira (18), em Campina Grande (Paraíba).

“Em 2002, fui candidato a presidente, não venci, apoiei o Lula no 2º turno, Roberto Freire me botou para fora do partido e apoiou o Serra. Aí virei ministro do Lula, veio o Mensalão, a turma afrouxou e eu fiquei lá todo dia 6 e meia da manhã para desconjurar o Golpe que se levantou contra ele. Aí chega 2006, abri mão de ser candidato e apoiei a reeleição dele (Lula)”, conta Ciro Gomes, que segue o relato.

“Em 2010, depois de passar cinco anos dizendo que eu seria o candidato, ele resolveu escolher a Dilma, que tem experiência anterior zero… Apoiei a Dilma, depois da rasteira que sofri, e disse que era um absurdo colocar o Michel Temer na vice (vice-Presidência) porque, se o povão não sabia, eu e o Lula sabíamos que o Michel Temer é isso aí. Nós sabíamos. Aí veio 2014, eu, zangado, votei na Dilma de novo. E aí veio o Impeachment, o Ceará deu dois terços dos votos contra o Impeachment. Só o Ceará deu dois terços dos votos contra o Impeachment”, declarou. “Fiquei lá com ela (Dilma) até última hora dela sair. Apesar de ter nomeado o Levy como ministro da Fazenda, de ter feito toda a bobagem que fez, eu não mudo de lado e não mudarei de lado. Agora eu não aceito mais o seguinte: depois de tudo isso e de um Golpe de Estado no país, o Lula não aprendeu nada. Aí vai fazer uma caravana e se abraça com o Renan Calheiros em Alagoas agora”, declarou Ciro Gomes, rendendo aplausos na plateia.

Veja o vídeo:

Na palestra, Ciro Gomes também mostrou discordância sobre posições do PT depois do Impeachment.

“Nós do PDT tínhamos 4 senadores, botamos 3 para fora e ficamos com um por causa disso. Achando pouco, o PT resolve votar no Eunício Oliveira (PMDB-CE) no Senado. Quem fez o golpe no Brasil? Quem fez o golpe? Aí teve votação suplementar no Amazonas, que não deu um voto contra o Impeachment. Nenhum dos oito deputados federais votou e nenhum dos três senadores votou contra o Impeachment, sendo que o Eduardo Braga saiu do Governo da Dilma, assumiu no Senado e votou no Impeachment. Então teve disputa no Amazonas entre Eduardo Braga contra o Amazonino (Mendes) do nosso partido e em quem vocês imaginam que o PT votou? Votou no Eduardo Braga, p*”, exclamou Ciro.

“Aì vem com esse valor moral superior de frente… Eu estou dentro. Eu to dentro para o futuro, estou dentro a vida inteira. Mas vou ter que engolir com casca e tudo? Sem conversar? Quem é nosso líder? É o Lula. Por que ele não chama para conversar? Eu estou andando, meu partido está germinando expectativas em relação a minha candidatura, isso gera efeito numa candidatura a governador e ninguém chama. Tem que ir pelo beiço pedindo permissão para votar neles. Nunca mais, meu patrão, nunca mais!”, afirma o pré-candidato.

“Isso não quer dizer que vou mudar de lado. Não voto em Bolsonaro, não voto em Alckmin, meu voto não está à a venda e não está disponível para nada. Se não tiver êxito, votarei em que tiver do meu lado e do nosso lado do campo progressista, popular e nacional, de forma incondicional, como sempre fiz. Farei de novo”, conclui.

Alianças com PMDB

Desde o Impeachment de Dilma Rousseff, movimentos e partidos progressistas debatem para decidir se é mais conveniente fazer uma frente de esquerda, formada apenas por movimentos e partidos progressistas, ou uma frente ampla, que admita políticos de outras ideologias e de siglas que votaram a favor do Impeachment.

Em agosto deste ano, Lula dividiu palanque com políticos do PMDB, como Renan Calheiros e o governador de Alagoas, Renan Filho, durante suas Caravanas pelo Nordeste. A presença de Calheiros foi considerada um sinal de que o PT optará pela frente ampla em 2018, obtendo apoio de políticos favoráveis ao Impeachment de Dilma Rousseff.

 Apesar dessa opção gerar discórdia em alas do Partido dos Trabalhadores, a sigla já sinalizou que pretende constituir alianças com filiados do PMDB que votaram a favor do Impeachment.

No início de novembro, o ex-prefeito de São Bernardo dos Campos e pré-candidato ao Governo do Estado de São Paulo pelo PT, Luiz Marinho, defendeu que o Partido dos Trabalhadores deve permitir alianças com legendas que apoiaram o golpe contra Dilma Rousseff.

 “Veja, nós temos que recuperar bases. A maioria do povo também apoiou o impeachment e nós queremos recuperar a maioria do povo. Não vejo a necessidade de um grande arco de alianças para a candidatura do Lula. Vamos precisar de uma grande aliança para governar, no Congresso. Mas isso pode se dar no processo eleitoral ou pós-eleições. Agora vamos analisar no sentido de ganhar a eleição. Depois se tomam providências sobre composição da base no Congresso”, declarou Marinho.

 

 

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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